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Serra corre atrás do prejuízo no sul

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 16/08/2010 11h44, última modificação 16/08/2010 11h44
Serra está corrigindo dois erros de sua campanha até agora. O desprezo que revelou aos seus apoiadores fiéis e a pouca importância dada a setores importantes da economia gaúcha

José Serra vem a Porto Alegre neste início de semana. Na sua agenda, nesta segunda-feira, o tucano come um churrasco com a candidata a reeleição, Yeda Crusius, de seu partido. No almoço, no Galpão Crioulo, local tradicional de realização de eventos políticos em Porto Alegre e no Estado, deverão estar presentes todos os partidos do arco de alianças da candidata tucana. Será a primeira vez que Serra privilegia a sua governadora numa visita ao Rio Grande do Sul. Em suas agendas anteriores, o tucano evitou a tucana. Agora, corre atrás do prejuízo.

Serra também vai reunir com o setor coureiro calçadista em Novo Hamburgo, na região do Vale do Sinos e depois, ao final da tarde, fará visita à FIERGS. Simbolicamente, Serra está corrigindo dois erros de sua campanha até agora. O desprezo que revelou aos seus apoiadores fiéis, mantendo distância da governadora Yeda Crusius, e a pouca importância dada a setores importantes da economia gaúcha.

O Vale do Sinos e a região coureiro calçadista hoje é um reduto petista. Os municípios que compõem a região são chamados de Linha Vermelha, ou Caminho das Estrelas, porque todos são governados pelo PT. E Lula, quando passou por Porto Alegre semana passada, só faltou convidar o presidente da FIERGS, Paulo Tigre, para aderir ao seu partido. O presidente disse que Tigre é um “empresário de verdade” e que “é isso o que falta ao Brasil”. Concluiu afirmando que tem com o líder empresarial gaúcho uma relação mais elevada que a que tem com qualquer outro líder empresarial brasileiro.

Dilma dispara no PMDB
- Quando uma campanha vai mal, tudo vai mal. Esse parece ser o caso da campanha tucana. Serra não dá uma dentro. Enquanto ele tratou de distanciar-se de sua candidata no Estado, Dilma tratou de afirmar a candidatura de Tarso Genro. Deu algum tempo para que Fogaça também se decidisse em seu favor, mas quando o peemedebista gaúcho definiu sua “imparcialidade ativa”, tratou de declarar com firmeza o apoio ao candidato Tarso Genro. Dilma mostrou, com gestos e atitudes, que tem lado, enquanto o tucano pautou sua atuação por um certo oportunismo. Só agora, quando Yeda recupera sua credibilidade e cresce nas pesquisas, o candidato José Serra resolveu se aproximar dela.

São fatos como esse que dão base à manifestação do prefeito de Alegrete, Erasmo Guterres Silva, do PMDB, de apoio à candidatura de Dilma Roussef. Num ato de prefeitos de todos partidos em apoio à candidatura de Dilma semana passada, Erasmo disse que 99% dos prefeitos peemedebistas do estado apoiam a candidata do governo e vão acompanhar Michel Temer.

Dilma dispara no PDT - Se no PMDB é esse o quadro, no PDT a situação é ainda muito mais definida. Também no final da semana que passou, o PDT realizou uma atividade com a presença da candidata Dilma Roussef que teve ares de festa de casamento. Organizada nos mínimos detalhes, a presença da ministra Dilma num ato organizado pelo PDT selou o apoio que até então o partido trabalhista vinha dando de forma atabalhoada. O PDT havia definido apoio a sucessora de Lula, mas regionalmente decidiu aliar-se a José Fogaça. Uma condição era que Fogaça viesse a apoiar Dilma. Diante de um PMDB dividido num primeiro momento entre Serra e Dilma, Fogaça acabou ficando em cima do muro. Adotou a “imparcialidade ativa” (talvez para ganhar tempo). Dilma foi ao ato do PDT e deixou claro que tem lado – além de selar a aliança com seus antigos companheiros (Dilma militou no PDT até 2002), apoiou no próprio ato o candidato Tarso Genro, de seu atual partido, o PT. Deixou aberta a porta para receber o apoio de Fogaça, mas deixou claro que vai subir no palanque de quem subir no seu. Mostrou com isso que tem lado e, ao mesmo tempo, respeita a posição do peemedebista.

A consequência deste conjunto de ações políticas é que Dilma deve disparar junto aos prefeitos do PMDB (que dirigem 140 municípios no Estado e são donos dos votos) e também junto ao PDT, que até agora vinha se digladiando em querelas internas.

Está pelada a coruja - Como diria um amigo, está pelada a coruja. A não sewr que ocorra um terremoto na campanha, com os movimentos dos últimos dias, Dilma deve crescer ainda mais no Rio Grande do Sul. A agenda de Serra esta semana deve diminuir o estrago, mas o estrago está feito. Se depender do Rio Grande do Sul, minha convicção é que Dilma está eleita. Talvez não no primeiro turno porque o governo Lula ainda vai colher muitos votos de protesto dados a Marina Silva. Isso, no Rio Grande do Sul, combinado com o crescimento de Dilma e a segurança quanto a sua vitória, tem se manifestado com alguma força no Estado.

Hoje eu diria que Dilma fará 3 votos para cada 2 dados ao tucano. A afirmação é arriscada, mas anotem. E no pampa gaúcho a selvagem Marina Silva deverá colher mais votos do que espera. Anotem também.

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