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Eleições 2010

PV definirá seu apoio dia 17

por Celso Marcondes — publicado 06/10/2010 17h08, última modificação 07/10/2010 16h18
Convenção do partido reunirá 90 delegados em São Paulo. O mais provável é o apoio a José Serra
PV definirá seu apoio dia 17

Convenção do partido reunirá 90 delegados em São Paulo. O mais provável é o apoio a José Serra. Por Celso Marcondes. Foto: Thays Cabet

Em entrevista coletiva, João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina Silva, Alfredo Sirkis, presidente do PV carioca e José Luiz Penna, presidente nacional do partido, anunciaram nesta quarta-feira 6 a realização de uma convenção nacional para definir a posição do partido no próximo dia 17, em São Paulo.

Farão parte dela 90 delegados: 40 membros da Executiva Nacional, 15 indicados pelos comitês de campanha de Marina, os 15 deputados federais e os candidatos ao Senado e aos governos de Estado.

Os dirigentes verdes já anunciaram que a decisão final do evento não precisa ser implementada necessariamente pelos militantes, ao possibilitar a cada um o direito de, depois do evento, emitir sua opinião individual, desde que não use de materiais ou fóruns do partido.

A convenção será precedida por uma consulta a representantes da sociedade civil apoiadores de Marina e aos seus comitês. Também será encaminhada às coordenações de Dilma e Serra uma proposta de plataforma para incorporarem em seus programas.

Sirkis afirmou que serão discutidas três posições possíveis: apoio a um ou outro candidato e a ”não participação” no processo. Ele fez questão de dizer que essa posição não seria equivalente a uma “neutralidade”.

O dirigente carioca também disse aos jornalistas que o eventual apoio a um dos candidatos não significaria uma contradição com a campanha de Marina, pautada pela defesa de uma terceira via e pelas críticas a Dilma e Serra. Ele disse: "Não é só no Brasil. Internacionalmente também buscamos alianças no campo da social-democracia e são dois campos da social-democracia”. E completou afirmando que a escolha de um lado “não causaria estranheza”. Para argumentar, lembrou: “Marina reconheceu publicamente os avanços dos 16 anos da social-democracia, tanto do governo FHC quanto do governo Lula.".

Os dirigentes fugiram do assunto quando foram inquiridos se teriam cargos no governo a ser eleito: “discussão de governo é posterior ao segundo turno, Somos políticos, não futurólogos” afirmou Sirkis.

Comentário: vai dar Serra

Conhecendo os nomes de alguns dos componentes da convenção do PV, os seus respectivos históricos e a força que têm internamente, é fácil prever: há enormes possibilidades de ser definido o apoio a José Serra. A participação de outros representantes não será significativa o suficiente para derrotar uma posição já assumida por José Luiz Penna, Fernando Gabeira, Fabio Feldmann, Luiz Bassuma, Eduardo Jorge, entre outros.

São poucos os diretórios verdes com alguma proximidade com o PT, basicamente os do Maranhão e do Acre.

Também fortalece essa avaliação uma interpretação das respostas evasivas dadas pelos dirigentes partidários e descritas acima. Já disseram: para eles não haveria incoerência na defesa de um dos lados. Ao analista, porém, salta aos olhos, a contradição entre pautar uma campanha pelo combate ao “plebiscito” e se curvar diante dele meses depois.

Como também é revelador fugir da pergunta e deixar aberta a possibilidade para a negociação de cargos num futuro governo não verde. Como se sabe, na política tradicional - rechaçada por Marina – costuma-se oferecer ministérios em troca de apoios (na Folha de S. Paulo de hoje já se especula com a eventual oferta tucana de 4 cadeiras aos verdes).

A esperança dos petistas repousa na eventual neutralidade de Marina, que é o que de fato importa - o PV sem ela tem mínima representatividade. O espaço deixado hoje pelos dirigentes verdes para que posições individuais sejam liberadas para difusão depois da convenção atende à expectativa de Marina. Foi a fórmula encontrada para não explodir desde já a contradição que tomou conta do PV hoje.

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