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Ditadura

Romário quer investigação sobre papel de Marin na ditadura

por Redação Carta Capital — publicado 14/03/2013 20h34, última modificação 06/06/2015 18h24
O presidente da CBF fez um duro discurso contra a TV Cultura dias antes da prisão do jornalista Vladimir Herzog

O deputado federal Romário (PSB-RJ), presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, fez nesta quinta-feira 14 um discurso no plenário da Casa no qual pediu investigações parlamentares a respeito do papel do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, na ditadura (1964-1985). Romário quer que a Comissão da Verdade, responsável por apurar abusos ocorridos durante o regime, passe a investigar também os efeitos da ditadura sobre o esporte.

Romário prometeu realizar uma audiência pública conjunta entre a Comissão de Desporto e a Comissão Memória, Verdade e Justiça com o tema “futebol e ditadura”. Ele pediu que a Comissão da Verdade acompanhe a audiência e lembrou que atletas como Afonsinho (colunista de CartaCapital), Nando, Reinaldo, Sócrates e Vladimir sofreram com a repressão. "Marín (...) manteve, naquele período, alguma relação com os órgãos da repressão, como, por exemplo, o DOI-CODI", afirmou Romário. "Será que merecemos ter à frente do nosso esporte mais querido, mais popular, um esporte que orgulha o nosso povo, uma pessoa suspeita de envolvimento, ainda que indireto, com tortura, assassinato e a supressão da democracia?", questionou.

Romário lembrou do "duro pronunciamento contra a TV Cultura" feito pelo então deputado Marin em 9 de outubro de 1975, no qual "exigia que fossem tomadas providências, segundo ele, em nome da 'tranquilidade dos lares paulistanos'”. "Não sei que providências ele tinha em mente. O que sei, e que todos nós sabemos, é que no dia 24 de outubro daquele mês, o diretor de Jornalismo da TV Cultura, Vladimir Herzog, foi convocado para depor no DOI-CODI, e apareceu morto em sua cela, no dia seguinte", afirmou Romário.

O deputado lembrou que o Brasil vai organizar a Copa do Mundo de 2014, que Marin é presidente Comitê Organizador Local (COL) e não teria, segundo Romário, boas relações com a presidenta Dilma Rousseff e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. "Será que, como presidente do COL e da CBF, Marín terá tranquilidade para figurar ao lado da Presidente Dilma e do Ministro Aldo Rebelo na recepção às autoridades estrangeiras?".

Desde terça-feira, Marin vem usando o site oficial da CBF para se defender das acusações. A página inicial do site responsável pelas notícias da seleção brasileira e do futebol brasileiro tem em sua abertura a inscrição "Desmascarando uma falsidade". Ao clicar, o usuário é direcionado para textos em que Marin se defende. "Parece óbvio o intuito de constranger o Sr. José Maria Marin, conturbando as atividades do futebol brasileiro num momento de notória importância e delicadeza, quando se avizinha a realização, no Brasil, da Copa Mundial de 2014", diz o texto. Segundo Marin, integrantes da imprensa estariam, de "ânimo criminoso", empenhados na "desmoralização de pessoas de bem, para satisfazer maus instintos, entretendo-se em atirar, em quem os mira de cima, a lama em que chafurdam esses delinquentes".

No pronunciamento desta quinta, Romário disse acreditar que "Marin não tem o direito de chamar de 'delinquentes' aqueles que simplesmente buscam a transparência e a verdade".

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