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Transição de governo não afeta discussão do mínimo, diz presidente da CUT

por Felipe Corazza — publicado 18/11/2010 17h10, última modificação 18/11/2010 18h47
Arthur Henrique participou de reunião entre Centrais e ministros para abertura de negociações; segundo ele, há sinais de que a presidente eleita tem interesse em manter posições do governo Lula

A transição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o da presidente eleita Dilma Rousseff não deve alterar o rumo das negociações para o reajuste do salário mínimo. Esta foi a tônica da primeira reunião entre ministros do atual governo e centrais sindicais para debater a questão nesta quinta-feira 18. O presidente nacional da Centra Única dos Trabalhadores, Arthur Henrique, foi o representante da entidade no encontro com os ministros Paulo Bernardo, do Planejamento, e Carlos Gabas, da Previdência.

Em entrevista ao site, Arthur diz que os sinais foram positivos, mas ainda há muita conversa pela frente. A reunião foi para abrir as negociações. Ainda haverá rodadas até o fim do ano, já com participação de alguém da equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff. O nome, segundo o presidente da CUT, ainda não foi definido.

As centrais sindicais defendem que o mínimo seja reajustado em janeiro para o valor de 580 reais. O governo oferece um aumento para 540 reais. Arthur Henrique lembra que as políticas de crédito abertas para minimizar os impactos da crise internacional favoreceram os empresários, assim, seria plenamente possível um ganho real do salário mínimo acima da inflação. "A crise não foi culpa do governo, não foi culpa dos empresários e nem dos trabalhadores. Mas as medidas para reduzir o impacto funcionaram e permitem um ganho maior para os trabalhadores".

Além do custo para o empresariado, a questão do Orçamento também está em discussão no debate pelo salário mínimo. O relator da matéria na Câmara, deputado Gim Argello (PP-DF), o novo mínimo deveria ficar entre 560 e 570 reais, para manter o equilíbrio. Para o presidente da CUT, o argumento enxerga apenas um lado da questão: o aumento dos gastos da Previdência. Mas há a contrapartida: "Um aumento de 70 reais no salário mínimo também gera ganho para o governo, já que é um dinheiro que entra em circulação e fortalece a economia".

Segundo Arthur Henrique, os ministros sinalizaram na reunião que não haverá qualquer interrupção ou mudança nos trilhos da discussão com a mudança de governo. Eles garantiram que a presidente eleita Dilma Rousseff tem "todo o interesse de manter o compromisso de reajuste gradual do mínimo até 2023". Tal acordo foi costurado em 2006, entre as Centrais e o presidente Lula.

Na coletiva de imprensa após a reunião, o ministro Paulo Bernardo elogiou o acordo de reajuste progressivo: "Consideramos o acordo vitorioso. Ele garantiu um aumento real de 60% para o mínimo durante o governo Lula, ajudou a alavancar o mercado interno, o comércio, a economia e ajudou a aplacar a crise econômica".

Nova reunião entre as Centrais e os ministros deve ocorrer na próxima semana, em Brasília, na terça ou na quarta-feira. Além de Paulo Bernardo e Carlos Gabas, devem participar do encontro os ministros Calos Lupi, do Trabalho, e Luiz Dulci, chefe da Secretaria-Geral da Presidência.

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