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Política

Fim do reinado

Queda de Teixeira repercute mundo afora

por Redação Carta Capital — publicado 12/03/2012 18h49, última modificação 06/06/2015 18h22
Desafetos foram à forra: para Romário, um 'câncer' foi exterminado e Andrew Jennings, que investigou a Fifa, diz que Blatter é o próximo a cair
Ricardo Teixeira

Ricardo Teixeira, sem moral com governo e autoridades, em evento de julho. Foto: Wilton Junior/AE

A notícia da renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF correu o mundo. Em poucas horas, autoridades e formadores de opinião correram para a internet no intuito de comentar a novidade.

Foi a brecha para que muitos dos desafetos colecionados por Teixeira irem à forra. Um deles, o agora deputado federal Romário (PSB-RJ), não conteve a empolgação nem as palavras: “Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Finalmente, Ricardo Teixeira renunciou a presidência da CBF. Espero que o novo presidente, João [sic] Maria Marin, o que furtou a medalha do jogador do Corinthians na Copa São Paulo de Juniores, não faça daquele ato uma constante na Confederação. Senão, teremos que exterminar a AIDS também.”

A relação entre eles estava estremecida desde que o cartola afirmou que o grande atleta de sua geração à frente da CBF havia sido o atacante Ronaldo.

O jornalista da BBC Andrew Jennings, que investigou a Fifa no livro Jogo Sujo, disse no Twitter: “Havelange em dezembro, Teixeira hoje, Blatter em breve. Foi um grande trabalho e agradeço a minhas fontes anônimas.”

Juca Kfouri, jornalista que mais recebeu processos movidos pelo dirigente, postou em seu blog que “o Sargento Garcia prendeu o Zorro”. Ele disse também que o país tem o que comemorar e que a decisão vai permitir “se pensar em uma Copa do Mundo mais transparente, numa óbvia vitória do governo Dilma Rousseff.”

“Sobre o futebol é preciso repetir que o problema é estrutural e que quem entra na CBF não muda nada, é troca de seis por meia dúzia, e ainda mais velha”, completou, em seu blog no UOL.

 

O anuncio também repercutiu no exterior. O site da BBC News destaca a queda do “chefe” do futebol brasileiro sob a alegação de problemas de saúde e também pela pressão por suspeitas de corrupção.

Em 2001, aponta a rede britânica, que Teixeira foi investigado pelo Congresso brasileiro por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, mas nunca foi condenado pelas acusações.

O diário espanhol El País define o ex-dirigente como o “o homem forte” do futebol brasileiro que deixou seu cargo “arrastado por uma série de derrotas e fortes acusações de corrupção.”

Para o jornal, Teixeira se converteu no personagem mais visível do futebol brasileiro em 1989, tendo vencido duas Copas do Mundo (1994 e 2002), cinco Copa das Confederações e cinco Copa América.

A saída, diz, era esperada a qualquer momento porque sua “situação havia ficado muito difícil”, além da tensão entre o governo de Dilma Rousseff e a Fifa.

O esportivo espanhol Marca destacou que o Teixeira enfrentava críticas por sua gestão e denuncias de corrupção na organização do mundial de 2014. Por isso, estaria há meses em uma situação difícil.

O argentino Olé traz uma matéria com o título “Adeus Teixeira”, a apontar que o dirigente renunciou pressionado por corrupção. “A FIFA, como nunca, preocupada pelo próximo mundial”, escreveu o jornal.

O Clarín, também da Argentina, ressalta as acusações de corrupção e os supostos subornos no final dos anos 1990 envolvendo a Fifa, além da suspeita de superfaturamento na partida amistosa entre Brasil e Portugal em 2008, como os principais motivos pela queda.

O diário britânico The Guardian destacou apenas a renúncia por problemas de saúde.

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