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Um discurso de estadista

por Ricardo Young — publicado 18/12/2009 15h17, última modificação 08/09/2010 15h18
Foi um discurso de estadista. A fala do presidente Lula na COP 15, veio ao encontro de nossas melhores expectativas.

Foi um discurso de estadista. A fala do presidente Lula na COP 15, veio ao encontro de nossas melhores expectativas. Foi desfeita, de forma corajosa, a grande dificuldade de posicionamento claro e contundente de nossa delegação, em relação às contradições de que vem impedindo o acordo do clima. Mais do que corajoso, este discurso expressa o melhor espírito de responsabilidade esperado de um estadista que representa uma nação que não pode se omitir do comprometimento planetario com o acordo climatico.

Lula pôs este acordo como um imperativo ético e moral de todos os países. Ele precisa ser celebrado e não pode se subordinar a interesses patromonialistas, de mercado ou de políticas internas. Por isso, convocou os dirigentes políticos do mundo a refletir sobre a tarefa histórica que tem pela frente e não admitiu recuo de quem quer que seja no esforço de superar as consequências do aquecimento global.

Enalteceu as vantagens competitivas do Brasil para o desenvolvimento de baixo carbono, aproveitando para reiterar o compromisso brasileiro com a redução das emissões de carbono. Em nenhum momento, o presidente Lula pos estas vantagens como subterfúgio que exima o país de seu papel histórico para com a humanidade, nesta encruzilhada que pode custar a sobrevivencia da espécie no planeta. Reforçou, no entanto, que é óbvio que países com passivo de matrizes sujas têm, no mínimo, maior responsabilidade no esforço de mitigação e adaptação que nossa civilização terá de empreender.

Lula não fez blague nem demagogia. Foi convincente na defesa do imperativo social neste combate as mudanças climáticas, bem como da prerrogativa que os países insulares mais pobres tem de se candidatarem primeiro a ajuda internacional.

Na minha opinião, corroborada por personalidades como o cientista Carlos Nobre e o jornalista Washington Novaes, e que, com este pronunciamento presidencial, o Brasil selou sua opção pelo desenvolvimento sustentável.

O discurso do presidente esteve a altura da importância histórica desta conferência. Mas as palavras deles precisam sair do papel e tornarem-se ações respaldadas pelo Congresso, pelo próprio Executivo federal e pelos governos locais. Mas avançamos e esta é a melhor notícia que levo de Copenhague para o Brasil.