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Política

Manifestações de junho

PT precisa de “renovação profunda”, diz Lula

por Redação — publicado 16/07/2013 17h17, última modificação 16/07/2013 17h21
Em artigo, ex-presidente afirma que os protestos realizados no país "são resultado de sucessos sociais, econômicos e políticos"
Heinrich Aikawa / Instituto Lula
Lula e Michel Temer

O ex-presidente Lula em recente encontro com o vice-presidente Michel Temer. A reforma política vai ser discutida no Congresso

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira 16 que, diante das manifestações realizadas em junho em todo o Brasil, seu partido, o PT, precisa passar por uma “profunda renovação” para dialogar com os jovens e os movimentos sociais e lidar com os novos desafios pelos quais passa o Brasil.

Em artigo publicado no jornal The New York Times (confira a íntegra, em inglês), Lula afirmou que os protestos de junho são, “em grande parte, resultado de sucessos sociais, econômicos e políticos”. No texto, Lula relembra as conquistas sociais de seu governo e diz “é completamente natural’ que os jovens, “especialmente aqueles que estão obtendo coisas que seus pais nunca tiveram, desejem mais”.

Segundo Lula, esses jovens não têm memórias da repressão das décadas de 1960 e 1970, da inflação dos anos 1980 e da estagnação e desemprego dos anos 1990. Assim, diz ele, desejam melhor qualidade dos serviços públicos, mais lazer e atividades culturais e, “acima de tudo, instituições políticas que sejam mais limpas e mais transparentes, sem distorções do anacrônico sistema eleitoral e político do Brasil”.

Lula faz então uma defesa da democracia, da necessidade de os partidos políticos existirem e serem protagonistas no debate, mas reconhece que a democracia não se faz apenas nas eleições. As pessoas “desejam ser ouvidas”, diz Lula, e isso cria “enormes desafios para líderes políticos”. “Mesmo o Partido dos Trabalhadores, que eu ajudei a fundar e que contribuiu tanto para modernizar e democratizar a política no Brasil, precisa de profunda renovação. [O PT] precisa recuperar seus vínculos com os movimentos sociais e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer as duas coisas sem tratar os jovens de forma paternalista”.