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Sempre cabe mais um

por Leandro Fortes — publicado 17/11/2011 09h54, última modificação 18/11/2011 09h58
Carlos Lupi, ministro do Trabalho, ainda não foi decapitado, mas a engrenagem das denúncias já mira Mário Negromonte, o titular da pasta de Cidades
Lupi vai ao Planalto dar explicações à Dilma

Desmentido por imagem de vídeo, Lupi permanece no cargo. Nesta quinta-feira 17 o ministro irá à Comissão de Assuntos Sociais do Senado para esclarecer o assunto. Foto: ABR

Refestelado em uma cadeira giratória na primeira fileira de mesas da Comissão  de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, o deputado federal ACM Neto (DEM-BA) bem lembrava o avô, o falecido senador Antonio Carlos Magalhães. Assim como o ACM original, o neto berrava bravatas, lições de moral e apelos à ética para, em seguida, girar o corpo sobre o eixo da cadeira e verificar, sorriso largo no rosto, se os colegas, os jornalistas e os curiosos davam-lhe a merecida audiência. Não era satisfação à toa. Graças ao esforço de ACM Neto, a oposição havia conseguido convocar pela segunda vez o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

O fato de um neto de ACM ser a estrela de um movimento político supostamente voltado para investigar atos de corrupção é por si só um emblema da encruzilhada política na qual o governo Dilma Rousseff se meteu. O sorriso vitorioso de ACM Neto é, no entanto, só uma parte do problema. Lupi é o sexto ministro a subir no patíbulo acossado por denúncias de corrupção. É uma máquina de decapitação cujo funcionamento continua peculiar: enquanto o alvo ocupa o cargo, as denúncias brotam como água em nascente. Mal ele cai, o esforço “investigativo” da mídia e o ímpeto da oposição desaparecem completamente, até que um novo objetivo surja no radar. E os casos anteriores somem na fumaça do esquecimento. O que deram as acusações na Agricultura? E nos Transportes? E o programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte?

Em Brasília, os círculos mais bem informados já sabem quem será o oitavo ministro na berlinda. A queda de Lupi é tida como favas contadas. Seria questão de dias, embora o titular do Trabalho se declare firme no posto e prestigiado pela presidenta (esta, aliás, costuma ser uma senha para a degola. Quando o sujeito se considera dono da cadeira, é justamente o momento em que ele costuma dar adeus à Esplanada dos Ministérios). Assim que o pedetista perder a pasta, as baterias vão mirar o ministro das Cidades, Mário Negromonte, do PP, outro nome herdado do governo anterior. Daí a impaciência de certos colunistas e “formadores de opinião” com a demora na demissão de Lupi.

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