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Política

Tão Gomes

Terminou o recesso. Senado e Câmara voltam ao trabalho

por Tão Gomes — publicado 31/01/2012 16h25, última modificação 31/01/2012 16h25
Quer dizer, voltam a se reunir, em geral três dias por semana, num dos mais ousados edifícios assinados por Oscar Niemeyer, em Brasília

Quer dizer, voltam a se reunir, em geral três dias por semana, num dos mais ousados edifícios assinados por Oscar Niemeyer, em Brasília.

Elas constituem as duas casas do Poder Legislativo, um dos três poderes da República.

Pela frente, esse Poder, terá (ou teria) tarefas hercúleas. Articular e votar finalmente a Reforma Política parece-nos a mais importante delas.

Mas irá se decepcionar quem espera qualquer tipo de ação nesse sentido.

Fala-se num plebiscito para que a população diga se quer ou não essa reforma.

Na verdade uma votação onde o cidadão e a cidadã iriam dizer se preferem o sistema atual ou o voto distrital e ainda opinar sobre o financiamento das campanhas eleitorais.

Imagino como será difícil para o os partidos, ou mesmo o Tribunal Superior Eleitoral explicar, de forma que a grande massa entenda, o que significam financiamento público das campanhas e o que pode acontecer com o voto distrital.

Até porque, até agora não se definiu que tipo de voto distrital seria colocado junto ao chamado “povão”.

Aposto que, se chegarmos a esse plebiscito, qualquer alteração será rejeitada.

Fica valendo o slogan do deputado Tiririca: “...Pior que está não fica”.

Na minha modesta opinião, no caso da Reforma Política,  não se trataria nem de querer. O Brasil PRECISA dessa reforma. Mas não se iludam. Ela não sairá do Congresso.

Não este ano, pelo menos.

Todo congressista tem a consciência de que foi eleito pelo sistema em vigor. Qualquer mexidinha nas leis eleitorais poderá prejudica-lo. É o próprio instinto de sobrevivência.

Sim, mas e a opinião pública? Ela não conta? Ainda mais agora, com as chamadas redes sociais, ela pode manifestar-se. Usar o Twitter, o Facebook, etc.

Essas novas mídias são canais fortíssimo, mas correm o risco – ou melhor, todos nós corremos o risco, de não sermos ouvidos.

Se fosse diferente, o presidente do Senado não se chamaria José Sarney depois da vigorosa campanha #forasarney.

E os milhares que twittaram ou “facebookaram” pedindo a entrada em vigor, imediatamente, da Lei da Ficha Limpa?

O máximo que conseguiram foi a aprovação da lei, contestada pelos que se sentiram prejudicados, e reafirmada, em vários casos, para vigorar a partir somente das eleições de municipais, por outro Poder, o Judiciário,  contra o qual não cabe recurso.

Por falar em Poder Judiciário, as encrencas internas que estão vindo à público, as trocas de chumbo e acusações graves entre os vários níveis de magistrados, já derrubaram de vez o mito da Justiça cega e imparcial. E acima de tudo, suas alegadas preocupações republicanas.

Para usar uma expressão já gasta: o Judiciário é uma caixa-preta. Você abre e pode sair uma minhoca ou uma aranha caranguejeira. Lá, como no Legislativo, é cada um defendendo o seu. E boca fechada.

Na semana passada, almocei com um grande amigo, magistrado.

Ele me confidenciou: “Fui tirar um estrato da minha conta e apareceu um depósito de R$ 400 mil a título de correção. Nem quis saber do que se tratava, nem fui perguntar”.

Como nós aprendemos no curso básico, além do Legislativo e do Judiciário, a República tem o Poder Executivo.

Nesse Poder, a presidenta Dilma Rousseff se prepara para substituir o seu nono ministro.

Sinal que a faxina na Esplanada prossegue, embora o regime de feudos partidários exija que ela não use a expressão.

Afinal a presidenta não quer melindrar os delicados ouvidos da classe política. Ela quer apenas tentar governar este país.

Tarefa para leão, como se dizia antigamente.

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