Política

'Mensalão'

Valério pagou para cessar chantagem ao PT em Santo André, diz jornal

por Redação Carta Capital — publicado 03/11/2012 09h59, última modificação 03/11/2012 10h19
Em depoimento no MPF, publicitário teria dito que fez repasses para acabar com ameaças contra importantes membros petistas

O publicitário Marcos Valério, condenado a mais de 40 anos de prisão por seu envolvimento no “mensalão”, afirmou em depoimento voluntário prestrado em setembro ao Ministério Público Federal que valores do esquema foram direcionados a  Santo André após o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT), em 2002. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, citando investigadores que tiveram acesso ao depoimento sigiloso, o dinheiro pagou supostas ameaças e chantagens a importantes membros do partido.

O diário ainda apontou que Valério mencionou outras remessas de recursos para o exterior no "mensalão" e citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci.

De acordo com reportagem desta semana da revista Veja, em 2003 o ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, procurou Valério para que o publicitário enviasse valores ao empresário de ônibus Ronan Maria Pinto. O repasse teria intuito de calar Pinto, que havia ameaçado  revelar uma suposta relação de Lula e do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com o esquema de desvio de dinheiro público da prefeitura de Santo André.

Inicialmente, diz a revista, Valério não quis se envolver no assunto, mas realizou os repasses. À época, as investigações indicavam que o assassinato ocorreu porque Celso Daniel pretendia acabar com esquema de arrecadação de propina.

O depoimento de Valério faz parte de uma tentativa do publicitário em conseguir um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República em troca de informações novas sobre o "mensalão". O pedido foi formalizado em um fax ao Supremo Tribunal Federal, que julga o processo.

O publicitário teria dito temer por sua vida e, por isso, pode entrar para o programa de proteção a testemunhas, caso um acordo com a PGR seja consumado.

De acordo com o Estado de S.Paulo, Gilberto Carvalho e Pereira negaram envolvimento com as supostas chantagens e o Instituto Lula não comentou o caso.