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Política

Espanhóis vão às urnas

Protestos continuam, e socialistas sofrem derrota histórica

por Redação Carta Capital — publicado 22/05/2011 21h00, última modificação 06/06/2015 18h16
PSOE, do presidente José Luis Rodrígues Zapatero, recebeu um recado das urnas a cerca de nove meses das eleições gerais e vê avanço de conservadores
Protestos na Espanha

Jovem ergue cartaz em protestos que antecederam eleições, em Madri. Foto: Marta Maeso

Em meio a , o Partido Socialista do Trabalhador Espanhol (PSOE), do presidente José Luis Rodrígues Zapatero, recebeu um recado das urnas neste domingo 22, quando os espanhóis votaram nas eleições regionais, que determinam os governos das comunidades autônomas e dos municípios. A menos de nove meses das eleições gerais, e com 100% das urnas apuradas, os conservadores do Partido Popular (PP) bateram os atuais governistas com 37,5% dos votos, contra 27,8% do PSOE.

A distância entre conservadores e socialistas é quase duas vezes maior do que a registrada em 1995, quando José María Aznar despontava como líder da legenda e o PP conseguia sua maior vitória. Nas eleições municipais de 2011, o PSOE só conseguiu bater os adversários em Asturias.

Permanece incerto qual o real efeito dos protestos na Puerta del Sol e em outras cidades da Espanha. Uma das bandeiras do movimento era a abstenção nas regionais, que não surtiu efeito. A participação, revela o jornal El País, manteve-se estável, com abstenção de 33,7%. Votos brancos e nulos ficaram em 2,55% e 1,69%. Entre os motivos que levaram a população, sobretudo os jovens, às ruas, está o nível de desemprego no país, hoje calculado em cinco milhões de pessoas, cerca de 20% da população.

Nas regiões autônomas, as maiores derrotas dos socialistas aconteceram em Extremadura e Castilla e La Mancha, duas comunidades que nunca foram governadas por outra legenda. No âmbito municipal, o PSOE perdeu as estratégicas prefeituras de Sevilha e de Barcelona.

Antes do anúncio oficial dos resultados, o presidente Zapatero já admitia a derrota, mas rejeitou a possibilidade de adiantar as eleições presidenciais ou suspender as primárias socialistas. Ele disse ter esperança de que as reformas econômicas encaminhadas por seu governo consolidem um “processo de recuperação” do país.

País Basco

As eleições regionais deste domingo 22 também marcaram a estreia da Bildu, coalizão de partidos acusados de ligação com o grupo pró-independência basco ETA. A Bildu fora autorizada a concorrer pelo Tribunal Constitucional e tornou-se a segunda força política do país basco, com força para governar sozinha em 74 municípios. A lista das cidades em que essa coalizão pode tentar formar governo é muito maior.

A vitória da Bildu é um indicativo de que o sentimento pró-independência mantém sua força no país, sobretudo em tempos de crise. Por outro lado, também aponta para uma retirada definitiva das ações violentas do ETA na região, ideia defendida pelo próprio porta-voz da Bildu, Pello Urizar.

Protestos continuam

Os manifestantes que estão concentrados na Puerta del Sol de Madri decidiram neste domingo 22 manter os protestos por ao menos mais uma semana. A decisão de ampliar a permanência é para articular melhor o movimento e tentar alcançar seus objetivos de provocar uma mudança social na Espanha.

Os jovens sugeriram estabelecer turnos para não esgotarem suas forças, caso a mobilização se prolongue demais. Outra opção seria descentralizar o movimento pelos bairros da cidade, para outros municípios e pela internet, como anunciaram os organizadores.

O cronograma foi acordado em uma assembleia geral após os pedidos públicos de diferentes comissões e grupos de trabalho.

Não existe ainda consenso sobre os rumos do movimento. Alguns defendem a permanência por tempo indeterminado na praça, outros sugerem estendê-la para bairros e municípios, outros se concentraram na Puerta del Sol todos os fins de semana. A maioria concorda em transferir o debate de forma coordenada para a internet.

A assembleia ocorre enquanto milhares de cidadãos do chamado movimento 15-M continuavam neste domingo mobilizados e acampados em diversas praças da Espanha, em um dia em que ocorrem no país eleições municipais e autônomas.

As mobilizações começaram em 15 de maio na Puerta del Sol de Madri e no centro de outras cidades espanholas.

Os milhares de jovens e simpatizantes do movimento 15-M pedem, entre outras exigências, uma reforma política, a regeneração da democracia e uma mudança do sistema econômico que conduziu à grave crise econômica a qual vive a Espanha.

Com informações do site

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