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Amigo de FHC

Congresso quer cassar medalha de Fujimori

por Matheus Pichonelli publicado 16/06/2011 07h00, última modificação 16/06/2011 11h35
A relatoria da proposta será do deputado Protógenes Queiroz, que pretende pedir urgência na tramitação. "É uma desmoralização", diz parlamentar

Relator de um projeto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que prevê a anulação da homenagem feita em 1999 pelo Brasil ao então presidente peruano Alberto Fujimori, com a entrega da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais importante comenda brasileira, o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) vai pedir urgência para a apreciação da proposta pelos colegas na Casa.

Fujimori, hoje preso e acusado de violar direitos humanos e de desviar recursos públicos, foi condecorado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. A homenagem, segundo Protógenes, é “ruim para a imagem do País”.

“É uma desmoralização dar esta honraria a esta pessoa. Isso compromete a imagem do País. A concessão dessa outorga a um criminoso contraria os princípios do Estado democrático de Direito, da Justiça, da cidadania, da dignidade da pessoa humana. Os desvios foram praticados em uma nação que estava empobrecida, com violação dos direitos humanos. Depois ele fugiu, foi preso, mas por pouco não elegeu sua filha (Keiko Fujimori, derrotada por Omanta Humala na corrida presidêncial há duas semanas).”

A entrega da comenda aconteceu em Lima, durante viagem oficial realizada pelo ex-presidente. Embora se refira à condecoração como um erro praticado pelo País, o ex-delegado afirma que a cassação da homenagem não deverá causar constrangimento ao ex-presidente tucano, nem à bancada do PSDB. “Não acho que deve ter essa reação. Era um outro momento político, e o Fernando Henrique defendeu o que aquele momento determinava: ter uma boa relação com os países vizinhos, co-irmãos, como a Argentina, a Bolívia, o Equador. Ato semelhante foi feito na América Latina. O Fernando Henrique não errou. Ele atendeu o que ditava o relacionamento internacional.”

Segundo Protógenes, a cassação da homenagem, que será ainda apreciada pelo plenário da Câmara após análise da CCJ, é um ato simbólico que deve ser tomado o quanto antes num momento em que a Presidência da República é ocupada por alguém que também foi vítima de violência durante o regime militar. “A presidenta Dilma Rousseff também foi vítima do terror, de tortura, de atos violentos”, lembra.

A proposta já foi aprovada no Senado. Na Câmara, já foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores, com parecer favorável do então relator Paulo Delgado (PT-MG).

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