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Rondônia

Reitor da universidade federal renuncia

por Redação Carta Capital — publicado 23/11/2011 13h06, última modificação 23/11/2011 13h12
José Januário de Oliveira Amaral pediu afastamento após denúncias de envolvimento em irregularidades e desvios de recursos na Fundação Rio Madeira, ligada à instituição

O reitor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), José Januário de Oliveira Amaral, renunciou ao cargo nesta quarta-feira 23, após denúncias de seu envolvimento em irregularidades e desvios de recursos na Fundação Rio Madeira (Riomar), que serve de apoio a Unir.

O professor entregou o pedido ao ministro da Educação, Fernando Haddad, que enviará o documento ao Palácio do Planalto por se tratar de um cargo de provimento. Segundo nota do site do Ministério da Educação, a exoneração de Amaral deve ser publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União.

“Januário Amaral tomou a decisão de renunciar ao constatar a falta de condições para conduzir a universidade, em razão da série de denúncias”, diz o comunicado. Na próxima semana, o reitor deve formalizar a renúncia ao Conselho Universitário da Unir.

Segundo o MEC, desde 24 de outubro de 2011 uma comissão de auditoria da Secretaria de Educação Superior (Sesu) trabalha com representantes do ministério e da Controladoria-Geral da União (CGU) para averiguar e auditar as contas da Riomar e da Unir. O prazo final para os auditores entregarem o relatório vence nesta quinta-feira 24, mas o grupo pediu um prazo extra de dez dias para a conclusão, diz o ministério.

O Ministério Público Estadual de Rondônia já havia investigado as irregularidades na Riomar durante a Operação Magnífico, que apontou a existência de "organização criminosa" supostamente responsável por desvio de verba e utilização de laranjas, entre outros crimes.

O ministério também indicou outra comissão para verificar as condições de funcionamento da universidade e determinou à Sesu que acompanhe o processo de substituição do reitor.

Situação tensa

A reportagem de CartaCapital já havia denunciado no início de novembro a situação na Unir, que enfrenta uma greve de professores há mais de dois meses. Na época, os docentes afirmaram ter que comprar equipamentos básicos para lecionar e disputar com colegas salas de aula. Além disso, no pátio da instituição há diversas carteiras empilhadas e obras inacabadas.

Professores e estudantes também criticaram a reação desproporcional da polícia às manifestações contra o reitor e pela melhoria das condições da universidade. O professor de história Valdir Aparecido de Sousa chegou a ser preso em 21 de outubro (Veja o vídeo AQUI),  outro docente sofreu um atentado com uma pedra e dois alunos que distribuíam panfletos contra Amaral também foram detidos.

Na quarta-feira 16, um bilhete foi deixado em vários locais da universidade, contendo ameaças a professores e alunos. Ao menos três docentes receberam o aviso em suas caixas de documentos. A mensagem é clara: “Não adianta contar vitória antes do tempo. Muita água ainda pode rolar… Segue alguns nomes que podem descer na enchente do rio” (sic).