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Política

Eleições 2010

Yeda Crusius pronta para a guerra

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 26/07/2010 17h48, última modificação 26/07/2010 18h16
Depois de haver escorregado na condução da escolha do vice, a tucana foi rápida e mostrou que vai jogar pesado

A governadora Yeda Crusius está preparada para a guerra. Esta semana, depois de haver escorregado na condução da escolha do vice, a tucana foi rápida e mostrou que vai jogar pesado nas eleições.

Quando parecia que tudo estava certo para que o Vilson Covatti, do PP, assumisse o posto de candidato a vice-governador, Yeda sinalizou um veto ao deputado albergueiro. Com isso, o primeiro impacto foi de surpresa e alguma indignação nas hostes do conservadorismo gaúcho. Yeda, entretanto, acabou contornando a crise e saiu fortalecida do episódio.

O PP havia aberto um amplo processo de escolha de um vice. Um pouco para para pousar de democrático, outro pouco para ocupar espaço de imprensa, outro ainda para acomodar tensões internas. Covatti e outros nomes menos importantes se apresentaram.... tudo indicava que ia dar Covatti. Foi quando Yeda interviu dizendo que gostaria de ter um vice que houvesse participado de seu governo. Com isso, restringiu a escolha entre Otomar Vivian, ex-chefe da Casa Civil, e João Carlos Machado, ex-secretário da Agricultura.

Na prática, Yeda chamou para si a escolha. Mas foi hábil no episódio. Primeiro, distensionou o PP, procurando o partido e expondo suas preocupações. A governadora gaúcha, com razão, ficou traumatizada com a experiência com o seu atual vice, Paulo Feijó, do DEM. Feijó acabou sendo um inimigo na trincheira durante todo o governo, ao ponto de Yeda não poder viajar para não deixar a caneta nas mãos do desafeto.

Covatti, ainda que seja um político experimentado (e talvez por isso), é homem de opiniões fortes, detentor de votos. E Yeda, com certeza, deve ter avaliado que poderia vir a ter problemas com o vice que o PP estava em vias de indicar. E se há uma coisa em que Yeda não pode errar agora é na escolha de seu vice - qualquer detalhe nesta questão pode ser mortal. Yeda precisa de um vice neutro, discreto, alinhado, mas que ao mesmo tempo traga o PP para a campanha, consiga coesionar as forças do conservadorismo e colocá-las unidas no campo de batalha.

Vai ser guerra - Quando chegou ao ponto crítico de seu mandato - o CPERS, sindicato dos professores do estado, fez um ato em frente a sua casa acusando-a de tudo um pouco - Yeda parece ter chegado à conclusão que precisaria profissionalizar suas atitudes e o marketing de seu governo. Desde então, recolheu-se aos bastidores e só tem realizado aparições públicas absolutamente sob controle. O veto a Covatti pareceu, num primeiro momento, um retorno ao descontrole, mas tudo indica que não. Yeda, no meio desta semana que passou, mostrou estar muito segura e confiante.

Numa entrevista concedida ao jornal Zero Hora, Yeda declarou querer "um vice que participou do governo" e foi além. Disse que a eleição vai ser uma guerra, que quer fazer a comparação de seu governo com os demais, e que a polarização será entre o PSDB e o PT. De conjunto, a governadora passou a ideia de estar preparada para o confronto.

As dificuldades tucanas - Todas as pesquisas tem indicado que a reeleição de Yeda Crusius é muito difícil. A governadora aparece sempre em terceiro, tanto na espontânea quanto na induzida e com altos índices de rejeição. Seus oponentes principais, Tarso Genro (PT), e José Fogaça (PMDB), têm o dobro de votos. Se Yeda aparece com 5% na espontânea, Tarso e Fogaça aparecem com 10% cada um. Se Yeda tem 15% na induzida, Tarso e Fogaça aparecem com 30% pelo menos. Ou seja, hoje Yeda é carta fora baralho, mas a tucana aposta na repetição do que ocorreu em 2006. "Na boca da urna - declarou a governadora - eu estava em terceiro lugar. Quando se abriram as urnas, eu disparei."

Registre-se que Tarso tem um pescoço a frente de Fogaça. E que Fogaça, depois de um lance forte no qual retirou o PDT de um possível apoio ao PT, estagnou e só vê crescerem os problemas internos. Há poucos dias, as reclamações dentro do PMDB quanto à direção da campanha começaram a vir a público. O ataque de Serra às bases do partido por um lado, e de Dilma, pelo outro, estão aprofundando a diáspora do PMDB gaúcho. Parece ser isso que o comando tucano está vendo, uma divisão do PMDB e do próprio PDT entre Yeda e Tarso, Serra e Dilma.

As dificuldades da governadora, neste sentido, estariam no passado, não no futuro. Já para Fogaça, o inverso parece ser verdadeiro. A indicação de Michel Temer para vice de Dilma coloca o PMDB do senador Pedro Simon numa saia justa. Se apoia Dilma, pode perder setores importantes. Se não apoia, também. Se fica neutro, pode ser ainda pior. Yeda e Tarso, a esta altura, estão salivando, prontos para desencadear novos ataques direcionados ao eleitor de centro na política gaúcha.

Vai ser guerra!