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Política

Levante Popular da Juventude

Suposto torturador de Dilma é alvo de protesto

por Piero Locatelli — publicado 14/05/2012 11h50, última modificação 06/06/2015 18h22
Em novo 'esculacho' contra um ex-agente da ditadura, manifestantes 'expõem' histórico do acusado perante a vizinhança em Santos
tortura

O suposto torturador de Dilma, em "ficha" criada por manifestantes

O movimento social Levante Popular da Juventude protestou nesta segunda-feira 14 em frente à casa de Mauricio Lopes Lima, acusado de torturar a presidenta Dilma Rousseff durante a ditadura.

Aproximadamente 60 pessoas estiveram em frente ao prédio do ex-agente da repressão, na Praia das Astúrias, no Guarujá, litoral paulista.

Segundo os organizadores do movimento, o objetivo é expor os torturadores à sociedade brasileira. “Nas panfletagens, a gente vê o espanto dos vizinhos, das pessoas que trabalham no comércio. Porque geralmente são figuras que moram no bairro já há algum tempo e têm essa história oculta; a gente vai expondo de fato quem são estes ‘bons velhinhos’”, diz Edson Magalhães Rocha, porta-voz do movimento.

Dilma, que era uma das líderes da organização VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, cinco meses depois de ser presa, ela deu detalhes da tortura no Dops. Dilma reconheceu Mauricio Lopes Lima como seu torturador.

Em entrevista ao portal iG, em 2010, Lima admitiu que o uso da violência era comum nos interrogatórios durante a ditadura. "Era a coisa mais corriqueira que tinha", disse o ex-agente. Na ocasião, ele admitiu ter tido contato com a futura presidenta, mas negou a tortura. Segundo ele, na época não podia sequer imaginar que a veria na Presidência. “Se soubesse naquela época que ela seria presidenta teria pedido: ‘Anota meu nome aí. Eu sou bonzinho.’”

O ato desta segunda-feira, realizado debaixo de chuva, durou cerca de uma hora (entre 10h e 11h). Durante o protesto, vizinhos desceram, aparentemente assustados, para ver o que acontecia. Funcionários contaram que Lopes Lima estava no local – mas ele nem sequer foi visto na janela. A reportagem tentou fazer contato com ele pelo interfone, mas não foi atendida.

Os jovens cantavam músicas com refrãos como “A ditadura já acabou/Quero saber que militar que torturou”. Também estenderam faixas e picharam a calçada com frases que avisavam aos transeuntes quem morava no local.

Os protestos também ocorreram em outros dez estados. Foi a segunda vez que o movimento fez um protesto deste tipo.

Alvo do protesto, Lopes Lima fez parte da Oban (Operação Bandeirante), braço da repressão montada em julho de 1969 no estado de São Paulo. Com policiais e militares, a operação funcionava como um órgão centralizador e organizado da repressão.

O relato de Dilma identificando o torturado foi registrado no projeto Brasil Nunca Mais, a partir de depoimento dado por ela à auditoria militar em 1970. Outro a reconhecer o torturador foi Frei Tito. Em depoimento dado em 1969, o religioso disse que Lopes o torturou e antes falou: “você agora vai conhecer a sucursal do inferno”.

Uma ação do Ministério Público Federal apontou Lima como torturador de ao menos 20 presos políticos durante a ditadura. A ação, de novembro de 2010, pedia que Lima e outros supostos torturadores perdessem seus cargos públicos e pagassem indenização a suas vítimas. A Justiça de São Paulo arquivou o caso um ano depois com base na Lei da Anistia.

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