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Política

Eleições 2012

Sem propostas claras, Russomanno vira alvo de adversários e internautas

por Redação Carta Capital — publicado 26/09/2012 12h17, última modificação 26/09/2012 12h22
Projetos genéticos são contestados e levam o líder nas pesquisas a buscar 'credibilidade'
celso russomanno bicicleta

O candidato Celso Russomano. Foto: Divulgaçao

A menos de duas semanas da eleição, o líder nas pesquisas para a prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno (PRB), não tem um programa de governo com propostas claras. Até agora, ele se limitou a fazer um plano com proposições genéricas, divulgado em seu site e depois impresso às pressas. Nele, não há previsão de gastos ou metas específicas. Com o acirramento da disputa, as propostas genéricas viraram alvo de críticas de candidatos e internautas.

Nesta quarta-feira 26, em encontro com o sindicato dos caminhoneiros, Russomanno tentou explicar por que suas propostas não são claras. "Eu tenho uma equipe trabalhando, mas a equipe, por maior que seja, não consegue atender toda a demanda, a cidade é muito grande, tem muitos problemas." Ele havia prometido aos caminhoneiros “bolsões de estacionamento”, mas não sabia precisar a localização e a quantidade deles.

O candidato promete um programa de governo, mas não diz se ele será divulgado antes da eleição. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o candidato do PRB procura um coordenador capaz de conferir credibilidade ao programa. A busca seria uma tentativa de neutralizar as críticas de que vem sofrendo.

Propostas nebulosas

No Facebook, circulam correntes falando da falta de clareza do candidato. “Nos transportes, o sr. promete subsidiar o combustível dos táxis e "alterar" as tarifas. Esse "alterar" é AUMENTAR ou DIMINUIR? Por que o sr. não fala claramente? O sr. está propondo que a população toda subsidie um sistema de transporte de baixíssima capacidade como é o sistema de táxis? Seja mais claro, candidato.”

No debate realizado na segunda-feira 24, Haddad pediu para Russomanno explicar melhor duas de suas propostas. Uma delas é um novo sistema de cobrança de ônibus, segundo a qual a tarifa seria cobrada por “percurso utilizado”. Haddad diz que a proposta privilegia as pessoas de bairros próximos ao centro, onde os empregos estão concentrados, e penaliza quem mora em áreas distantes, geralmente mais pobres. Russomanno disse que a tarifa será de “no máximo três reais” e será controlada “biometricamente”. Não soube, porém, explicar por que o governo deve privilegiar as pessoas que moram em bairros mais ricos.

O candidato tucano à prefeitura, José Serra, também criticou a proposta nesta semana. “O sujeito que fizer isso vai ser enforcado em praça pública, porque vai castigar os mais pobres. É a coisa mais regressiva que eu já vi na vida”.

Outra proposta de Russomanno questionada por Haddad  no debate foi a de aumentar o efetivo da guarda municipal de 6 mil para 20 mil. O candidato do PRB estimou o gasto em 600 milhões de reais. Haddad diz que, dessa forma, Russomanno não terá dinheiro para reajuste dos salários atuais nem terá recursos para “equipar e formar viatura”.

Russomannno também propõe aumentar os salários dos médicos na cidade para 20 mil reais mensais. Ao comentar a proposta, Serra também disse que Russomanno "não tem noção nenhuma" dos problemas de saúde da cidade.