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Repórteres sem Fronteiras condena desaparecimento de jornalistas na Líbia

por Repórteres Sem Fronteiras — publicado 17/03/2011 18h00, última modificação 17/03/2011 18h47
A caça aos jornalistas estrangeiros continua: The New York Times não tem notícias de quatro deles. Do Repórteres sem Fronteiras

A caça aos jornalistas estrangeiros continua: The New York Times não tem notícias de quatro deles

O Repórteres sem Fronteiras expressa sua profunda preocupação pelo desaparecimento de quatro jornalistas do The New York Times, no dia 15 de março de 2011, quando se encontravam realizando uma reportagem na cidade portuária de Ajdabiya, na Líbia.

Na quarta-feira 16, o The New York Times informou por meio de sua página na internet que desde a terça-feira não tem notícias de quatro de seus jornalistas: Anthony Shadid, responsável pelo escritório do jornal em Beirut e duas vezes ganhador do prêmio Pulitzer na categoria Informação Internacional; Stephen Farrell, repórter e cinegrafista sequestrado pelos talebãs em 2009 e libertado por tropas britânicas; Tyler Hicks e Lynsey Addario, ambos fotógrafos. O diário assegura estar em contato com as autoridades líbias e espera sua liberação.

“O desaparecimento dos quatro jornalistas do The New York Times se inscreve em um clima de ódio e violência contra a imprensa, mantido e estimulado pelo regime do coronel Gadafi. Recentemente, em um discurso público, Muamar Gadafi chamou as televisões estrangeiras de “cachorros vira-lata”. Ainda, o Ministro de Assuntos Exteriores declarou que os profissionais de informação que entrem “ilegalmente na Líbia” serão considerados cúmplices da Al Qaeda. As recentes prisões de jornalistas e a violência que vários deles padeceram tendem a mostrar que o regime cumpre suas ameaças e faz todo o possível para que sua contra-ofensiva para combater os insurgentes se desenvolva a portas fechadas”, declarou a organização.

O Repórteres sem Fronteiras também recorda que o cinegrafista da rede de televisão Al-Jazeera, Ali Hassan Al-Jaber, foi assassinado em uma emboscada no sábado, 12 de março de 2011, nas imediações da cidade de Bengasi, ao lesto do país.

Três jornalistas da BBC viveram um verdadeiro calvário durante 21 horas quando foram detidos pelas forças governamentais, nos dias 7 e 8 de março. O jornalista brasileiro Andrei Netto, enviado especial na Líbia do jornal O Estado de S. Paulo, foi preso pelas autoridades líbias, do dia 2 a 11 de março, por ter entrado ilegalmente no país.

Por fim, o Repórteres sem Fronteiras expressa seu alívio pela libertação de Ghaith Abdul-Ahad, jornalista iraquiano que trabalha para o The Guardian, preso no mesmo dia que Andrei Netto. No dia 16 de março o jornal britânico confirmou que o jornalista foi libertado e deixou o país.

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