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Região Metropolitana

PT tenta repetir desempenho de 2008 no 'cinturão vermelho'

por Redação Carta Capital — publicado 05/10/2012 12h37, última modificação 05/10/2012 13h00
'Mensalão' sepultou as chances de um novo mandato em Osasco, mas o partido segue favorito em 4 grandes cidades
carreata Osasco

Carreata em apoio a Jorge Lapas, em Osasco: saída de João Paulo Cunha dificultou os planos do PT numa das principais cidades do País. Foto: Divulgação/Campanha

O “cinturão vermelho”, conjunto de municípios administrados pelo PT na região metropolitana de São Paulo, berço da legenda, sofreu um duro golpe na campanha eleitoral de 2012. A condenação no Supremo Tribunal Federal do petista João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara acusado de beneficiar Marcos Valério em um contrato de publicidade, praticamente sepultou os planos da legenda de conseguir um terceiro mandato consecutivo em Osasco, um dos mais importantes municípios do estado.

O ex-deputado teve de renunciar e ceder lugar ao vice Jorge Lapas. Até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escalado para salvar a campanha e manter assim o partido no comando da cidade onde o atual prefeito, Emídio de Souza (PT), tem alto índice de aprovação popular. Ainda assim, o escândalo envolvendo o candidato petista à sucessão abriu caminho para que o ex-prefeito Celso Giglio despontasse como favorito para levar o PSDB de volta à prefeitura. Pelas projeções, Lapas figura apenas na terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto, o que selaria a principal derrota petista em seu reduto.

A outra derrota foi desenhada antes mesmo da votação. Em São Caetano do Sul, uma das mais ricas cidades do País, o partido chegou à reta final da campanha sem seu candidato a prefeito – o que comprometeu, por consequência, a eleição dos candidatos a vereador pelo partido. O postulante, Edgar Nóbrega, deixou a disputa após estrelar um vídeo em que supostamente negociava o apoio petista ao prefeito José Auricchio Júnior (PTB) em troca de dinheiro. Na filmagem, Nóbrega conversa com o secretário de Governo da prefeitura, Tite Campanella (DEM).

Osasco e São Caetano se tornaram assim exemplos de como o PT enfrenta dificuldades para repetir na região o desempenho de 2008, quando conquistou seis das 11 principais cidades da região, que concentram 5,6 milhões de habitantes: Carapicuíba, Guarulhos, Mauá, Osasco, São Bernardo e Diadema.

Dessas, a situação mais tranquila é a de São Bernardo do Campo, berço de Luiz Inácio Lula da Silva, que novamente se engajou para eleger o seu ex-ministro Luiz Marinho. Sem um terceiro forte nome na disputa, Marinho é o favorito para vencer logo no primeiro turno o candidato do PPS, Alex Manente.

Em Carapicuíba, o prefeito petista Sérgio Ribeiro deve seguir o mesmo caminho. A uma semana da eleição, ele somava mais de 50% das intenções de voto, contra cerca de 20% do segundo colocado, Marcos Neves (PSB).

Em Diadema, a situação também parece tranquila para o atual prefeito, Mário Reali, que tem o dobro das intenções de voto do principal adversário, Lauro Michels (PV).

Em Guarulhos, a segunda maior cidade do estado, a disputa é mais apertada, mas o prefeito petista Sebastião Almeida ainda é o favorito para bater o tucano Carlos Roberto.

Em Mauá, porém, o partido tem sofrido dificuldades para fazer o sucessor de Oswaldo Dias (PT). O candidato da legenda, Donisete Braga, aparece nas pesquisas com cerca de dez pontos percentuais a menos do que a peemedebista Vanessa Damo.

Em Santo André, o candidato petista Carlos Grana desponta como segundo colocado, atrás do prefeito Aidan Ravin (PTB), favorito para a reeleição. A disputa, a uma semana da votação, permanecia em aberto.

Menos chances tem o candidato Marco Soares (PT) em Mogi das Cruzes, onde Marco Bertaiolli (PSD) é o franco favorito para se eleger no primeiro turno com mais de 70% dos votos.

O partido tem ainda candidatos em outras duas das mais populosas cidades da região, Barueri e Itaquaquecetuba, mas nenhuma pesquisa conseguiu captar os cenários das disputas. Nas duas localidades, os partidos dos atuais prefeitos, Rubens Furlan (PMDB) e Armando da Farmácia (PR), têm candidatos à sucessão e podem garantir mais quatro anos no poder.