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'Quem pôs o Marconi lá fomos nós', diz Cachoeira

por Redação Carta Capital — publicado 27/04/2012 12h06, última modificação 27/04/2012 14h46
Em gravação, Cachoeira reclama de distribuição de verba de publicidade do Detran de Goiás e reivindica dinheiro para seu jornal pois "lutou" para Perillo vencer as eleições

A situação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), um dos alvos da CPI que investigará os negócios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, continua se complicando. De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, uma gravação feita pela Polícia Federal em março do ano passado mostra um diálogo entre Cachoeira e um auxiliar de Perillo no qual o bicheiro reivindica recursos para um de seus veículos de comunicação e usa como justificativa o fato de ter "lutado" para colocar "Marconi lá", uma referência ao governo de Goiás.

Segundo a reportagem, a gravação da PF foi feita em 2 de março e mostra uma conversa entre Cachoeira e Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Detran de Goiás. Os dois conversam sobre uma verba de R$ 1,6 milhão que o Detran usaria para fazer publicidade em veículos de comunicação. Cachoeira se irrita ao descobrir que um jornal de oposição a Perillo, de Anápolis, cidade no interior do Estado, receberia mais que o Canal 5 de Anápolis. O dono do Canal 5 e do jornal O Estado de Goiás é Carlos Nogueira, o Butina, um laranja de Cachoeira de acordo com a PF.

"O jornal 'O Anápolis' vai ganhar do Detran? Aquele jornal foi contra o Marconi o tempo inteiro. O Butina falou que viu (o documento) na mão do cara (do governo)", diz Cachoeira. Edivaldo Cardoso rebate, afirmando que deu "atenção especial" ao jornal de Cachoeira e que pediu para incluir seu jornal no reparte das verbas. É neste momento, segundo a PF, que Cachoeira fica indignado e cobra o auxílio que teria dado à campanha de Marconi Perillo. "O nosso tem que ser muito mais. Quem lutou e pôs o Marconi lá fomos nós!", diz Cachoeira. Ainda segundo a reportagem, Edivaldo concorda com Cachoeira, diz que "não se justifica" repassar verba para o jornal de Anápolis, mas é novamente cobrado pelo bicheiro. "Parceiro só para conversa, não tem jeito. Você tem que nos mostrar em números", diz.

Defesa

As novas gravações devem prejudicar ainda mais a imagem do governador, pois mostram a proximidade de Cachoeira com seus auxiliares. No início do escândalo, a chefe de gabinete de Perillo pediu demissão do cargo depois que interceptações da PF mostraram que ela, após receber alerta de Cachoeira, avisou um prefeito aliado do governador sobre uma operação policial. Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, advogado de Perillo, afirmou que não vai comentar trechos da investigação divulgados esporadicamente. A defesa de Perillo trabalha com a possibilidade de anular as gravações e interceptações feitas pela Polícia Federal sob a alegação de que foram obtidas de forma ilegal.

Na quinta-feira, o advogado de Perillo entrou com um pedido de investigação contra seu próprio cliente na Procuradoria-Geral da República. Segundo ele, é uma forma de tentar mostrar que a imagem de Perillo "está sendo deturpada".