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Política

Conflitos no campo

Maranhão: Quilombolas ocupam Incra em protesto contra violência de latifundiários

por Gabriel Bonis publicado 10/06/2011 19h28, última modificação 10/06/2011 23h39
Grupo com representantes de 40 comunidades do estado, que fizeram greve de fome para conseguir reunião com a ministra de Direitos Humanos, agora teme atentados ao deixar o prédio

A violência e as ameaças de morte feitas por latifundiários contra populações quilombolas no Maranhão levaram representantes de 40 comunidades do estado a ocuparem, desde quarta-feira 3, a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Luís. Entre os participantes do protesto, 14 iniciaram uma greve de fome há dois dias para conseguir uma audiência com a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes – já agendada para 22 de junho, também com a presença da ministra da Promoção da Igualdade Social, Luiza Barros, e o presidente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda -, na qual vão pedir mais segurança para seus líderes e território.

Os manifestantes também acusam a superintendência maranhense do Incra e o Tribunal de Justiça de não agirem para solucionar os 170 conflitos de terra locais, segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Além disso, afirmam que o governo do estado é omisso quanto à questão fundiária para proteger o latifundiário.
O vácuo de poder na região permite que parte dos latifundiários maranhenses domine territórios de comunidades quilombolas e imponham suas próprias leis a essa população, segundo o padre Inaldo Cerejo, coordenador da CPT no Maranhão. “Eles proíbem [latifundiários] a construção de casas de alvenaria, construção de roças, o acesso aos lagos e campos naturais com a presença de jagunços”, conta, a CartaCapital, por telefone.

O padre também denuncia que as comunidades quilombolas estão sendo pressionadas a deixarem suas terras por causa do avanço de culturas de soja, cana e eucalipto, inclusive com a ação de pistoleiros. Em maio, o vice-presidente do Quilombo do Charco, na cidade de São Vicente Ferrer, Almirandi Madeira, sofreu um atentado em uma comunidade onde vive um outro líder comunitário sob a proteção do governo. “Esse caso demonstra a expressão da violência dos latifundiários, nem a presença da Força Nacional na comunidade os intimida”, diz e completa: “Um dos acusados de ser o mandante do assassinato de um quilombola no ano passado declarou publicamente que ainda havia dez para morrer, entre eles uma antropóloga do Incra”.

Essa situação preocupa os manifestantes que permanecem no prédio do Incra, mesmo após o acordo com a ministra, por temerem retaliações de pistoleiros ao deixar o local e em suas comunidades. “Os seguranças do Incra informaram que alguns indivíduos pediram informações sobre os integrantes do protesto, queriam saber se estávamos armados, sendo que um deles se passou por policial. Por isso, estamos negociando uma escolta”.

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