
Gilmar Mendes votou contra o voto da relatora Ellen Gracie, que acatou denúncia contra senador. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia contra o senador João Batista de Jesus Ribeiro (PR-TO), acusado de submeter trabalhadores a regime escravo em uma fazenda no Pará, por sete votos a três, na quinta-feira 23. O senador teria aliciado trabalhadores em Araguaína (TO) para trabalhar na Fazenda Ouro Verde, em Piçarra (PA).
A denúncia foi formulada pela Procuradoria-Geral da República a partir de um inquérito feito em 2004, que constatou a presença de 35 trabalhadores em condições análogas a escravidão. O caso se agrava por conta da presença de menores de idade.
Ao receber o caso, a ministra aposentada Ellen Gracie, que até então era relatora do processo, afirmou que havia indícios de condições precárias de emprego, contração de dívidas e restrição de liberdade. Mesmo assim, o ministro Gilmar Mendes apresentou divergência em relação ao voto da relatora. Mendes apontou ausência de justa causa para a ação. Segundo eles, os trabalhadores não foram proibidos de sair da fazenda e não foram coagidos por pessoas armadas. “Todos podiam exercer o direito de ir e vir”, afirmou. Os ministros Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello também votaram contra o acatamento da denúncia. O julgamento do caso foi interrompido em outubro de 2010 pelo próprio Gilmar Mendes, que pediu vista dos autos.
Leia mais:
Siderúrgicas não poderão mais comprar carvão ilegal
Trabalhadores em situação análoga à escravidão. O local: arredores da Av. Paulista
MPF cobra regularização de siderúrgicas
O ministro Joaquim Barbosa acompanhou o voto da relatora, ao constatar indícios de que os empregados cumpriam jornadas superiores a treze horas diárias. Segundo o jornal Brasil de Fato, em fevereiro de 2004, 35 trabalhadores foram resgatados na Fazenda Ouro Verde. Na época, o Ministério Público, o Ministério do Trabalho e a Polícia Federal aplicaram 25 autos de infração.
Além da contração de dívidas e longas jornadas, as condições precárias de alojamento eram alarmantes. Os quartos não tinham paredes nem piso, sem banheiro, cozinha ou qualquer utensílio doméstico. Os empregados comiam no chão. Segundo o relato, não havia nem mesmo fonte de água potável no local e os trabalhadores matavam a sede com água retirada de um brejo lamacento.
Propriedades que mantêm trabalho escravo serão desapropriadas; Frente Parlamentar da Agropecuária foi contra o projeto por entender que há distorções
Bicheiro diz ter “muito a dizer”, mas que só falará futuramente. Sua defesa, comandada pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, vai tentar anular as investigações
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que mostra adorar transações imobiliárias, entrou em acordo com a BR Petrobras [...]
A democracia, no Brasil, reclama a igualdade em sentido amplo, e particularmente entre negros e o restante da sociedade