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Serra e Alckmin ajudaram a Alstom no Brasil, indica e-mail

por Redação — publicado 24/10/2013 09h53, última modificação 24/10/2013 12h23
Em mensagem a diretores, o presidente da empresa investigada por cartel recomenda serviços de lobista e cita "histórico de cooperação" com tucanos em SP

“Temos um longo histórico de cooperação com as autoridades do estado”. Assim o então presidente da Alstom no Brasil, o engenheiro José Luiz Alquéres, definiu, em um e-mail de novembro de 2004 enviado a diretores da companhia, a relação da empresa, investigada em um suposto esquema de pagamento de propina a autoridades paulistas, com o governador Geraldo Alckmin e o então recém-eleito prefeito da capital, José Serra, ambos do PSDB.

O e-mail faz parte de uma série de documentos enviados pela Procuradoria da Suíça ao Ministério Público em São Paulo aos quais o jornal O Estado de S.Paulo teve acesso. Nele, o engenheiro manifesta a confiança de que Alckmin e Serra ajudariam a empresa no processo de recuperação da Mafersa, braço da empresa responsável pela fabricação de rodas e eixos para ferrovias. "O novo prefeito recém-eleito participa das negociações que vão nos permitir a reabertura da Mafersa como Alstom Lapa. O atual governador também participa."

Na mensagem, Alquéres "recomenda enfaticamente" os “serviços” do consultor Arthur Gomes Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista e pagador de propinas a servidores de estatais do setor metroferroviário do governo paulista, entre 1998 e 2003, para que a empresa voltasse a ganhar terreno nos contratos com o estado.

A reportagem lembrou que, na época, o departamento esteva perto de encerrar as suas atividades no país. Sempre de acordo com o jornal, ao pedir empenho a seus comandados, Alquéres assinalou a importância de conquistar novos contratos com o Metrô e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).  Dizia contar, para isso, com a ajuda de “amigos políticos do governo”. "O processo está avançando, começo a receber mensagens de parceiros em potencial, e, principalmente, dos amigos políticos do governo que apoiei pessoalmente. A Alstom deve estar presente, como no passado."

Em 2005, informou a reportagem, um consórcio liderado pela Alstom conseguiu parte do objetivo: recebeu 223,5 milhões na venda de 12 trens para a CPTM e passou a ser investigado em uma ação por improbidade movida pelo Ministério Público por "grave irregularidade no sexto aditamento, verdadeira fraude à licitação e desvirtuamento total do contrato inicial". A investigação, segundo o jornal, mostrou aumento de 73,69% no valor da compra.

Os depósitos coincidem com o período em que, segundo a investigação, os supostos beneficiários do acordo, como o ex-diretor de operações e manutenção da CPTM entre 1998 e 2003, João Roberto Zaniboni, receberam dinheiro em contas da Suíça.

Em resposta à reportagem, o governador paulista informou que os contatos com a empresa e o então presidente da multinacional eram “institucionais”, mas não respondeu aos questionamentos sobre a sua eventual participação no processo de incorporação da Mafersa pela Alstom. Serra, por sua vez, disse não se recordar de ter sido procurado por Alquéres. “Nunca tratei com ele como integrante de empresa privada”, disse.