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Política

Eleições 2010

Quem sai na frente na corrida presidencial?

por Celso Marcondes — publicado 19/08/2009 16h01, última modificação 19/08/2010 16h02
Depois de ter deixado o Partido dos Trabalhadores, a senadora Marina Silva deve anunciar sua filiação ao Partido Verde em evento festivo neste dia 30, em São Paulo.

Depois de ter deixado o Partido dos Trabalhadores, a senadora Marina Silva deve anunciar sua filiação ao Partido Verde em evento festivo neste dia 30, em São Paulo. Junto com ela deverão estar alguns dos seus mais próximo colaboradores. O acordo que ela construiu implica também num processo que chamam de “refundação do PV”, que passaria, entre outros atos, pela ocupação de espaços na direção do partido pela equipe de Marina. Dado este passo, a campanha eleitoral da senadora à presidência da República começará a tomar corpo.

Também cresceu muito a possibilidade do deputado Ciro Gomes  sair para a disputa, sepultando, ao menos por ora, a hipótese de concorrer ao governo de São Paulo. O encontro que ele teve recentemente com o presidente Lula, junto com a cúpula do seu partido, o PSB, acabou trazendo mais luz para este caminho. O presidente ouviu – dizem que sem estrilar – a posição de Ciro, que defendeu como melhor caminho a apresentação de mais de um candidato no campo da situação. Até então, todas as fichas do governo estavam jogadas para garantir uma disputa reduzida entre o candidato do PSDB, mais provavelmente o governador José Serra, e a ministra Dilma Rousseff.

A pesquisa do Instituto Datafolha divulgada dia 16 acabou colocando mais lenha nesta fogueira. Ela aponta que Dilma parou de subir e que Ciro atinge o mesmo patamar de intenções de votos da ministra, enquanto que Serra mantém a liderança com certa folga. Ou seja, até aqui não há clareza sobre qual seria o candidato mais forte da base governista.

Para embaralhar ainda mais o jogo, assistimos ao desfecho – se é que um dia se poderá usar esta palavra – da crise envolvendo o senador José Sarney. Inocentá-lo na Comissão de Ética da Casa gerou uma maior aproximação entre PT e PMDB, crescendo a possibilidade da aliança de ambos em torno de Dilma. Mas também contrariou um sentimento mais forte da opinião pública, que veria com melhores olhos a decisão de punir Sarney. Por este ângulo, teria se acentuado a imagem negativa que a população tem do Congresso, com razoáveis danos colaterais para o PT. Este teria se desgastado mais que os outros, em função dos votos de seus (envergonhados) senadores favoráveis a Sarney – seguindo decisão da cúpula partidária. Além das defecções dos senadores Marina Silva e Flávio Arns e com a sinuca de bico em que se viu metido o senador Aloizio Mercadante.

O PT selou ali sua aposta na defesa incondicional da dita “governabilidade”, colando-se,mais do que nunca, ao PMDB, que, se o quadro não mudar de novo, deve bancar o vice de Dilma. Também evidenciou a crença do partido de que os bons ventos da economia nacional e a popularidade do presidente Lula são condições necessárias e suficientes para garantir a indicação da sucessora no ano que vem. Neste sentido, pelo menos um deputado do partido chegou a afirmar que o desfraldar da bandeira da “’ética” seria secundário no embate eleitoral e que não motivaria a sociedade no ano que vem.

Por esta visão, num debate restrito entre PSDB/DEM e PT/PMDB – Serra X Dilma – os possíveis passivos de ambos no quesito “comprometimento com o combate à corrupção” se equivaleriam. Em campanha, o roto e o esfarrapado prefeririam sair deste tema (“de pouco interesse para o povão”) e os governistas sairiam ganhando quando se confrontassem números, resultados e popularidades das últimas gestões de Lula e FHC.

A novidade é que o debate não será mais restrito aos dois times. Não haverá mais “final antecipada”, mas pelo menos um quadrangular inicial.

Acabou a modorra dos últimos pleitos presidenciais.