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Política

Isolamento

PT hesita em manifestar apoio público a ministro

por Redação Carta Capital — publicado 02/06/2011 12h21, última modificação 02/06/2011 19h50
Enquanto o partido evita divulgar nota em defesa do chefe da Casa Civil, líder petista na Câmara dos Deputados afirma que "talvez seja a hora de Palocci falar"

Fragilizado desde a revelação de sua evolução patrimonial, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, terá nesta quinta-feira 2 uma nova demonstração de seu isolamento político.

Reunida em Brasília, a Executiva Nacional do PT, seu partido, descartou na véspera a hipótese de manifestação em apoio de Palocci. Questionado sobre a hipótese de divulgação de nota em favor do ministro, o presidente do PT, deputado Rui Falcão, disse que o caso não está na pauta do partido.

"O governo tem tratado de forma adequada o caso. Ele [Palocci] também. Não cabe ao PT se manifestar sobre isso."

Secretário de Comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR), endossa o argumento de que "essa não é uma questão partidária".

Segundo o secretário-geral do PT, Eloi Pietá, "os fatos importantes da política, e a questão do ministro Palocci é um deles, serão abordados" na análise de conjuntura. Mas não há qualquer texto preparado sobre o assunto.

A omissão do partido é apontada entre petistas como um mau sinal para Palocci. Petistas reclamam do crescimento de patrimônio de Palocci, que, segundo revelou a Folha, foi multiplicado por 20 em quatro anos.

Ainda segundo Pietá, a montagem de outros pontos a serem debatidos na reunião será: reforma política (com a presença de nossos líderes na Câmara e Senado, e do relator da Comissão de Reforma Política na Câmara), reforma do Estatuto do PT, encaminhamentos relacionados às eleições de 2012.

Presidente do PT de São Paulo, o deputado estadual Edinho Silva chamou de equívoco o "PT fazer coro com a oposição". "O PT tem de sair da defensiva. Se Palocci não fosse importante para o governo Dilma, não seria tão atacado."

Hora de falar

Enquanto o PT busca a melhor maneira de reagir às suspeitas, lideranças no Congresso começam a dar sinais de que, no momento, a melhor saída seria se o ministro viesse a público se manifestar. Líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) avalia que “talvez seja a hora de Palocci falar”.

A oposição quer que Palocci explique na Câmara as atividades de consultoria que prestou enquanto ainda era deputado, entre 2006 e 2010. Para Teixeira, o ministro não deve mais justificativas, mas se beneficiaria se viesse a público tratar do assunto. "Ele já tem dado as explicações necessárias à Procuradoria Geral da República", argumenta.

A avaliação do líder petista não é isolada entre os governistas. Na quarta-feira 1º, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), também declarou que Palocci deve se explicar publicamente, mas avaliou que seria melhor esperar um posicionamento da Procuradoria.

Logo na manhã desta quarta, a oposição conseguiu aprovar a convocação de Palocci na Comissão de Agricultura. Mais tarde, os governistas apresentaram uma questão de ordem e o presidente Marco Maia suspendeu a convocação até a próxima terça 7, quando tomará uma decisão definitiva.

Para Teixeira, a convocação foi "um atropelo ao regimento". Os governistas afirmam que não foram respeitadas as orientações de bancada. “A minoria combinou um roteiro, eles combinaram que não precisava se preocupar com a votação nominal e, em sete segundos, encerrou-se a discussão.”

Na avaliação do líder do PT, "a corrente de forças não é favorável à convocação de Palocci na Câmara". A situação é mais tensa, porém, no Senado, onde alguns aliados do PMDB ameaçam apoiar a criação de uma CPI para investigar o ministro da Casa Civil.

*Reportagem de Sergio Lirio e Cynara Menezes

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