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Rio Grande do Sul: 100 dias de Tarso no governo

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 12/04/2011 16h38, última modificação 13/04/2011 11h03
Em seus primeiros 100 dias, Tarso Genro desenvolveu uma agenda de pacificação do Estado e estabelecimento de sua hegemonia num ritmo que tem deixado os adversários estonteados. Por Paulo Cezar da Rosa
Rio Grande do Sul: 100 dias de Tarso no governo

Em seus primeiros 100 dias, Tarso Genro desenvolveu uma agenda de pacificação do Estado e estabelecimento de sua hegemonia num ritmo que tem deixado os adversários estonteados. Por Paulo Cezar da Rosa. Foto: Wilson Dias/ABr

O governo Tarso Genro tem pressa. Na pesquisa encomendada pelo Grupo RBS sobre os 100 dias do novo governo gaúcho, divulgada no último domingo 10 Tarso Genro obteve 80% de aprovação para sua maneira de governar. Seu governo teve nota 6,9%, a mesma da presidenta Dilma Rousseff, e 79% dos gaúchos disseram que confiam em Tarso. O ritmo acelerado das ações políticas, imposto pelo novo governador, explica boa parte dos números de aprovação no Ibope.

Quando perguntados sobre se este início de governo está sendo melhor, igual ou pior do que esperavam, 43% dos entrevistados responderam melhor, 46% igual e apenas 5% pior. Ou seja, os primeiros 100 dias do governo Tarso Genro estão sendo surpreendentemente positivos para mais de 40% dos gaúchos.

Cauteloso, o governador veio a público dizer que espera que estes números diminuam no próximo período. Tarso avalia que a opinião favorável se deve à vitória no primeiro turno e também, é claro, às ações empreendidas. Mas diz que se chegar ao final de seu mandato “com aprovação de 60%”, já se dá por satisfeito.

Acelera Rio Grande

O ritmo acelerado da iniciativas políticas – uma característica pessoal do governador – parece ser a razão de boa parte desta aprovação. Em seus primeiros 100 dias, Tarso Genro desenvolveu uma agenda de pacificação do Estado e estabelecimento de sua hegemonia num ritmo que tem deixado os adversários estonteados. Até oponentes tradicionais do PT no Rio Grande do Sul, como os presidentes da Farsul, Carlos Speroto, e da Federasul, José Paulo Cairoli, vieram a público elogiar o novo governo.

Entre as medidas adotadas, estão a busca do diálogo com adversários históricos (mas civilizados), assim como o enfrentamento a setores intransigentes, como o representado por estratos dos arrozeiros gaúchos, um dos esteios da Farsul. Diante de um empresariado “concentrador de renda”, Tarso aprovou um aumento de 11,6% para o salário mínimo regional, o maior desde que foi criado em 2001, sinalizando o desejo de retomar um desenvolvimento “espraiado”, como diria o ex-governador Olívio Dutra.

À esquerda, o governo Tarso também mostrou-se ágil nos primeiros 100 dias. Atendeu reivindicações históricas do CPERS e deu início à política de pagamento do piso salarial nacional ao professorado gaúcho. Os professores, que ameaçavam complicar Tarso, em assembleia neste último dia 08, aprovaram todas as propostas apresentadas pelo governo.

De forma reiterada, o governo gaúcho vem reafirmando o compromisso de cumprir com o piso nacional ao longo dos quatro anos de mandato. A repercussão da medida nas finanças públicas é dramática e assusta particularmente os defensores da diminuição do Estado. Estes veem no pagamento de salários maiores aos professores um signo do “inchamento” da máquina pública e da “remuneração da ineficiência”. Preferem a educação pública de baixa qualidade ou a ausência de educação pública, até porque seus filhos estudam em escolas privadas mesmo.

Além de tudo isso, Tarso, em seus primeiros 100 dias, tem demonstrado ter entendido que, em tempos de Big Brother, Twitter e Facebook, não basta governar. É preciso representar o governo. É essencial estar presente nos momentos chaves, particularmente nos momentos de crise, e twittar pro seguidor saber. Quando duas dezenas de gaúchos morreram num acidente de ônibus, Tarso mostrou presteza e solidariedade com as famílias das vítimas. O mesmo quando uma enchente devastou São Lourenço do Sul, cidade da qual seu vice, Beto Grill, já foi prefeito.

Contraste inevitável

Se em nível nacional, a mídia tradicional procura as diferenças de Dilma com Lula (para tentar desgastar o ex-presidente), no Rio Grande do Sul ninguém até agora fez qualquer comparação entre Tarso e Yeda. Mas este também é um dos fatores que explicam os números elevados de Tarso.

Talvez, de fato, nem seja possível fazer uma comparação. O Rio Grande do Sul saiu de seu  inferno astral e parece estar hoje às portas do paraíso. O eleitor gaúcho se deu conta de que, quando colocou Yeda no poder, fez uma enorme bobagem.  O sentimento de alívio por ter superado Yeda é visível por onde se passe no Estado. E isso também fortalece Tarso Genro.

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