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Política

Eleições 2010

PSDB agora pede investigação sobre Instituto Sensus

por Celso Marcondes — publicado 21/04/2010 18h53, última modificação 17/08/2010 18h58
Em novo round da guerra das pesquisas, tucanos querem que Ministério Público investigue pesquisa que deu empate entre Serra e Dilma

Em novo round da guerra das pesquisas, tucanos querem que Ministério Público investigue pesquisa que deu empate entre Serra e Dilma

CartaCapital, em sua edição impressa que está nas bancas, publicou matéria de capa sobre a guerra que foi deflagrada entre os institutos de pesquisa depois que o Folha de S.Paulo, dona do Datafolha, tomou a iniciativa de questionar os resultados de levantamento do concorrente Instituto Sensus divulgado dia 13 último (leia ao lado a íntegra da matéria).

Logo após a publicação da matéria da Folha, o PSDB entrou com representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral questionando a pesquisa, que apontava empate técnico no primeiro lugar entre José Serra e Dilma Rousseff.

Acatada a representação, o partido enviou seus representantes ao Instituto, que num primeiro momento divulgaram parecer reconhecendo a exatidão dos dados da pesquisa. (leia o laudo do representante do PSDB Fabrizio Tavoni).

Entretanto, nesta terça-feira 19 o PSDB resolveu aumentar a ofensiva sobre o Instituto. Seus advogados entrarão com uma notícia-crime contra o Sensus junto ao Ministério Público. Afirmam que a pesquisa foi fraudulenta e acusam o Instituto de obstruir a fiscalização do partido e divulgar dados irregulares.
A questão passa assim para a esfera penal e torna os donos do Sensus, que negam as irregularidades, passíveis de penas que vão da multa até a detenção de seis meses a um ano.

A polêmica deve agora chegar ao seu auge. Ao investir contra um instituto que até aqui era respeitado pelos partidos e analistas políticos, o PSDB coloca combustível numa fogueira que pode se alastrar colocando em questão a tradição brasileira de dar grande consideração às sondagens eleitorais.

Faltando meses para as eleições, as pesquisas servem e interessam apenas aos que vivem 24 horas por dia o mundo da política, influenciando a produção de alianças e o lançamento de candidaturas. Entretanto, o que sempre se viu às vésperas dos pleitos nacionais é que os derradeiros resultados das pesquisas, divulgadas à exaustão pela televisão, influenciam sim uma parte do eleitorado, permeável ao apelo fácil do voto no favorito.

Uma das discrepâncias assinaladas pelos advogados tucanos na pesquisa Sensus foi a divergência entre os dados informados pelo instituto ao TSE e aqueles constatados pela investigação do PSDB. Segundo o que o partido relatou à Folha de S.Paulo, “essa discrepância se concentrou no percentual de entrevistados dentro da menor faixa de renda - aqueles que ganham até um salário mínimo. Nos dados passados ao TSE, esses entrevistados representariam 6% do total. No entanto, o PSDB afirma que o valor verificado na fiscalização é 17,7%”.

Entretanto, o jornalista Luis Nassif, que tem acompanhado de perto o assunto, lembra que “na pesquisa de 30 de março, a Folha informou o TSE que usaria uma amostragem similar ao do censo do IBGE. O que apresentou, de fato? Ensino fundamental: o IBGE identifica 55,2% da população acima de 16 anos nessa faixa. A pesquisa Datafolha usou o peso de 45,4%. Ensino médio: 31,6% do IBGE contra 40,9% do Datafolha”.

Como se vê por este exemplo, a tendência agora é que todos os telhados de vidro sejam expostos. O PSDB ao mirar sobre o que viu – um resultado que lhe pareceu indigesto numa determinada pesquisa – pode acertar onde não viu.

Para entender mais a polêmica, leia: 

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