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Política

Conflito

Rebelião trabalhista

por Redação Carta Capital — publicado 25/03/2011 09h56, última modificação 25/03/2011 13h52
O MPF abre inquérito para investigar condições dos operários da Usina de Jirau, em Rondônia.

O Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar as denúncias de maus-tratos e possíveis violações aos direitos humanos contra operários do canteiro da Usina de Jirau, em Porto Velho (RO). Desde a quinta 17, após o tumulto que destruiu dezenas de veículos e incendiou 70% dos alojamentos, os trabalhadores relataram sofrer com ameaças e agressões físicas praticadas por funcionários contratados pela Camargo Corrêa. A empreiteira afirma desconhecer a prática de tais abusos.
A rebelião paralisou as obras da usina, localizada no Rio Madeira, e que terá capacidade instalada de 3.450 megawatts (MW). Os 22 mil operários de Jirau exigem reajuste salarial de 15%, aumento no valor da cesta básica, planos de saúde mais abrangentes e o direito de folgar por dez dias para visitar familiares a cada dois meses. Atualmente, a folga é de cinco dias e o intervalo é de quatro meses entre uma permissão e outra.
As reivindicações são semelhantes às dos 15 mil trabalhadores do canteiro da Usina de Santo Antônio, também localizada no Rio Madeira, e com capacidade de geração prevista de 3.150 MW. Os operários também promoveram paralisações. Mas, de acordo com o consórcio responsável pela obra, liderado pela Odebrecht, não houve rebelião e as manifestações ocorreram “de forma organizada e com absoluta tranquilidade”.

Enquanto os olhares estão voltados para Jirau e Santo Antônio, outra obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Pernambuco, está parada há um mês, os funcionários em greve. Ao todo, são mais de 34 mil trabalhadores nos canteiros da Refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica do Suape, uma obra orçada em mais de 15 bilhões de reais.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) media a negociação. Até agora foram atendidas 11 das 13 reivindicações. Os operários ainda exigem pagamento de 100% das horas extras no sábado (atualmente recebem apenas 70%) e o aumento do vale-alimentação de 80 para 160 reais mensais. Segundo o MPT, caso os trabalhadores não sejam ouvidos, novas revoltas podem acontecer, o que não é bom para a segurança dos operários e nem para as empresas. As obras atrasadas também preocupam o governo.

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