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Limite de dívida sobe 102 vezes

por Brasil Econômico — publicado 20/07/2011 12h42, última modificação 20/07/2011 18h05
Em vigor há 94 anos, o teto da dívida interna americana foi instituído pela Casa Branca como uma forma de controlar os gastos públicos

Por Bárbara Ladeia*

Em vigor há 94 anos, o teto da dívida interna americana foi instituído pela Casa Branca como uma forma de controlar os gastos públicos. De lá para cá, esse limite foi aumentado por 102 vezes.

Somente na última década, foram 10 ampliações no valor.

Consideradas as diversas crises, como a de 1929, e as guerras ao longo do período, não se trata de uma anormalidade aos olhos do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. Para ele, a média de uma alteração por ano é razoável.

No passado recente, a velocidade das mudanças se intensificou. A partir de 2004, o teto legal para a dívida ficou ainda mais acentuado, após as investidas americanas na chamada Guerra ao Terror, que levou os Estados Unidos a ofensivas militares no Iraque e no Afeganistão. Em 2007, o valor ultrapassou os US$ 10 trilhões, às vésperas da crise financeira que abalou a economia mundial.

Há cerca de 18 meses, os Estados Unidos vêm sendo obrigado a socorrer empresas após a crise financeira internacional, o que tornaria natural a elevação da capacidade de endividamento do país.

O avanço mais acelerado no teto da dívida interna também é resultado do processo de globalização. "A diferença da atualidade frente os momentos do passado é que hoje, com a economia mais globalizada, o país vai a extremos mais rápidamente", explica Agostini. "Nos momento de recuperação, o desenvolvimento é grande e bem rápido. Na crise, a decadência é veloz também".

Em 2008, já com a crise financeira internacional em curso, a dívida bruta do governo federal chegava a US$ 11,9 trilhões, representando 84,6% do Produto Interno Bruto do país. Em 2010, esse total foi de US$ 13,4 trilhões e neste ano deve chegar a US$ 15,2 trilhões.

Mais que isso, Agostini aponta que a tendência é que esse valor continue crescente, uma vez que há um grande montante gasto no estímulo à economia. Nas estimativas da Austin Rating, em 2015, a dívida interna deve chegar perto dos US$ 19,7 trilhões, ultrapassando em 9,4% o total acumulado pelo PIB americano.

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A aproximação das eleições presidenciais tem acirrado os ânimos entre democratas e republicanos uma vez que, segundo Agostini, "desde a década de 80 esse movimento é constante, o que torna o debate fato muito mais corriqueiro que parece".

Momentos como este, de grande fragilidade do governo, abrem espaço para investidas mais incisivas da oposição, que buscam capitalizar votos. "Os republicanos vão aproveitar esse momento para desgastar ao máximo possível a imagem do presidente Barack Obama", lembra o economista.

Na busca por um alívio no passivo político, Obama tem apoiado um plano bipartidário para a redução do déficit. O presidente teria sugerido a Harry Reid e Mitch McCOnnel a iniciarem conversas sobre o assunto.

Assim como na época da reeleição do presidente George W. Bush, é possível que a oposição faça exigências, como a revogação da reforma no sistema de saúde, em troca da aprovação do novo teto da dívida, evitando uma desmoralização do líder da Casa Branca. Nesse sentido, Agostini aposta na aprovação do projeto, com ressalvas de forma a fortalecer a oposição.

A não aprovação da ampliação do teto da dívida pode gerar consequências não só nos Estados Unidos e na imagem do governo Obama, mas também do outro lado do mundo, na China, maior credor dos Estados Unidos. Diante de um calote temporário, o mercado pode levantar suspeitas quanto à dificuldade de financiamento do país oriental.

*Matéria publicada originalmente no Brasil Econômico

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