Política

Eleições 2012

Um começo solitário para Haddad

por Rodrigo Martins publicado 01/06/2012 14h54, última modificação 01/06/2012 14h54
Fernando Haddad lança candidatura sem fechar as alianças com o PSB e o PCdoB. Sofre os efeitos da indefinição do PT em Recife e Fortaleza
Haddad

CConsultor técnico da campanha do petista à prefeitura de São Paulo comenta quais serão as principais estratégias do ex-ministro para ganhar o eleitorado paulistano . Foto: Elza Fiúza/Abr

Uma das principais apostas do ex-presidente Lula, a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo será anunciada no sábado 2 sem o PT ter fechado nenhuma aliança com partidos da base de Dilma Rousseff. As indefinições envolvendo as candidaturas petistas no Recife e em Fortaleza dificultaram as negociações com o PSB na capital paulista. O PCdoB também condiciona a aliança ao apoio do PT para Manuela D' Ávila em Porto Alegre, mas o núcleo gaúcho do partido resiste à ideia de não lançar candidato próprio na cidade, ainda que o deputado petista Adão Villaverde apareça apenas em quarto lugar nas pesquisas, com 5,7% das intenções de voto.

O presidente municipal do PT e coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, garante que as alianças com o PSB e o PCdoB estão praticamente fechadas. “O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, telefonou para o Márcio França para esclarecer que a decisão cabe ao PSB nacional, que está com o Haddad. As negociações com o PCdoB estão avançadas, mas eles tinham candidato próprio, há todo um ritual para retirar uma candidatura. Temos de respeitar o tempo dos partidos aliados”, afirmou a CartaCapital. Secretário de Turismo do governador Geraldo Alckmin, França defendia o apoio do PSB aos tucanos.

O impasse recifense

Na capital pernambucana, o partido continua rachado e sem definição de candidato. Após a anulação da prévia realizada em 20 de maio, em meio a suspeitas de fraude, o atual prefeito João da Costa e o secretário de Governo de Pernambuco, Maurício Rands, voltariam a se enfrentar em novo pleito no próximo domingo, 3 de junho. Mas o presidente nacional do PT, Rui Falcão, chamou os dois pré-candidatos para uma conversa na segunda-feira 28 e propôs que ambos retirassem as candidaturas em prol de um terceiro nome, consensual. Rands aceitou a recomendação e renunciou em favor de Humberto Costa, líder do PT no Senado e ex-ministro da Saúde de Lula. Ambos são aliados políticos e mantém boas relações com Eduardo Campos. Só que o prefeito João da Costa bateu o pé e manteve a sua candidatura.

A decisão final será tomada em uma reunião da Executiva Nacional do PT em 5 de junho. O grupo pode homologar a candidatura do atual prefeito ou intervir no processo e nomear outro candidato. Humberto Costa continua sendo o nome mais cotado. A assessoria de imprensa do senador diz que ele não vai se pronunciar até o partido tomar uma decisão. Fontes ligadas à Direção Nacional do PT garantem que está disposto a concorrer à Prefeitura do Recife, mediante um acordo que ponha fim à briga fratricida entres os grupos rivais do PT na capital.

A disputa em Fortaleza

O PT deverá escolher no próximo domingo, 3 de junho, o candidato para a sucessão de Luizianne Lins. Após dois mandatos bem avaliados, a prefeita de Fortaleza tenta emplacar o seu secretário de Educação, Elmano Freitas. Mas o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), não esconde a predileção por Camilo Santana, seu secretário de Cidades. Outros dois pré-candidatos ainda estão na disputa: o vereador Guilherme Sampaio e o deputado federal Artur Bruno. Cerca de 300 delegados vão escolher um nome no domingo 3. Os representantes foram escolhidos durante um encontro em 6 de maio, quando o PT local decidiu não realizar prévias para evitar um racha na legenda.

Pelos cálculos de Luizianne, as chapas que apoiam a candidatura de Elmano, seu afilhado político, possuem os votos de 71% dos delegados. Camilo Santana, por sua vez, teria apenas 11%. Ele reconhece que a prefeita controla a maioria dentro do partido, mas aposta em um acordo que preserve a aliança com o PSB de Cid Gomes. “Eu acho que se o PT quer construir uma aliança não basta apresentar o projeto. Precisa definir um nome capaz de tocar esse projeto com o apoio dos aliados”, afirmou a CartaCapital. “No início do ano, eu perguntei à prefeita se ela queria que eu retirasse meu nome da disputa. E ela disse que não era o caso. Continuo à disposição do partido e sei que sou capaz de manter essa aliança com o PSB em Fortaleza. Um acordo que, por sinal, vai influir em várias outras disputas. O PT hoje governa 15 cidades no Ceará, incluindo Sobral e Juazeiro do Norte.”

Bem avaliada ao término de seu segundo mandato, Luizianne se reuniu com Lula e Rui Falcão para pedir que ambos ajudem na construção de uma aliança com o PSB. Nas eleições de 2004, Luizianne não teve o apoio da Direção Nacional do PT. Quatro anos depois, não teve nem Lula nem Dilma Rousseff em seu palanque. Agora, pede que o partido respeite a decisão do PT local e somente depois da indicação do candidato passe a negociar com Cid Gomes. “Temos interesse em manter a aliança com o PSB, mas o PT tem o direito de escolher o seu próprio candidato. Não faz sentido o partido aliado querer impor um nome”, disse a CartaCapital. Quanto as articulações nacionais em torno da candidatura de Haddad, a prefeita defende o seu quinhão. “Fortaleza é a maior cidade que o PT governa hoje, tem de ser tratada com prioridade. Além disso, não dá para ignorar as realidades locais para construir um candidato em São Paulo.”