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Wagner defende equilíbrio entre Executivo e órgãos de controle

por Redação Carta Capital — publicado 25/02/2013 17h50, última modificação 06/06/2015 18h42
Segundo o governador da Bahia, é necessário impedir “retrocessos” após uma década de combate à miséria e desigualdade

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou nesta segunda-feira 25 que o desenvolvimento observado no Nordeste nos últimos dez anos foi uma viagem “acelerada”. Como consequência, disse, “muita coisa não está hoje no ponto em que era para estar”.

A declaração foi feita durante o seminário “Nordeste – Como Enfrentar as Dores do Crescimento”, promovido por CartaCapital, em Recife.

O petista se referia aos gargalos enfrentados pelo gestor público para manter o ritmo de crescimento ao longo dos anos. Ele disse haver rigor excessivo dos órgãos de controle sobre projetos políticos fundamentais para a região, caso da ferrovia Oeste-Leste, cujas obras chegaram a ser suspensas por determinação do Tribunal de Contas da União após constatação de indícios de superfaturamento. “É preciso haver um equilíbrio da relação do Executivo com os chamados órgãos de controle. Nada contra a fiscalização, até porque a transparência é fundamental”, explicou.

O governador lembrou que, há cerca de dez anos, o grande desafio do País, apontado em conversa com o economista Celso Furtado, era a eliminação da miséria e das desigualdades sociais. Wagner apontou avanços desde então, mas fez um alerta: “Não chegamos lá ainda”.

Parafraseando a presidenta Dilma Rousseff, disse que o fim da miséria é apenas o começo. Segundo ele, é necessário agora impedir “retrocessos”.

“Somos uma democracia jovem. Estamos no mais longo período de estabilidade democrática do Brasil desde que nos tornamos uma República. Não é por acaso, o período coincide com esse resgate da questão da autoestima do povo brasileiro”.

“No interior da Bahia”, continuou, “é impressionante como o comércio de cada cidade está mais organizado”. “O caboclo se preocupa mais com a qualidade da vitrine dele. Tem mais manicures, cabelereiros. Até lojas de intimidades”, brincou.

A consequência desse desenvolvimento, segundo ele, é que os desafios passaram a exigir mais investimentos em educação e tecnologia e políticas voltadas para frear a escalada da violência, outro “gargalo que buscamos superar”.

Wagner disse que o Nordeste deve seguir como um polo de atração de investimentos e que a fase de disputa entre estados, ao estilo “farinha pouca, meu pirão primeiro”, está superado. “Se não, vamos querer ser ilha de referencia e não vamos para lugar nenhum.”