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Política

Andrew Jennings

'Quero ver Teixeira na cadeia'

por Redação Carta Capital — publicado 26/10/2011 15h53, última modificação 26/10/2011 15h53
No Senado, jornalista britânico que denunciou corrupção na Fifa chama presidente da CBF de "vergonha ao Brasil"

O jornalista investigativo Andrew Jennings, autor do livro Jogo Sujo - O Mundo Secreto da Fifa (Panda Books, 351 págs., R$ 49,90), que denuncia um suposto esquema de corrupção na Federação Internacional de Futebol (Fifa) envolvendo o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, disse à emissora de tevê ESPN Brasil que quer ver o cartola na cadeia. O britânico participou como convidado da Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado nesta quarta-feira 26.

O jornalista da rede britânica de rádio e televisão BBC afirma que Teixeira teria recebido nos anos 1990 cerca de 9,5 milhões de dólares e João Havelange, ex-presidente da Fifa, 1 milhão de dólares de propina via uma empresa de Liechtenstein. A companhia seria parceira da ISL, firma ligada à entidade máxima do futebol e responsável pelo marketing esportivo e negociações de transmissões de jogos na televisão. A companhia faliu em 2001.

Na audiência, Jennings apontou que a dupla brasileira foi investigada pelo governo suíço e Teixeira teria admitido os pagamentos irregulares. No entanto, a Fifa, segundo o jornalista, conseguiu embargar na Justiça da Suíça a divulgação do documento. "Blatter insulta a todos ao dizer que o relatório é legalmente muito complexo. Coloque o documento na internet agora, pois temos advogados que podem nos ajudar a compreendê-lo", disse.

Blatter, tentando limpar a imagem da Fifa, afirmou na última semana a intenção de abrir o caso ISL e "deixar esse assunto para trás e seguir em frente." A análise dos documentos deve ser feita por um organismo independente a partir de dezembro.

Jennings ainda declarou que o documento contêm cerca de 45 páginas com confissões assinadas pelos brasileiros e Blatter, alegando saber do caso. O esquema também envolveria outros dirigentes da instituição.

Para o britânico, a atuação de Teixeira é "uma vergonha para o Brasil" e o País precisa passar uma imagem de competência na organização do mundial.  “Queremos ver o samba e uma celebração do País que, em 20 anos, saiu de uma ditadura para uma democracia, com imprensa livre. Se vocês querem o respeito do mundo, no interesse da reputação de seu país, entreguem a organização a honestos burocratas brasileiros."

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