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Venezuela

Saúde de Chávez traz incertezas

por Redação Carta Capital — publicado 01/07/2011 11h15, última modificação 01/07/2011 17h38
Presidente anunciou ter removido um câncer em Cuba

O líder venezuelano Hugo Chávez, envolto em uma série de especulações sobre sua saúde desde que foi submetido a uma cirurgia que retirou um abscesso pélvico no dia 10 de junho, anunciou que retirou um tumor cancerígeno em Cuba.

O presidente revelou que os médicos encontraram células cancerígenas após a primeira intervenção cirúrgica realizada na ilha. O tumor, disse, foi totalmente removido e a operação teria sido bem sucedida. O mandatário não especificou quando ocorreu a segunda operação nem a localização exata do tumor.

Logo após a primeira cirurgia, a base de apoio a Chávez do Parlamento venezuelano autorizou que o presidente governasse o país desde Cuba. A oposição, entretanto, acusa a medida de ser inconstitucional. Os partidos que compõem a Mesa de Unidade Democrática,agrupamento de legendas antichavistas, querem que o presidente transmita o comando do país ao vice-presidente Elias Jaua. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a deputada María Corina Machado defendeu que o vice-presidente comandasse as celebrações pelo bicentenário da independência venezuelana, marcadas para o dia 5 de julho. Ela também disse temer que, frente a impossibilidade do comparecimento de Chávez, a comemoração seja adiada.

Entretanto, o próprio Elias Jaua apareceu em cadeia nacional após o discurso de Chávez e declarou apoio ao mandatário. Ele também conclamou a população a demonstrar solidariedade ao presidente. Manifestantes do PSUV, partido ao qual pertence Chávez, saíram às ruas em bairros de Caracas e gritaram palavras de ordem em defesa do presidente.

Também ao Estado de S. Paulo, o cientista político Oscar Reyes, da Universidade Católica Andrés Bello, afirmou que a ausência de Chávez pode vir a criar fissuras na própria oposição. Caso a saúde do presidente o impeça de concorrer nas presidenciais de 2012, alguns partidos da Mesa de Unidade Democráticas, que tem o antichavismo como principal característica, podem optar por candidaturas próprias, comentou o especialista.

Em relação aos governistas, avalia o El País, fica evidente a inexistência de nomes na política com carisma e popularidade a altura do atual presidente.

Regionalização
Juntamente as especulações acerca do futuro político de Hugo Chávez, a imprensa internacional repercute sobre o futuro dos blocos regionais no continente americano. A Organização dos Estados Latinoamericanos e do Caribe (OELC) tinha uma reunião marcada para a próxima semana na Venezuela, que foi adiada pelo estado de saúde de Chávez. O bloco que mais sofre com uma ausência prolongada do presidente é, por certo, a Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América (ALBA), conforme destaca o jornal El País. A ALBA é um projeto pessoal de Chávez que reúne Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Equador e outros outros quatro países caribenhos.

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