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Sócio Capital

Propostas? Não, obrigado

por Coluna do Leitor — publicado 25/10/2010 08h57, última modificação 25/10/2010 08h57
Rodrigo Cerqueira, nosso leitor, chega a seguinte constatação sobre a campanha eleitoral: entre a bolinha de papel e o mini-rolo de fita adesiva, estamos órfãos

Rodrigo Cerqueira*

Ao fim do Jornal Nacional, o pai vira-se para o filho e diz: “acabaram com a raça do nosso partido”. O filho, um tanto revoltado, esbraveja: “Seu partido”. Um pensa em votar em Dilma só pela campanha tucana; outro está indeciso, pende para Serra, pelos mais variados motivos. A mãe poderia aparecer no fim da cena dizendo que não votava nem em um nem no outro, e que achava aquilo tudo chato demais, que queria mesmo era assistir a novela.

A campanha chega ao ponto crítico e a uma triste constatação: entre a bolinha de papel e o mini-rolo de fita adesiva, estamos órfãos.
Dilma prega o continuísmo pelo continuísmo, não é crítica ao governo que defende como deveria ser; Serra, ressurgido das cinzas do primeiro turno, inunda o eleitorado de propostas descabidas e mensagens religiosas. Primeiro foi a quebra do sigilo fiscal; seguimos com o sim ou não do aborto; passamos pela verdade e a justiça divina contra o diabo travestido de assassina de criancinhas, o embate entre telefones (o país do orelhão contra o país do celular), e, agora, chegamos ao tamanho do artefato repousando na careca do velho tucano. Lula é contra a imprensa, Serra privatizará a Petrobrás; Dilma é terrorista, Mônica Serra é a indústria do medo em corpo e alma de mulher; foi Dilma quem deixou Erenice fazer a festa; foi Serra quem permitiu que Paulo Preto retirasse a parte do bolo que lhe convinha.
E nós?
Assistimos a todos os embates e denúncias como a uma novela; animamo-nos com suas reviravoltas, tramas, coadjuvantes e protagonistas no olho do furacão. Rimos da cara de Serra (ou Zé?) ao afirmar que ele é “a verdade e a justiça”; rimos da cara de Lula que, ao ordenar a morte – com requintes de crueldade – do DEM, tomou uma virada digna do todo poderoso timão, amado e idolatrado por nosso líder.
E se a nós assistíssemos?
Se à frente da TV (jornais, revistas ou portais de Internet) houvesse um espelho, enxergaríamos um sorriso. Escancarado, mas com um quê, um mero quê de cansaço. Os lábios talvez se fechassem um pouco e do riso iríamos ao siso: os próximos quatro anos entre panfletos religiosos e bolinhas de papel (para isso são feitos?)
Só embate, nada de debate.
Propostas para o Brasil? Pra quê?
Obrigado, não precisamos.

* Professor

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