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Política

Andante Mosso

Reinado de Momo I

por Mauricio Dias publicado 25/02/2012 08h15, última modificação 25/02/2012 08h15
Na coluna desta semana, Mauricio Dias fala sobre o anúncio, de Sérgio Cabral, de que queria ver os bicheiros fora do Carnaval carioca e sobre as previsões para a Lei Ficha Limpa, entre outros temas
cabral

Na expansão do Metrô rumo à Barra da Tijuca a Praça Nossa Senhora da Paz será destruída, para desespero dos cariocas. Mas o governador do Rio não está nem aí

Reinado de Momo I
O governador Sérgio Cabral surpreendeu os bicheiros controladores do principal espetáculo carioca ao anunciar que queria vê-los fora do desfile das escolas de samba.

Não por coincidência, pela terceira vez em quase 50 anos os bicheiros ficaram de fora
do carnaval carioca.

Isso ocorreu pela primeira vez, de forma arbitrária, após o golpe militar de 1964. Posteriormente, em 1993, após a histórica sentença da juíza Denise Frossard, que mandou 14 chefões da cúpula do bicho para a cadeia.

Agora, viram o carnaval pela televisão. Alguns deles na cadeia.

Reinado de Momo II
Parece que vai chegando ao fim a influência do bicho no carnaval carioca.

No reinado de Momo há uma relação promíscua entre o poder público e marginais que, além
da contravenção do jogo do bicho, são acusados de matar adversários, enviar dinheiro ilegalmente para o exterior e promover as máquinas caça-níqueis.

Reinado de Momo III
Além da polícia e dos promotores, o profissionalismo vai afastar os bicheiros do carnaval, onde eles fazem uma maquiagem da marginalidade em que vivem.

Este ano, o Ministério Público marcou em cima e, então, foi criado um programa chamado Viradão do Momo, por meio do qual a prefeitura repassou cerca de 1 milhão para cada escola.

A iniciativa privada passou a ser fonte de sustentação dos desfiles. Às vezes, o patrocínio cobra um preço mortal.

Foi o que aconteceu, este ano, com a Escola de Samba Porto da Pedra, que montou um enredo em homenagem ao iogurte.

Barbárie
Um filme curto, em circulação na internet, mostra a reação selvagem ao trabalho de um repórter e um cinegrafista da Globo, encarregados de registrar o movimento grevista dos bombeiros cariocas.

Cabisbaixos e assustados eles foram obrigados a deixar o local.

A cena vergonhosa é um sucesso no mundo sem lei da blogosfera. Os agressores, no entanto, deveriam ser identificados. Se forem da corporação, presos e expulsos.

Monotemático
Há previsões de que a Lei da Ficha Limpa transformará a vida pregressa dos candidatos em tema principal das eleições municipais de outubro.

O moralismo ocuparia o lugar da discussão de ideias e livraria os concorrentes do compromisso de apresentar programas e propostas aos eleitores.

Seria um golpe silencioso e profundo na despolitização da competição.

Requiescat in pace
A Procuradoria-Geral da República, comandada por Roberto Gurgel, não dá sinais sobre a apuração, solicitada pela Procuradoria-Geral da Justiça Militar, sobre as irregularidades no Instituto Militar de Engenharia (IME).

Relatório do Tribunal de Contas envolve o nome do general Enzo Peri, comandante do Exército.

Uma suposição: o avantajado Gurgel, por descuido, pode ter sentado em cima do processo
e matado o assunto.

Causa e efeito
Advogados e funcionários dizem, nos corredores do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, que aumentou o acúmulo e a demora nos julgamentos dos processos.

Atribuem isso ao “chá de sumiço” tomado pelo desembargador Luiz Sveiter, presidente do tribunal. Isso seria efeito provocado pelo oficial de Justiça que ronda o local para que Sveiter assine uma representação contra ele existente no Conselho Nacional de Justiça.

Prefeitoral
Derrotado na eleição de 2010, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) dedica-se a fiscalizar os movimentos políticos e administrativos de Eduardo Paes (PMDB), sucessor dele na prefeitura do Rio.

É claro que a Maia, adversário político, interessa desgastar Paes, que parece ter a
reeleição garantida, em outubro.

Suprimidos os excessos, a vigilância do ex denunciou no blog o que parecem ser, em princípio, apenas dois pecadilhos do atual.

Maia revelou a requisição do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi para trabalhar no gabinete do prefeito como assessor especial, com salário de quase 9 mil reais mensais. Lupi, presidente Nacional do PDT, é funcionário municipal. Talvez, desde os tempos de Brizola. Ele apoia a reeleição de Paes. A requisição foi cancelada.

No carnaval, Paes voltou a atravessar o samba. Fez rasgados e surpreendentes elogios ao empresário Luiz Calainho pela atuação na direção de uma escola de samba. Segundo Maia,
Calainho é dono da L21 Participações e recebeu quase 3 milhões de reais para organizar os bailes oficiais da cidade.

Desce o pano.

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