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Política

Eleições 2010

Serra e Dilma, cabeça a cabeça

por Celso Marcondes — publicado 01/03/2010 19h11, última modificação 18/08/2010 19h15
A Folha de S.Paulo noticiou com alarde na edição deste domingo, 28: “Dilma cresce e já encosta em Serra”.

A Folha de S.Paulo noticiou com alarde na edição deste domingo, 28: “Dilma cresce e já encosta em Serra”. No caderno principal, mais de duas páginas de gráficos e avaliações, um editorial e dois articulistas comentando os resultados da pesquisa Datafolha realizada nos dias 24 e 25 últimos.

O governador paulista tinha 37% das intenções de voto em 18 de dezembro. Agora tem 32%. Dilma tinha 23, pulou para 28%. A diferença entre ambos caiu de 14 para 4 pontos percentuais em pouco mais de dois meses. Ciro e Marina oscilaram dentro da margem de erro, que é de 2%. O deputado estava com 13%, agora tem 12. E Marina manteve seus 8% nas duas pesquisas.

A Folha pareceu perplexa com os resultados, mas os dados apontaram exatamente as mesmas tendências de pesquisas recentes dos institutos Sensus e IBOPE: Serra patina e Dilma cresce consistentemente. Ela já lidera entre os eleitores do Nordeste e cresceu em todas as regiões do País, enquanto que Serra caiu também em todas.

No gráfico com divisão por faixa etária, Dilma cresceu 7 pontos entre os mais jovens e já lidera na faixa entre 45 e 59 anos. Na divisão por renda, Serra ganha fácil entre os mais ricos, cresceu 6 pontos entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, atingindo 44% contra 25 de Dilma. Mas Dilma já empatou entre os mais pobres, com renda inferior a dois salários mínimos.

O clima deve ter esquentado pelos lados da oposição. Afinal, Serra não cresce por que não assume abertamente a candidatura ou Serra não cresce por que não tem como crescer? Aécio como vice faria Serra crescer ou se arriscaria a ir junto para o cadafalso? E o pior dilema: deveria o governador paulista vestir o manto da humildade e preferir disputar a reeleição em São Paulo ou já é tarde demais para esse recuo e ele ficaria com a pecha de fujão?

Há meses que o governador paulista diz, diante da pressão da mídia e de aliados, que sua definição “ficaria para março”. Pois bem, a má notícia para ele é essa: março já chegou. Outra pior ainda: todos os dados indicam que a tendência de Dilma é continuar crescendo.

Tá certo, vale lembrar sempre que “pesquisas são fotografias do momento e que as coisas mudam quando a campanha começa oficialmente e que a única verdadeira pesquisa é aquela das urnas” - é a resposta pronta de quem não está bem na foto do momento. Mas fica a pergunta que não quer calar: é agora, José?

Serra vai jantar com Aécio nesta quarta e depois estará com ele - e talvez também com Ciro, Marina, Dilma e Lula - no palanque do governador mineiro, quando será inaugurada a nova sede do governo de Minas. Conversarão muito, trocarão afagos e cochichos. Pode ser que saia algo novo de lá.

Não muito confiante, Fernando Henrique Cardoso já soltou seu novo balão de ensaio: se Aécio não assumir, o senador Tasso Jereissati poderia sair para vice. Seria a fórmula para entrar mais no Nordeste, reduto lulista, e neutralizar os ataques de Ciro Gomes ao paulista.

Seria?

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