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Vannuchi vai à guerra

por Celso Marcondes — publicado 03/03/2009 16h13, última modificação 23/08/2010 16h15
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, acaba de colocar muita lenha na polêmica sobre a Lei da Anistia.

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, acaba de colocar muita lenha na polêmica sobre a Lei da Anistia. Semana passada, em solenidade no Rio de Janeiro, o ministro exortou as vítimas da repressão durante a época da ditadura militar, seus familiares e entidades representativas para que encaminhem ações judiciais questionando o alcance da Lei da Anistia.

Vannuchi quer que venha da sociedade a pressão para que a verdade sobre aqueles anos sombrios seja desvendada, incentivando o afloramento de informações sobre o paradeiro dos desaparecidos políticos.

Matéria dando conta das declarações do ministro saiu no Estadão deste sábado, 28. A reação de uma parte dos leitores do jornal veio com destaque no “Fórum dos Leitores” da edição da segunda, 2 de março. Quatro cartas contestaram veementemente o ministro. Todas na mesma linha: se é para investigar os torturadores, tem que investigar também os terroristas. Pelo menos duas das cartas se dão ao trabalho de listar os que chamam de terroristas: Dilma, Tarso, José Dirceu, Franklin Martins, Genoíno e o próprio Vannuchi são os lembrados. A lógica dos missivistas é da “simplicidade” de sempre, que dá aos torturadores e seus mandatários o papel de resistentes à ameaça comunista. Um deles escreveu: “(...) também pedimos que seja aberta a caixa-preta e se punam todos os terroristas e guerrilheiros que assombraram a Nação à época (...)”. Pena que nenhum deles seja capaz de também apresentar uma lista de torturadores, seres sem nome que andam impunes entre nós. Como não lembram de descrever as prisões, torturas, exílios e perseguições sofridas na época sobre os notáveis acima. Falta de reflexões de quem sempre apoiou o governo terrorista que sucedeu o golpe militar em 64.

A reação começou e vira à galope. O ministro, entretanto, já mostrou que não foge da briga. Pois já emendou outra: quer novas investigações no Araguaia, em busca das ossadas dos desaparecidos da guerrilha comandada pelo PC do B, nos anos 70. Vannuchi quer organizar uma varredura na região, usando do próprio Exército para tal. Mais que isso: dia 12 próximo vai anunciar um pacote de medidas a respeito do direito à memória. Uma delas, talvez a que dê mais pano pra muita manga, seria uma campanha publicitária sobre os desaparecidos políticos.

Quem viver verá. A julgar pelas cartas iradas dos leitores do Estadão, vai acabar a maresia sobre o assunto. Afinal, começou o fim da era Lula e de duas, uma: ou a ferida é aberta agora e nossa história doente é curada de vez ou os “panos quentes”, que foram ignorados pelos vizinhos uruguaios, argentinos e chilenos, prevalecerão.