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Reforma política, a indigesta macarronada

por Fernando Vives — publicado 12/11/2011 11h08, última modificação 12/11/2011 11h08
Discussão de intelectuais sobre o tema relembra o quanto vai ser difícil a mudança no sistema das eleições brasileiras

“Uma vez, há muito tempo, eu disse a Ulisses Guimarães que estava preocupado com o nível dos parlamentares no Congresso Nacional. E ele me respondeu: ‘Você não viu nada ainda, aguarde’”. Essa frase, citada por Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e conselheiro editorial da CartaCapital, resume parte dos motivos de o Brasil precisar de uma ampla reforma política. Belluzzo a citou durante o encontro Caminhos Estruturais, organizado pelo Fórum de Líderes Empresariais, em São Paulo, na sexta-feira (11), organizado para discutir o tema.

Belluzzo debateu sugestões para a reforma ao lado do empresário Ricardo Young, candidato a senador pelo PV na eleição passada, e do sociólogo Luiz Felipe D´Ávila, diretor-presidente do CLP (Centro e Liderança Pública). O economista ressalta a necessidade de fazê-la em um momento em que, ao seu ver, a política mundial gera insatisfações múltiplas em vários países do mundo. “Quem tem poder, vai usá-lo, e a política tem ficado cada vez mais refém da economia, sobretudo a financeira. A política foi capturada pelo sistema financeiro, então deixa de responder pelos anseios da população. O (movimento) Occupy Wall Street surgiu daí”, diz.

A discussão sobre a reforma política no Brasil existe há vários anos e segue empurrada com a barriga na Câmara dos Deputados. A partir dela seria modificada parte da estrutura de governança e, consequemente, das eleições brasileiras. O projeto que está para ser discutido tem aproximadamente 200 emendas de parlamentares. Ou seja: virou um monstro do Doutor Frankenstein. “Nestes moldes, nunca vamos aprovar uma reforma política neste País”, diz Luiz Felipe D´Ávila.

Ricardo Young, que era aliado à Marina Silva e que recentemente se filiou ao PPS, criticou em especial o formato do horário eleitoral gratuito na tevê. “É ridículo que se distribua o tempo de tevê pelo tamanho da bancada na Câmara Federal. Tem candidato com um minuto pra falar e outro com dez, e ambos disputam a mesma vaga. Nas eleições majoritárias, não pode haver diferença de tempo”.

O ex-candidato a senador também ressalta o alto gasto que os políticos têm em campanha eleitoral. “Além do atual formato anti-democrático, os candidatos correrem atrás de muito dinheiro para fazer filmes de qualidade Globo no horário eleitoral, e não debateres as propostas. E para isso precisam de muito mais dinheiro que precisariam”, afirma.

Young conclui revelando certa descrença na reforma política. “É um imbróglio, uma macarronada das mais indigestas. São mais de 200 emendas que o Congresso não vai votar”. Pelo andar da carruagem, o empresário segue com a razão: o projeto deveria ter sido debatido na Câmara dos Deputados na quarta-feira (9). Foi adiado novamente.

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