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Política

São Paulo

Serra opera

por Celso Marcondes — publicado 24/01/2009 17h10, última modificação 23/08/2010 17h12
Quando vi no telejornal de segunda-feira o governador José Serra lado a lado com o ex-governador Geraldo Alckmin, ambos sorridentes, imaginei que era matéria de arquivo de alguma remota eleição de muitos anos. A tevê estava sem som, precisei pegar o controle remoto para ouvir os fragmentos finais da notícia. Surpresa total. Geraldo estava sendo nomeado super-secretário do governo Serra.

Quando vi no telejornal de segunda-feira o governador José Serra lado a lado com o ex-governador Geraldo Alckmin, ambos sorridentes, imaginei que era matéria de arquivo de alguma remota eleição de muitos anos. A tevê estava sem som, precisei pegar o controle remoto para ouvir os fragmentos finais da notícia. Surpresa total. Geraldo estava sendo nomeado super-secretário do governo Serra.

No dia seguinte, lendo os jornais, ficava evidente o golpe de mestre dado pelo governador paulista. Em silêncio mineiro, mal digeridos os panetones e os perus de Natal, enquanto o mundo discutia a Faixa de Gaza, a posse do Obama e a crise econômica, Serra trazia para sua seara o grande desafeto de 2008. Quando lembrava que há poucos meses o PT discutia a possibilidade de neutralizar o apoio de Geraldo a Gilberto no segundo-turno das eleições paulistas e que em dezembro tinha colega escrevendo que vários partidos assediavam o ex-governador para que mudasse de legenda, a notícia parecia ainda mais inverossímil.

Mas, não. Estavam lá os dois, mostrando os dentes para as câmeras. Fiz um esforço de memória e não consegui lembrar de nenhum artigo, comentário, matéria, nota de rodapé ou de coluna social que tivesse vislumbrado este acontecimento antes. Talvez algum leitor já soubesse de algo, mas eu, confesso, jamais havia imaginado que tal articulação estivesse em andamento.

O PSDB paulista se recompõe, para desespero de Aécio e para muita preocupação no campo petista. Recompõe-se com a benção do DEM e do PMDB quercista, mostrando que Serra está com os dois olhos em 2010, enquanto acompanha o aumento das demissões nas indústrias e as nuvens negras sobre os céus da nossa economia.

Enquanto Dilma faz plástica, Serra opera.

De quebra, Geraldo volta a ser favorito para as eleições paulistas do ano que vem, com muito mais cacife do que teria se fosse para o PMDB, PSB ou PTB. Reina a paz no ninho paulista, regurgitam os tucanos no ninho mineiro. Dizem que a manobra serrista também pode ter o dom de botar areia na perspectiva de prévias para a escolha do candidato do PSDB para presidente. Pode ser. Mas o simples ato de absorver o principal aliado de Aécio no principal colégio eleitoral do País já é suficiente para esquentar a cabeça de muita gente.

Ou foi tudo um sonho meu e o presidente dos Estados Unidos ainda é o Bush?