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Política

Julgamento do "mensalão"

Ao vivo: STF ouvirá a defesa de Roberto Jefferson, delator do suposto esquema

por Redação Carta Capital — publicado 13/08/2012 12h49, última modificação 13/08/2012 15h06
Oitavo dia ainda tem advogados de ex-tesoureiro do PTB e de dois ex-deputados

No oitavo dia do julgamento do “mensalão”, suposto esquema de compra de votos que teria ocorrido no governo Luiz Inácio Lula da Silva,apresenta sua defesa aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira 13 e deverá questionar por que Lula não foi incluído no processo. Jefferson sustenta que o ex-presidente não sabia do caso até ser avisado por ele, mas sua defesa acredita ele foi ao menos condescendente com o esquema. O STF já descartou incluir Lula no processo.

O ex-deputado é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, em 2003 foram repassados mais de 1 milhão de reais ao então presidente do PTB, José Carlos Martinez, em troca do apoio ao governo Lula. Quando Jefferson assumiu o cargo em dezembro daquele ano, teria recebido cerca de 4,5 milhões de reais. Algo que o ex-deputado admite, mas alega ser parte de um acordo com o PT para a doação de 20 milhões de reais nas eleições municipais do ano anterior.

Quem abrirá o dia é a defesa do ex-deputado federal Carlos Alberto Rodrigues (PL), o Bispo Rodrigues, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Depois falam os advogados de Jefferson e do ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por participar das negociações pelos 20 milhões.

Por fim, os ministros do STF ouvirão a defesa dos ex-deputados Romeu Queiroz (ex-PTB e hoje no PSB) e José Borba (ex-PMDB e hoje PP). Ambos respondem por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A fase de sustentação das defesas dos réus entra na reta final nesta semana, pois o STF já ouviu os advogados de 25 dos 38 acusados. Espera-se que o cronograma seja cumprido e essa parte do julgamento termine na quarta-feira 15. Então, começam os votos dos ministros com Joaquim Barbosa, relator do caso.

Defesa de Bispo Rodrigues alega que 150 mil reais foram usados para pagar cabos eleitorais

Na primeira sustentação do oitavo dia do julgamento do “mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-deputado federal Carlos Alberto Rodrigues (PL), o Bispo Rodrigues, sustentou que os 150 mil reais recebidos eram referentes a pagamento de dívidas eleitorais. Segundo o advogado Bruno Alves de Pereira Mascarenhas Braga, o valor foi destinado a quitar dívidas com cabos eleitorais e materiais de campanha de apoio a Lula no segundo turno das eleições, porque seu candidato à presidência Anthony Garotinho havia ficado no primeiro turno.

A defesa de Rodrigues, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, alegou que o ex-deputado foi procurar o presidente do extinto PL Valdemar Costa Neto para solicitar apoio para pagar os colaboradores da campanha após a eleição de Lula. Segundo o advogado, ele recebeu apenas em dezembro de 2003 um bilhete de Valdemar lhe dizendo para buscar o valor em espécie. “Ele sequer sabia onde ia pegar o dinheiro e depois descobriu que era no Banco Rural em Brasília.”

O advogado destacou que os cabos eleitorais “eram pessoas de comunidades humildes que não podiam receber com cartão ou cheque”. Segundo ele, testemunhas da coordenação do PL no Rio de Janeiro corroboram que os colaboradores foram pagos apenas após o recebimento do dinheiro, quase um ano após as eleições. “Eles só aceitaram receber após as eleições porque o presidente [do PL] tinha alguma credibilidade entre eles”, disse Braga.

A defesa ainda destaca que os valores não tinham relação com as votações na Câmara em favor do governo, por não haver votação relevante em dezembro de 2003 quando o ex-deputado recebeu o dinheiro. “A denúncia diz que a Reforma Tributaria passou pela Câmara em 11 de dezembro de 2003, mas nesta data ela era votada em segundo turno no Senado. Não há senadores entre os denunciados.”

Braga pediu a absolvição de ex-deputado e disse que o PL fazia parte da base do governo com o vice-presidente José Alencar. Por isso, votaria com o governo.

Os principais personagens do ‘mensalão’: