O Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada
Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas.
Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”.
Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua.
Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta?
Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.
Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília
Adorei o artigo. Presidenta sim! Machismo está por fora.
Vou chamá-la sempre de Prsidente Dilma e não presidenta porque a granmática não registra esta forma PRESIDENTA, pelo menos as mais abalizadas em língua portuguesa que tem um padrão normativo que não foi feito pelo autor do brilhante artigo a fim de agradar a atual ocupante temporária da Presidencia do Brasil que embora sendo feminino da denominação é um cargo que foi inventado para homens e sendo raro a ocupação por mulheres.Presidente ficaria até mais apropriado a nossa Chefe do Executivo ou deveria eu dizer CHEFA???O dentista, a dentista, o presidente, a presidente, o chefe, a chefa???
Sr. Alexandre,
eu aprendi na escola que existe a palavra “presidenta”, muito antes de o Lula ter se tornado presidente. Não dá para culpar o Lula por tudo…
Combater preconceito com preconceito? É isso, Bagno, a sua ideia de vanguarda?Li muitos livros do Professor Marcos Bagno. E aprendi muito sobre a evolução da língua. E acredito ter evoluído muito como ser humano. Não me esqueço dos grandes ensinamentos da humana e fantástica Professora Irene em “A língua de Eulália”. Bagno, é claro que possivelmente você não lerá esses comentários, embora devesse. Você demonstrou neste “artigo”(?) tão preconceito quanto tantos normativistas que você tanto critica. Não se podem levar em conta questões partidárias, meu caro. O que você falou do Serra? Isso não é preconceito? O que houve com você? Foi picado pela “mosca azul”? Mas vá lá, argumentemos: Será então que os homens profissionais do transporte deverão requerer o termo “motoristo” em vez de “motorista”; será que Mário Quintana já quis ser chamado de “poeto”? São perguntas retóricas, meu caro. Não há a necessidade de respondê-las, embora devesse fazê-lo. Ainda assim, um abraço!
Quanta ignorância!!! Tantos BRASILEIROS que esquecem da sua identidade e cultuam uma gramática abstrata que só serve para difundir cada vez mais o preconceito social, uma vez que a elite utiliza a língua para discriminar o outro. Para os ignorantes que aparecem por aqui, Marcos Bagno é um dos maiores linguístas de todos os tempos, com inúmeros livros publicados e anos de pesquisa. Enfim, para criticá-lo a pessoa deve ter, no mínimo, um conhecimento similar ao seu.
Isso mesmo, Luís. A língua é dinâmica. Como Doutora, daqui alguns anos você não se assustará com estudanta. Raízes patriarcais estão ameaçadas…Você está desocupado com isso…DEIXE O MUNDO GIRAR
Presidente – pessoa que preside
Presidenta – mulher que preside
Qual das duas é a forma preconceituosa, mesmo??
Pra mim, quem inventou o termo presidenta, seja em que lugar do mundo for, quis dizer bem claramente: “ela pode ser presidenta mas nunca vai chegar a presidente”.
Vou citar Bagno em seu livro “Nada na língua é por acaso”:
“Por isso, para a inevitável pergunta – “É certo ou errado falar assim?” – respondemos: TANTO FAZ!!! Tanto faz dizer “tinha uma pedra no caminho” ou “havia uma pedra no caminho”! Tanto faz dizer “me chamo João” ou “chamo-me João”! Tanto faz dizer “não se faz mais filmes como antigamente” ou “não se fazem mais filmes como antigamente”! Tanto faz! Tanto faz! Tanto faz!” (p. 159)
Por essa e por outras discussões mais complexas do que essa presentes no referido livro, prefiro o Bagno do livro.
Texto preconceituoso, deselegante, mal argumentado. Realmente não parece um professor doutor em linguistica. O triste é que quem cunhou o termo “presidenta” no idioma português foi o nosso ex-presidente, que foi 239 vezes para o Chile e 540 para a Argentina. Não aprendeu o idioma Espanhol, mas ouvia eles falando “presidenta”, se referindo à ex-presidente Bachelet e Cristina Kirchner, e assim o adotou. Se ele ficasse mais 4 anos no governo certamente iria importar o “mais grande”, “mais pequeno” e outros.
Alguns justificam o presidenta dizendo que a mandatária gosta de ser chamada assim. Ela pode até gostar, mas nunca vai poder obrigar ninguém a chamá-la assim, sendo que presidente Dilma é correto, aceito e sempre foi usado. E resumindo, que fala a presidente Dilma é de direita e quem fala presidenta é de esquerda, é uma marcação de território.
Excelente texto!
E o pior é que depois de ler esse texto, ainda tem gente que não “se tocou”
Ela deve ser chamada de presidentA, exceto por dinossauros chauvinistas do tipo Sarney, “que sempre adotam a forma francesa”. Eu voto Sarney para presidente do Senado… da França! E como imortal da Academia Francesa de Letras. Qualquer coisa que mantenha ele a um oceano de distância. Acho que ele e o Sarkozy se dariam bem, têm muita afinidade. E quem sentir falta que o acompanhe.
Então a FSP não pode conhecer os seus leitores e prever uma reação (óbvia) mas o professor pode prever sem hesitar que a “grande mídia” atenderia a qualquer desejo linguístico de uma presidentx tucana. Dois pesos e duas medidas, pode, né?
Não é à toa que a cada dia esta revista perde o crédito, e me envergonha um professor da universidade em que estudei usar a “grife” do seu emprego público para assinar um discurso tão descaradamente ideológico e tão pouco científico.
Em um dos livros de Monteiro Lobato que li na infância (Caçadas de Pedrinho), Emília já implicava com a concordância no plural, quando há seres dos dois gêneros, ser no masculino. Por ora, não consigo imaginar de forma diferente. “Mulher e cachorro são atropeladAs por motorista bêbado”?
A forma “presidenta”, de acordo com os dicionários que consultei, existe. Os mesmos dicionários, porém, consideram “presidente” como substantivo masculino e feminino.
Minha escolha pessoal é usar a forma “presidenta”.
Desnecessários os adjetivos atribuídos a Serra. Já houve preconceito de mais na campanha eleitoral.
Interessante o texto, acho que seria mais eficiente se não puxasse tanto para um “PT vítima”.
Achei o texto bem bacana, porque explica com muito didatismo a questão, mesmo que sacrificando questões mais teórica.
Uma delas se refere aos comentários de que, se existe a forma ‘presidentA’, haveria possibilidade de estudantA e afins. Isso não seria possível, já que estudante é sobrecomum de dois gêneros, isto é, serve tanto para homem quanto mulher. Na língua há regras muito mais fortes do que a da gramática e elas que motivam os usos.
Presidenta,sim!
… o pesidente, a presidente; o parente, a parente!?
Usa-se (muito mais) a parenta.
É a axceção da regra.
Com a palavra o Prof.Pasquale Cipro Neto,tão festejado pela mídia:
“Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte). Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”.
Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?”
Nelson, você está confundindo “regras de formação de palavras da língua” com regras gramaticais (refiro-me aqui à gramática normativa). Talvez se você ler um pouco de linguística e observar com mais atenção ao seu redor, perceberá que uma coisa difere completamente da outra. E mais, reflita: a língua veio da gramática, ou a gramática da língua?
O curioso é que o professor Marcos Bagno notabilizou-se, especialmente durante o governo Lula, em defender uma desregulamentação da língua e da linguagem, como um sinal de democracia e inserção social. Para defender o substantivo presidencial, Bagno vem lançar mão de “regras de formação de palavras da língua”. Se essas regras não eram necessárias antes, ainda que com o risco de transformar a Língua Portuguesa numa babel, por que agora são tão importantes? Eis um caso típico de parcialidade que não se pode permitir a alguém que é pago pelo Estado para difundir e melhorar a cultura.
É impressionante a quantidade de ignorantes que acham que para justificar o uso da palavra presidenta teriamos de mudar todas as outras palavras que estão no masculino. A questão aqui é ideológica e duvido que aqueles que criticaram o Marcos como linguista saibam sequer o que é um linguista….
Parabéns professor, excelente texto! A história humana está recheada de possibilidades, porém por ignorância nos acostumamos a repetir os mesmos erros, por séculos…
Só duas perguntas: todos os que criticam Marcos Bagno são linguístas? O que vocês entendem por linguística e gramática, são as duas a mesma coisa, ou são diferentes?
Quanto preconceito dos comentaristtas. Mesmo após a análise precisa do Marcos Bagno ficaram esperneando: Não conseguem aceitar a absoluta novidade na vida pública, democrática do país. Pode parecer estranho chamar a presidenta de Presidenta, mas é isso que ela é. Claro chamá-la de presidente não está errado do ponto de vista da gramática normativa, assim como não está errado em designá-la Presidenta. Ambas as formas são aceitas, entretanto, salta aos olhos do mundo que ela é a Primeira Presidenta (sendo redundante) Mulher do Brasil. Quem não puder dormir com isso que tenha eterna insônia!
Bagno, você é a vergonha dos linguistas. Usar presidenta em vez de presidente não muda absolutamente nada e me admira demais você não saber disso e ainda perder seu tempo escrevendo artigo. Isso quer dizer que o latim, por ter gênero neutro, era uma língua falada por uma sociedade de que tipo? machista? Feminina? “Neutrista”?
Então pode-se dizer que a presidenta é inteligenta e diferenta?
Meio ridícula essa reportagem. Poderia ter esclarecido que existe a palavra ‘presidenta’ sem inventar que existe ‘uma conspiração dos inimigos’ contra a mesma, e desqualificar os outros candidatos. Eta revistinha ruim essa!
Então, existe porque está no dicionário. O dicionário antecede o uso da língua??? Isso contradiz tudo o que eu estudei sobre sociolinguistica.
O linguisto chama de machisto o jornalisto que se recusa a chamar Dilma de presidenta. Onde está o substantivo comum para os dois gêneros? Há mesmo essa necessidade de sexualizar tudo?
Enfrento diariamente problemas com pessoas que arbitrariamente me se recusam a me chamar pelo nome com o qual me apresento (que está no meu registro, não é apelido), que me causa bastante irritação, então se Sua Excelência repudia a forma invariante “presidente”, não vou ser hipócrita e assim chamá-la, mas ela que me perdoe por também não adotar “presidenta”, porque para mim essa distorção linguística carrega uma mensagem profundamente tóxica em relação ao problema da igualdade de gênero: a de que um gênero ou não é bom o suficiente para usar um substantivo INVARIANTE, ou então é bom demais para se igualar. Nós deveríamos estar lutando para fechar o abismo entre gêneros, não alargá-lo ainda mais. Felizmente o vocabulário da língua portuguesa em geral me permite evitar ambas as palavras sem faltar com o respeito para com Sua Excelência. (A propósito, estes pronomes de tratamento também são invariantes, e nunca vi ninguém reclamar deles. Dois pesos e duas medidas?)
Pois é, o que acontece em outros lugares – por exemplo aqui na Austria – no Brasil parece ser coisa de outro mundo… é, coisa de outro mundo mudar a lingua que muda de qualquer forma com o passar historico.
Aqui o hino nacional foi modificado por ser claramente MACHISTA, não foi fácil, mas as pessoas tb se cansaram de serem chamadas de pacientes, e assim sendo “neutralizadas”.. por isso, no alemao se existe a forma que ressalta ainda mais o feminino em palavras que são masculinas e que se diziam “neutras”… sabe o que eles colocaram? é como se em portugues nós chamássemos alguem de estudanteAs, isso mesmo, eles colocam o “A” maiusculo no meio da palavra para deixar ainda mais evidente a inclusão do feminino.
Parabéns Magno, como sempre mostrando preconceitos arcaicos pelo nome!
Será que está tão difícil entender que a forma PRESIDENTA é aceita e faz parte, inclusive, do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa)?! É só procurar no site da ABL… Até mesmo gramáticos tão, digamos, conservadores como o E. Bechara apresenta a forma flexionada. Antes de criticarem alguém, leiam um pouco, pesquisem! Assim vocês não irão passar vergonha! Professor Bagno, ‘tá de parabéns pelo artigo.
Por que ele não usaria, Adriana?
Ótimo artigo, Marcos Bagno, parabéns!
Amigos,
Falando sério…Eu capitulei… Cansei de brigar contra esse “factóide” da nossa presidente. Já começo a desconfiar que desviam nossa atenção de algo mais importante que deveríamos acompanhar.
Acho (é minha opinião e este ainda é um país livre) uma estupidez essa coisa de presidenta, ela poderia representar melhor as mulheres se vestindo bem e com feminilidade, por exemplo, mas isso não vem ao caso. Espero que essa papagaiada não interfira efetivamente no governo, do qual tenho ainda boas expectativas e que outros factóides não surjam, afinal se quiséssemos o César Maia na presidência, teríamos elegido o Serra, né? (risos).
Acho estapafúrdio querer “enfiar um terceiro gênero” na língua portuguesa, o povo mal consegue falar a língua que está aí, imagine com mais esse complicador. Tampouco acho viável que passemos a ter línguas diferentes para homens e mulheres, se não me engano, como acontece com o japonês.
Então é assim: enquanto eu não for ameaçado de prisão, vou chamá-la de presidente, quando isso virar caso de polícia, aí pode ser que eu pense em deixar o país.
Abraços a todos, retiro-me com sensação de que o bom senso foi derrotado…
Fernando Escobar
“Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco…”(retirado do texto)
Marcos Bagno, não seria Professor de:Como ser preconceituoso? ou Professor antiPSDB?
Referir-se ao Serra como “cara de vampiro”.Professor sem respeito, sem compostura.
São esses os nossos professores… Fazer o quê, não?
[...] por Marcos Bagno, na CartaCapital [...]
Será que a “grande mídia”não possue um Aurélio Buarque ou uma boa gramática? Ao que me parece pode ser mesmo “pregyuiça”ou por quê não dizer “machismo”.
Li um artigo de Ivone Gebara (“Dilma, a primeira presidenta do Brasil”) e concordo com ela na importância do papel da mulher e da questão dos gêneros em nossa atual realidade.
A subida ao poder de uma presidente é realmente um passo importante, no sentido de diminuir o peso ancestral do machismo e do preconceito.
Mas também encerra perigos: se ela não conseguir realizar um bom governo, será cobrada muito mais do que a um homem, e pior, será motivo de outro preconceito: “uma mulher já mostrou que elas não são capazes” e coisas assim.
Esperamos que ela se faça acompanhar do trabalho, da compreensão e do afeto de todas as mulheres, mesmo as que não votaram nela, e que seja, portanto, bem sucedida como presidente.
Aproveito para enviar um texto que recebi da internet, sem autoria, sobre o termo “presidenta”:
PORQUÊ NÃO SE DEVE FALAR PRESIDENTA
“Lula, a propaganda do PT e eleitores de Dilma têm dito que ela é a primeira “presidenta” do Brasil.
‘Presidenta?’ Mas que palavra é essa?
No português, há particípios ativos como derivativos verbais. Exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante. E o particípio ativo do verbo ser é “ente”, aquele que é: o ente, o que tem entidade.
Para designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos “ante”, “ente” ou “inte”.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, seja homem ou mulher.
Se diz capela ardente, e não capela “ardenta”; estudante, e não “estudanta”; adolescente, e não “adolescenta”; paciente, e não “pacienta”.
Não deveríamos, então, dizer: “A presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ser eleganta para ser nomeada representanta. Ela pode ficar sorridenta como dirigenta política, mas não deve torturar o português, só para ficar contenta.”
Cordialmente,
Lucia Cunha
Rio de Janeiro, RJ.
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Ótimo texto!!! Pena que alguns leitores sem nenhum conhecimento linguístico apresentam críticas absurdas. Recomendo que pesquisem sobre processo de formação de palavras, sufixação e marcação de gênero em nomes (substantivos e adjetivos). Ah… só para constar… a Universidade Federal de Brasília (UNB) é uma das universidades mais conceituadas do país e não fica nem um pouco atrás da USP, UNESP e UNICAMP. Lá tem excelentes pesquisadores/pesquisas em linguagem. Se informem antes de criticar. Vergonha alheia, rs!
Nada surpreende os comentários dos demais em difamar o PT, Lula e a Presidenta Dilma. Infelizmente estes ainda não retiraram seus cabrestos e viseiras, pois a única “obra” que conseguem manter nas cabeceiras de suas camas é a revista Veja, a qual mediocremente continua desempenhando o papel sujo e demagogo das elites pseudoburguesas do nosso país. No entanto, digo com felicidade que estes hoje são minoria, resultado já comprovado pelas urnas e acresecnto afirmando que a história política brasileira passou a ser construída por Lula sim, tendo em vista que somente a partir deste Governo, noções basilares da ciência política passaram a ser efetivadas, sendo a primordial delas, um Governo verdadeiramente inclinado à atender as necessidades básicas de seu povo e feito para seu povo e ainda, reestabelecida a soberania nacional, uma vez que rompeu-se com as amarras do FMI e da política imperealista norte-americana. Viva o Brasil, Viva Lula e Viva Dilma!
Começamos bem, no entanto faz-se necessário mudar a própria constituição, o livro mais respeitado do sistema e que se referem a nós apenas como cidadãos.[:P]
Obrigada pelo artigo.
Gostei muito da matéria.Marcos Bagno, como sempre, está de parabéns.
Admiro muito o que escreve.
Presidenta? Essa mulher é uma comedianta… ainda bem que sou pacienta…
Caro Professor,
não me oponho à ideia de mudar a grafia das palavras para caracterizar o gênero, desde que isso valha erga omnes: sou diplomato aposentado, meu cunhado passa a ser dentisto, meu primo documentalisto, meu sobrinho médico-anestesisto e meu neto estudanto. Vamos diferenciar entre o parento e a parenta, o vidento e a videnta, o demento e a dementa, o ignoranto e a ignoranta. Ficamos assim? Abraços
Luciano
Excelente texto. Eita dor de cotevelo retada desses tucanos.
Aff! Vai arrumar o que fazer, hein!..que bobagem..
Para mim, não existia Presidenta, mas quando li que tinha no dicionário fui procurar e realmente existe. Observei que os títulos têm referencia feminina e masculina, e neste caso não seria diferente. Obrigada pela informação e orientação. Aconselho aos que criticaram também buscarem informação nos dicionários, vocês podem se surpreender.
Se Jacques Derrida já não tivesse cunhado o termo “différance”*, poderíamos até achar tratar-se de escolha neutra. Entretanto, a insistência dos veículos de imprensa, integrantes do PIG, em escrever “a presidente”, revela sua constante intenção de minimizar o significado de uma mulher na presidência.
Impressionante, muitos dos comentaristas aqui tem a preguiça descrita no texto e não olharam no dicionário que “presidenta” é uma forma correta de tratamento.
Presidente ou Presidenta tanto faz… o que vale é que ela a Presidente/Presidenta não decide nada…
No Brasil, a ortografia e o registro oficial das palavras existentes no português são estabelecidos pelo Vocabulário Ortógrafico da Língua Portuguesa (VOLP), onde existe a palavra “presidenta”. Podem conferir:
Nossa Língua > Busca no Vocabulário
Adriana, você só tangenciou o assunto, comentando um dos argumentos usados pelo Bagno, e não deu conta de rebater a ideia central do artigo.
[...] Via CartaCapital [...]
Fiquei contente por ter o Brasil eleito finalmente uma mulher (apesar de minha escolha ter sido por outra). Mas mudar a língua na força bruta, nem no Esperanto, que é uma língua lançada inicialmente planejada, se faz. Eu vejo nas ruas anúncio de uma tal “vidente Jurema”, da qual minha mãe jamais seria uma consulente. As falantes de espanhol se dizem também muito “contentas” com a eleição da presidente Dilma, mas acho que em português nem a Marta Suplicy se diria “contenta” no Brasil…
Há pessoas aqui que não concordam com a forma “presidenta”, dizendo que Marcos Bagno está errado. Não sou especialista no assunto mas, pelo pouco que sei do assunto, arrisco uns pitacos.
Antes de mais nada, parece que há uma confusão entre algo ser “certo” ou “errado” e algo ser “usado” ou não. Do ponto de vista gramatical, a palavra está certa ou errada se segue ou não suas regras, respectivamente, e apenas isso.
O “certo” ou o “errado” para a gramática não tem nada a ver com uma palavra ser, de fato, usada ou não na forma sobre a qual há dúvida.
Sendo assim, “presidentO”, por exemplo, é uma forma errada porque não é ACEITA ou PERMITIDA pela gramática, mas a forma “presidentA” É aceita ou permitida, não importando se é USADA ou não.
Não conheço a fundo todas as regras de formação de palavras de nossa língua (talvez NINGUÉM conheça), logo não posso dizer que o dito acima vale para TODAS as palavras semelhantes a “presidente”, como “estudante”,”vidente”,etc. Mas POSSO dizer que há uma possibilidade razoável, pois as regras levam em conta origem, história, local de uso da palavra.
Há palavras que, embora semelhantes, embora “rimem”, têm processos de formação distintos, seguindo, portanto, regras diferentes. Mas nada que um bom dicionário e uma boa gramática não esclareçam.
O fato é que o que se discute aqui é pura manipulação política da linguagem, interpretando o que o Marcos Bagno disse. Pura e simplesmente isso. A mídia não TEM que usar “presidenta”, mas visivelmente usa “presidente” para despessoalizar a Dilma usando a forma masculina “presidente”, para evocar subliminarmente a figura do Lula, e reforçar sutilmente a idéia de que ele está sempre presente por detrás dela, como se ela fosse o tal fantoche de que foi acusada durante a campanha presidencial.
Quanto ao Marcos Bagno, quem criticou que leia com atenção seus FANTÁSTICOS livros “Preconceito Linguístico” e “A Língua de Eulália”, antes de falar besteira, e vejam porque NÃO é necessário ser da USP ou UNICAMP para ser bom (o que, aliás, é também um bruta preconceito).
Posso estar errado em algum ponto, mas não fui o único a errar nestes comentários, sem dúvida.
haha… foi mal, censuraram não… é que tem muitos mesmo… eu não vi. Perdoem a cegueira…
Censuraram meu post… Viva Dilma a presidentA, inteligentA, nossa legítima representANTA…
Agradeço todos os dias a minha professora de Português na Universidade que me apresentou a obra de Marcos Bagno e me mostrou uma das formas mais crueis de se exercer o poder e as várias formas de preconceito, que é a língua. Hoje dou aulas e faço questão de falar aos meus alunos e as minhas alunas, futuros jornalista o peso do seu trabalho em todos os sentidos, inclusive – e principalmente – na seleção das palavras. Parabéns e obrigada Bagno, por textos tão lúcidos.
Já que o sr. Marcos é professor univesitário peço que deixe de lado essa picuinha e leve adiante uma proposta muito mais interessante:
- vamos acabar com esse negócio de regra, exceção e o diabo a quatro que só dificulta a vida do povo, e da discussões sem fim que levam a nada;
- vamos acabar com acentos
- tudo que tiver som de S escrever com S(fora ç), o que tiver som de Z escrever com Z, o que tiver som de X usar X (acabar com ch), e assim por diante.
Assim as coisas ficariam mais fácil e todos entenderiam.
Parece besteirol? Vejam quantas vezes um porque ou porquê ou por quê ou por que já azarou tua vida.
Conversando com uma amiga espanhola, querendo ser educado, chamei-a senhorita – pois não é casada. Ela responde que prefe ser chamada de senhora. Estranhei e notei que as brasileiras odeiam ser chamadas de senhora porque ‘envelhece’. Ela responde: o homem nasce senhor, a mulher nasce senhorita, uma mulher precisa de um homem para se tornar senhora – senhorita é um termo machista.
Fiquei com a cara no chão.
Agora se a moda da Dilma pega, também vamos precisar de taxistos, balconistos, manobristos…
Cá entre nós, tem que haver formas mais efetivas de combater o machismo.
Brilhante a matéria do Dr. Magno Bastos da conceituada UNB. Agora se o casal 45 da Grobo não a chama de presidenta, nós brasileiros a chamamos e admiramos. Dá-lhe DILMA.
se quem reside é residente ,quem tem competencia é competente ,quem preside é presidente.
Se é comum de dois aglutina ,une e não discrimina sexualmente ‘A’ ou ‘O’ ou mesmo a ‘transexualidade’ ou a usência dela.Além do que ,’presidente’ sendo uma palavra com os dois gêneros não deveria ter um ‘feminino’ posto que engloba as duas ( ou até mais ) possibilidades.Me parece a criação de um ‘rebolation vocabular’de quem já ‘vocabulou’ aulas e aderiu às simplificações genéricas e macunaimescas propostas pelo virus ‘residente’ da preguiça.
O autor do texto parece não saber a diferença entre sexo e gênero. Não sabe também a diferença entre masculino e neutro. Além do mais, se usa “presidenta”, que use também “gerenta”, “estudanta” e “clienta”. A pessoa tem de ser no mínimo “coerenta”.
E não é um pedido informal da presidente que define o que está certo na gramática da língua. O professor deveria saber disso.
Quanta bobagem. As duas formas são corretas e ambas têm embasamento. Se prefere uma forma, use-a, mas se quiser convencer os outros a usá-la também, faça-o com bons argumentos, não por causa da “discriminação”.
[[Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino.]]
Ao que parece, cada um enxerga aquilo em que já acreditava anteriormente e mantém sua opinião, apesar dos fatos. Vejam meu exemplo: vamos classificar os substantivos em neutros e femininos, então. Quem é o discriminado agora? O masculino, que não possui forma própria! E se eu quiser falar dos meus filhos homens, como que eu digo? Tenho que usar 2 palavras, “filhos homens”, porque somente “filhos” é neutro! E notem que eu estou descrevendo a mesmíssima língua portuguesa, apenas analiso de outro ângulo.
É ridículo dizer que a mídia “se recusa a reconhecer (…)”, porque não houve nenhuma recusa, eles simplesmente escolheram uma dentre as 2 formas corretas e a usaram consistentemente. Ou acham que deveriam ficar alternando as duas formas para agradar a todos? Ou que deveriam usar exclusivamente presidenta para agradar o Marcos Bagno e a Dilma?
E continuando a citação: “se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta”, precisamos mesmo tratar isso como um fato extraordinário? OK, no caso da primeira mulher no cargo da presidência ainda vai, mas não seria mais interessante tratarmos como um caso normal, pelo menos a partir de agora? Sério, se não fosse a mídia repetir isso toda hora, eu não estaria nem ligando se é um homem ou uma mulher no cargo. As gerações mais novas rirão de nós: “Olha só, eles achavam uma mulher na presidência algo excepcional, mas o que é que tem de mais? É supernormal…”
Presidente, vidente, parente, atendente, estudante, colega são todas palavras de 2 gêneros que eu vou continuar usando assim. A terminação “ente” (ou simplesmente o “e”) me soa neutra e ainda que presidente e parente aceitem o A, me dói no ouvido. Vai coexistir o artigo definido ou indefinido para indicar se é masculino ou feminino. Só enxerga discriminação quem quer. Ou eu vou sair por aí exigindo que me chamem de colegO, porque chamar de colegA é “coisa de gay”? Claro que não! Aliás, se eu dissesse isso, seria taxado de homofóbico
Meu, q argumento mais absurdo. Qdo a academia tiver estudanta e serventa, eu chamo de presidenta. Essa história do plural, pode até ser argumentável, mas acho q seria complicado toda hora eu ter de avaliar quem vale mais para saber se o plural fica no feminino ou masculino. Uma mulher e o papa foram atropelados. Ah, mas o papa vale mais, então é atropeladOs. Uma mulher e um gato foram atropeladAs, ah, mas o gatinho é tão fofo e a moça é uma ladra. Ah, então é atropeladOs… Por favor, né?
Mas presidentE serve tanto pra masculino como feminino. A sociedade pode até ser machista, mas querer transformar em presidentA é de um feminismo tosco.
De qualquer forma, parabéns. Esse pessoal q adora ver teoria da conspiração deve ter te adorado depois dessa.
Saudações
Gostaria de adicionar alguns elementos à discussão. Bem, começarei pelo comentário do Fernando César Escobar. Penso que: 1º Uma linguagem natural, como a língua Portuguesa, é contingente no tempo e no espaço (transforma-se ao se deslocar na história e nos diferentes espaços geopolíticos ou culturais), creio que estejamos todxs de acordo neste ponto; 2º (corolário de 1) sendo contingente é transformada por uma multiplicidade de agencias, tais como: normalizações políticas (acordos inter e intra estatais, por exemplo), sistematizações morfológicas, “desvios” nos usos do léxico normal (em sentido estatístico e em sentido oficial) etc.; 3º Uma linguagem inclusiva não se caracteriza por satisfazer no nível do discurso, por correspondência bijetiva, a diferenciação sexual apenas, há que se considerar, para além do binarismo sexual “normal” (em sentido político) toda uma pluralidade de gênero irredutíveis à morfologia fisiológica sexual dos corpos (sexo e gênero são paralelos um ao outro, e são ambos não binários); 4º A alternativa, para a inclusão das diferenças, não é acabar com o “comum de dois gêneros” reduzindo a linguagem ao par ordenado binário (masculino “o”, feminino “a”), muito pelo contrário penso eu; 5º Uma alternativa pluralista e coerente com as diferenças sexuais e de gênero é alargar e pluralizar no nível morfológico a linguagem, precisamos do feminino, do masculino, do comum de dois, do neutro (como no artigo grego “tó”), do indeterminado, e de uma gama de outras formas lingüísticas; 6º Nós podemos mudar a linguagem que empregamos, a questão não é essa, mas outra e a seguinte: nós desejamos mudá-la?
Do dicionário Aurélio:
s.m. e s.f. Pessoa que dirige as deliberações de uma assembléia, de um tribunal. / Chefe do Estado, nas repúblicas. / Adj. Que preside: juiz presidente.
Ou seja, é presidente e .
Se querem mudar que esperem a nova reforma ortográfica.
Pois é, tanto assunto mais importante que a terminação da palavra! Isso não vai determinar nada no que a “presidenta” vai fazer ou deixar de fazer, muito menos no que as pessoas vão pensar ou deixar de pensar (sobre ela ou todo o resto). No Brasil o povo está no “a gente vamos” e o fulano preocupado com o gênero utilizado na palavra pela mídia! Como disse outro leitor, a partir de agora teríamos então “estudantA”, “videntA”, “dependetA” etc.
(Em 2007, publiquei artigo sobre o tema na Revista Senatus)
SENATUS
v. 5 n. 1 março 2007
Brasília
ISSN 1678-2313
Senatus Brasília v. 5 n. 1 p. 1-74 mar. 2007
A linguagem como instrumento
de inclusão social …………………………………. 24
Os admiradores da escritora Rachel de Queiroz pouco sabem da discriminação que ela sofreu, ao tentar ingressar pela primeira vez na Academia Brasileira de Letras. E essa discriminação se baseou, por incrível que pareça, na língua portuguesa. Esse episódio nos serve de exemplo para a reflexão proposta pelo Projeto de Lei nº 306, de 2005, da senadora Serys Slhessarenko.
Não obstante a Academia Brasileira de Letras ter tido em seus quadros intelectuais de primeira grandeza, até 1977 havia uma resistência de ferro à entrada de uma mulher naquela casa. Havia, mesmo, a alegação de que a expressão “brasileiros natos”, dos estatutos, era o impeditivo para o ingresso de uma “brasileira”. Por décadas (desde a fundação, mas, particularmente, desde 1930, quando a escritora Amélia Belivácqua propôs seu ingresso na ABL), essa “questão gramatical” impediu a entrada de mulheres na Casa de Machado de Assis.
Não é sem razão que a linguagem inclusiva tem-se revelado um instrumento poderoso na luta contra a discriminação que sofrem as mulheres. O esforço para que homens e mulheres recebam tratamento não-discriminatório se baseia no fato de que a linguagem corrente se mostra excludente em diversos pontos. Na administração pública, em particular, essa discriminação se revela, com freqüência, nas oportunidades em que são listados e discriminados os cargos a serem ocupados.
Pelo projeto da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), os nomes dos cargos, empregos, funções e outras designações que recebam os encargos públicos da administração pública brasileira civil e militar terão a flexão do respectivo gênero de acordo com o sexo do ocupante ou da ocupante. Igualmente, patentes, postos e graduações das Forças Armadas terão a flexão do respectivo gênero de acordo com o sexo do respectivo ou da respectiva ocupante. A medida valerá inclusive para editais de concursos, cédulas eleitorais e demais instrumentos de seleção pública ou votação que obedecerão ao disposto na lei.
Embora possa suscitar alguma polêmica, o projeto de lei vem em boa hora, pois, atualmente, os cargos são descritos no gênero masculino, apoiando-se nos costumes e nas instruções das gramáticas normativas. Basta uma simples consulta a um edital de concurso público para se verificar essa falta de sintonia entre o tratamento formal e a realidade do serviço público:
O Procurador-Geral da República, com base no art.
127, § 2º, da Constituição Federal, e nas disposições
da Lei Complementar nº 75, de 20 de maio de 1993, faz
saber que estarão abertas, pelo prazo de 30 (trinta)
dias, contados da publicação do presente edital, as inscrições
para o 21º Concurso Público para Provimento
de Cargos de Procurador da República, nos termos seguintes:
(…). (Fonte: EDITAL Nº 06/2004,
da Procuradoria Geral da República).
Esse exemplo evidencia uma prática da fala e da escrita corriqueiras, aceitas e recomendadas pelas gramáticas normativas: o masculino funciona como se fosse a designação geral, universal, incluindo ambos os gêneros, masculino e feminino.
No que diz respeito às Forças Armadas, do quadro de postos (art. 16 da Lei 6.880, de 9 de dezembro de 1980) constam nomes no masculino, como Capitão-de-Mar-e-Guerra, Capitão-de-Fragata, Capitão-de-Corveta, Capitão-Tenente (Marinha); Coronel, Tenente-Coronel (Exército); Coronel, Tenente-Coronel (Aeronáutica). No círculo de Cabos e Soldados, os nomes listados estão igualmente no gênero masculino (Soldado, Marinheiro, Taifeiro). Os únicos nomes aplicados aos dois gêneros, com mudança apenas do artigo, seriam Recruta, Major e Tenente.
Outro exemplo claro da discriminação perpetrada contra as mulheres, no âmbito das Forças Armadas, está no inciso V, do art. 13, da Lei nº 9.519, de 26 de novembro de 1997, ao determinar que: as Oficiais do atual Quadro Auxiliar Feminino de Oficiais
serão posicionadas (…), sendo as atuais Segundos- Tenentes promovidas ao posto de Primeiro-Tenente do novo Corpo ou Quadro.
Mesmo no campo político-eleitoral, no qual as mulheres já conquistaram espaço há mais tempo, com a força da votação popular, há resistências em se empregar o gênero feminino. Isso é o que demonstra a Resolução nº 20.666, de 13 de junho de 2000, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para fixar uma determinação que já se encontrava
em lei, e obrigar os Tribunais Regionais Eleitorais a flexionarem o gênero dos candidatos e das candidatas a cargos eletivos.
O imperativo de se adotar um novo marco normativo decorre também do efeito de inércia provocado pelas instruções gramaticais. Estas indicam, por exemplo, que havendo dois termos associados, um no feminino, outro no masculino, o plural será feito no masculino. Assim sendo, se, em uma sala de aula de 40 pessoas, houver 35 do sexo feminino e 5 do sexo masculino, o plural será alunos.
Além disso, ao discorrer sobre a formação dos gêneros em língua portuguesa, as gramáticas fazem afirmações como a que se segue, de autoria do renomado Celso Cunha (Nova Gramática do Português Contemporâneo, 1985): O masculino é o termo não marcado; o feminino, o termo marcado.
O que representa essa afirmação para aqueles que escrevem as leis e os regulamentos, inclusive os nomes dos cargos públicos? Que eles poderiam sempre listar os cargos pelo masculino. Mas qual a conseqüência disso para o imaginário que se constitui na sociedade em torno das carreiras do serviço público? Que existem apenas procuradores, auditores, consultores, capitães, médicos, advogados, juízes…e assim por diante, sempre no masculino, quando, na verdade, existem, também, procuradoras, auditoras, capitãs, médicas, advogadas, juízas… Por isso, o art. 5º do projeto de lei da Senadora Serys propõe que, ao lançar mão das instruções contidas em estudos, tratados ou descrições da língua portuguesa, far-se-á sempre com a observância dos princípios da linguagem inclusiva, com menção aos gêneros feminino e masculino, obrigatoriamente, mesmo nos casos de pluralização.
Essa providência se faz tanto mais necessária ao observarmos que a norma já existente sobre o tema, a Lei nº 2.749, de 2 de abril de 1956, remete aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto consagrados na lexeologia do idioma. Por isso, mesmo ao determinar que o gênero gramatical do nome do cargo deva acompanhar o sexo do funcionário a quem se refira, ao remeter aos preceitos tradicionais, abre a possibilidade de se empregarem regras que guardam conotação discriminatória. Por isso mesmo, o projeto de lei propõe revogar explicitamente tal norma, como proposto no art. 6º do projeto de lei da senadora. As resistências à adoção de uma linguagem inclusiva, não sexista, vêm da crença de que tais nomes são da natureza da língua, e que, portanto, seria artificial tentar alterar tal situação por intermédio de uma lei. Contra esse argumento é necessário lembrar que a língua é, sim, um construto que depende
da intervenção da sociedade, dos falantes; e que varia segundo o tempo e o espaço, e até mesmo segundo a geração de usuários dessa língua.
Se é verdade que a língua não é a causadora da discriminação contra as mulheres, também é certo que ela é o meio pelo qual circulam os valores da sociedade. E se essa sociedade foi ou continua sendo discriminatória, tal exclusão está marcadana língua, nos nomes e até nos pronomes. No estado da Flórida, nos EUA, foi aprovada uma instrução para revisar todas as leis existentes, para delas expurgar qualquer caráter discriminatório.
Após migrar para o meio eletromagnético todas as normas editadas entre 1822 e 1997, foi feita uma pesquisa para
localizar a presença de marcadores de exclusão das mulheres. Foram encontradas 4.389 ocorrências para his (pronome possessivo masculino), e nenhuma ocorrência para hers (pronome possessivo feminino), como constata o artigo de Pamela Martin e James Mckee, intitulado Gender Neutralizing State Laws (http://www.ncsl.org/programs/legman/legalsrv/vol13No1.htm.)
Ao manter a nomenclatura dos cargos no masculino, o Estado cria, reforça e pereniza uma visão obsoleta da sociedade, quando apenas homens tinham acesso a esses cargos públicos. Mas as mulheres já conquistaram, ao longo dos últimos cem anos, diversas posições no cenário da educação e da Administração Pública, sem que isso se refletisse nos nomes dos cargos: em 1874, ganharam o direito de freqüentar universidades; em 1932, o de votar e ser votadas; em 1980, de ingressar nas Forças Armadas.
Neste momento em que são irreversíveis as conquistas femininas em todos os campos, seria um anacronismo inaceitável que o Estado brasileiro continuasse a reforçá-la, por intermédio de suas leis e regulamentos do serviço público. Lembremo- nos, para levantar um argumento final, que a nossa Lei Maior manda promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inciso IV).
João Bosco Bezerra Bonfim é consultor legislativo
do Senado Federal, mestre e doutorando
em Ligüística pela UnB.
Concordo!!
Proponho uma campanha mundial pelo fim dos substantivos de dois gêneros!!
E viva as comerciANTAS, as representANTAS e todas as mulheres inteligentAS…
Viva os direitos dos Onços, dos Capivaros e dos Cobros…
Se chamarem meu filho de criançA, eu baixo o sarrafo… Meu filho é criançO, macho, muito macho…
Valeu, sr. grande linguista Bagno… Lembranças à senhora Bagna, se ela existir…
Sds,
Escobar
Não acho muito bonito o termo “presidenta”, por mim, usaria “presidente” mesmo, afinal é uma palavra UNISEX. Mas quando soube que Dilma quer ser chamada de presidentA e até baixou decreto nesse sentido, sem dúvida é assim que vou chamá-la de agora em diante, e todos deveriam acatar, principalmente a mídia!
Incrível! Ainda credito que a Carta Capital deveria escrever um ‘manual de leitores de outras mídias para o site da Carta Capital”.
A maior parte das críticas e comentários negativos usam de palavras como “errado”, “tendencioso”… Acho que ainda não entenderam que o site é um espaço amplo e democrático de “debates de idéias”, muito mais do que uma “defesa concisa e sistemática” de um ponto de vista.
Sinceramente, acreditava estar bem definido os pontos distintos de cobertura jornalística, e os de colunistas e articulistas. Mas, aparentemente, não para todos… Acordem!! Plínio de Arruda é colunista, e critica noite e dia os ponsto ddo Governo Dilma e Lula! E mesmo assim, mantém seu esaço aqui…
Infelizmente, nem todos os jornais e meios de comunicação permitem um espaço verdadeiro e dmocrático para formadores de opinião, mesmo tendo visões distintas das suas, em seus meios.
Por isso sou freqüentador assíduo desse site, exatamente para ler o lado “b”. Se quero ver o que está acontecendo – “notinhas” dos acontecimentos, vou em outros meios. Mas se quero ver pontos de vista, ver o “outro” lado, venho aqui. Não concordo com tudo, mas pelo menos, refltio sobre pontos de vista distintos do que stou acostumado a ler. Acreditem, senhores: isso faz bem ao nosso querido cérebro!
Alguns comentários entram no cerne: é um ponto de vista de um lingüita, e discordam. Mas inpressionanente com o ressentidos leitores de outros jornais procuram logo “verdades absolutas e factuais, isentas e objetivas”. Provavelmente, é isso que acreditam ler em outros jornais: verdades factuais e objetivas, coisa que qualquer estudante de 2o perído do Jornalismo sabe que não existe mais, pelo menos, desde os anos 90, quando o “mito da objetividade” virou fumaça…
Sempre admirei as posições de Marcos Bagno sobre preconceito linguístico e acho interessante os argumentos usados pelo autor no texto em questão, mas neste caso, como mulher, acho que é melhor adotar a igualdade, aonde ela é cabível. Não acho bobagem a discussão do termo, ações reflexivas acerca da língua são sempre benéficas.
Seu baba-bagno, o senhor xinga os outros de “bobo-alegre” ao vivo téte a téte também ou só protegidinho por trás de um computador ou um grupo com uma trupe de petralhas?
É isso aí! Todos os brasileiros temos o dever cívico de puxar o saco da presidenta e chamá-la como ela gosta. Democracia cidadã é isso! Pff…
Não entendo porque a CC resolveu publicar esse artigo. O professor claramente está equivocado. Pior que isso, sustenta seus argumentos com exemplos de outros idiomas (ainda não falamos francês, muito menos espanhol) e esquece que há substantivos em português terminados em E usados para os dois gêneros. Professor, em sua universidade há mulheres docentEs ou “docentAs”?
A figura esquisita da Dilma pode ser Presidente, Presidenta, Presidentia… Qualquer coisa… Ela não fala, não opina e não decide… Qual o sentido da atual discussão?
Acho engraçado tantos comentários defendendo a INFLEXIBILIDADE da língua portuguesa. E, o pior que todos pró-machismo linguístico arcaico, são homens. Quanto a inclusão de termos estrangeiros (estrangeirismo) e o hibridismo no nosso dicionário ninguém contesta, ou poucos. Agora, quando uma Mulher propõe a MODERNIZAÇÃO do uso da língua, aí sim, há reboliço. Ah, vão catar coquinho!!! Abram as cabeças, já está na hora; aliás, passou até!
Marcos Bagno, calma! Tu não és o dono da verdade. Mas, se queres ser, formula a tua proposta de como deveríamos mudar a língua portuguesa, levando em conta a distinção de gêneros. Vai ser muito engraçado (como se isso fosse importante para a afirmação da mulher no mundo…) Enquanto isso, o Michel Temer vai tomando conta da garrafa… Aliás, esse Ministério da Dilma é um verdadeiro circo. Se for verdade que é apenas o primeiro, para atender acordos eleitorais, também é fato que com essa turma esquisita (inclusive alguns do PT) ela vai perder ao menos uns seis meses patinando. Deus queira que não.
Bom dia amigos, mais que coisa né, eu não sou doutor nem mesmo tenho bom português, mais que na minha pequenez didática do assunto só tenho a dizer que a mulher está e de agora em diante estará um passo a frente, e tadinhos daqueles e daquelas que acharem que não é verdade, é a era nova que está envolvendo o planeta, afinal quem de nós sempre não teve uma mulher a cuidar, sempre a mamae, a titia, a vovo, e nos homens a esposa e as filhas, sim as filhas que hoje as minhas meninas cuidam de mim com carinho que como já falei aqui sou um velho Brasileiro, então amigos que seja bem vinda, a bombeira, a magistrada, a boleira e a presidenta.
E como sempre digo bom Dilma a todos e viva a minha e a nossa PRESIDENTA.
Não sei quem escreveu esse texto mas achei interessante.
“Presidenta?
Mas, afinal, que palavra é essa?
Bem, vejamos:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é “PRESIDENTE”, e não “Presidenta”, independentemente do gênero, masculino ou feminino.
Se diz capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um exemplo (negativo) seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta. “”
Aos que são contra a palavra presidenta, peguem qualquer dicionário da lingua portuguesa e constatem por si só !!!!!!!!!! É simples !!!!!! É só ler !!!!!!!!!! Estudem !!!!!!!!!!
Opa, agora é “Chefa de Estado”. A brincadeira é assim: Quem chama-la de Chefe de Estado vira um tucano machista.
Alguém diz ou escreve “o Presidento”, por um acaso? Ainda que se respeite a preferência dela, não há erro algum em chamá-la a presidente, já que a identidade de gênero está firmada no artigo. Presidente só se tornou uma palavra tão identificada com o gênero masculino porque o cargo, até agora, era ocupado exclusivamente por homens no Brasil, história que está começando a mudar.
Média
Rasguem-se
O ser
O ser dos olhos sem cérebros
E das mentes deturpadas
E viciadas
Nas regras ditas e ditadas
Pela mídia que na média
Faz uma grande média
Mediando o sorriso
Dos bonecos uniformizados
E das canetas controladas
Desses veículos
Que já têm um texto modelado
E escrito
Com seus vistos
E revistos de um editor
Ah
Para sentir o sabor da língua
Precisamos é de conhecimento
E amor
E aos leitores que ignoram
Um A
No lugar de um E
Ah
Como faz falta
A leitura
Para interpretar
E aprender
(adenildo lima)
ps: Aos leitores que estão ignorando o artigo de Marcos Bagno, por favor, procurem sair da ignorância!!!
A língua, por ser um instrumento dos homens, é viva e pode mudar e se adaptar a culturas, fatos e acontecimentos históricos.
Neste caso específico, a palavra PRESIDENTA existe e está no dicionário. Quem não tiver preguiça pode dar uma olhadinha lá. A palavra não era usada, mas agora, diante da magnitude do fato histórico de termos uma mulher na Presidência, ela passa a fazer parte de nossa linguagem. Só quem deseja diminuir tal fato teima em não usá-la.
Parabéns!
Presidenta Dilma…isso mesmo.
ainda há quem diga pense apenas no masculino…
tempos de mudança
mãos em prece
Como as duas formas estão corretas ela pode demonstrar como gostaria de ser chamada e ponto final.
Se ela prefere ser chamada de Presidenta… esta é a forma correta no seu entendimento. No mais este tipo de discussão é completamente estéril.
Besteira como essa posta em discussão é algo de quem não tem o que fazer, dizer que é machismo é uma asneira sem tamanho. Aposto que isso só foi colocado em discussão pq a Dilminha prefere ser chamada de presidentA se ela prefere isso e a imprensa preferir presidentE então que seja respeitado o gosto de ambos.
Creio que ficaria no mínimo estranho nos referirmos a um telefonisto, assistento, ascensoristo, pacienta, etc.
E Lula era presidento e você, Marcos era inteligento. E essa Carta C. é isente, KKKKK
Desculpa Adriana e Caio, mas vamos deixar de burrice, na lingua portuguesa que eu saiba tem algumas excecoes. Olha mim desculpa por nao colocar os acentos nas palavras e que meu teclado e todo em ingles.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta.
A partir de hoje só chamo o Marcos Bagno de linguisto e e Mino Carta de jornalisto.
Como pode essa figura dar aula numa universidade? A que ponto chegamos!
Exatamente, a forma presidenta existe e é utilizada em outras ocasiões, mas só por ignorância e implicância, algumas pessoas não usam!
Seu texto é delicioso de ler!!
Como já disse Prof. Cipro Neto – vocÊ quer coisa mais feminina do que Mulher e como chamamos qdo ela é muito bonita – MULHERÃO
Sempre original e cortante, nosso Bagno.Excelente texto.
Contudo, entretanto, todavia…
Eis que surge uma nova questão: “Mita” ou “Mito”?
Nasce Uma “Mita” Global | Rousseff – ‘from’ Guerrilheira Aprisionada ‘to’ A Mulher Mais Poderosa do Mundo
“Brazilian President Dilma Rousseff: From Imprisoned Guerrilla Fighter to ‘The Most Powerful Woman in the World’” [LEGENDAS EM PORTUGUÊS]
http://seressemmedo.blogspot.com/2011/01/nasce-uma-mita-global-rousseff-from.html
Excelente texto do Marcos Bagno, como de costume. Parece que muita gente não entendeu e ainda tem coragem de questionar a competência do grande linguista. A resposta de muitos dos comentários contrários feitos está no próprio corpo do texto. Não é porque certas palavras não “existem” em nosso cotidiano que estejam erradas, até porque o conceito do que é errado é muito subjetivo e segue a regra imposta pelos dominadores.
Parabéns Bagno e salve a Presidenta.
O Latim apresentava três gêneros gramaticais: masculino, feminino e neutro. A palavra latina para bom ou boa podia aparecer das seguintes formas: bonus (masculino), bona (feminino), bonum (neutro). Em alguns casos, a forma do feminino coincidia ) com o masculino e do neutro (no caso gramatical nominativo,como, por exemplo, na palavra felix (feliz, alegre). Era exatamente esse o caso de praesidens. Praesidens é masculino, feminino (acusativo: praesidentem) ou neutro (acusativo: praesidens). A palavra latina é o particípio presente substantivado do verbo praesideo (infinitivo: praesidere). O verbo é composto de prae “antes” e sedere “sentar”. Aparentemente o significado original é “sentar-se antes” no sentido de presidir um encontro. Depois, passou a significar comandar, governar. O gênero neutro desapareceu, mas, essa característica herdada do latim sobrevive em palavras como “presidente”, “servente”, “doente”, “feliz” ou “grave”. Há até um nome para o comportamento desses adjetivos: ambigênero.
Por outro lado “senhor”, que vem do latim senior (que em latim significava “mais velho” ou “mais velha”), tanto em latim como em português antigo (nesse último já com o significado moderno de “senhor” ou “senhora”) era usado indiferentemente para se referir a homens ou mulheres. Na Cantiga da Ribeirinha, de Paio Soares de Taveirós do final do século XII ainda encontramos “Mia senhor branca e vermelha.”
Vale lembrar que o uso do gênero masculino para o plural coletivo é ou foi característica comum de todas as línguas indo-europeias e não apenas do português.
Enfim, a palavra presidenta introduz uma divisão de gêneros onde originalmente não havia.
É isso aí, a língua é viva e deve mudar com os avanços da sociedade… como nos EUA já mudaram “spokesman” para “spokesperson”ou muitas vezes leio “spokeswomsn” . Lá alias, é bem visto ser politicamente correto em termos de genero e raça … Aqui, tudo é uma novela. Claro, com essa elitizinha machistinha e branquinha, que adora uma picuinha …! Ainda que nao concordasse, os meios de comunicação deveriam ser , no mínimo, gentis com nossa presidenta que quer ser chamada assim, qual o problema? O partido dela? Deve ser …!
“Vampiro”, “bobo-alegre”… Calma, professor!
(Assim ficaremos pequenos como aqueles que escrevem “presiDANTA”…)
De todo modo, sua resposta à burrice generalizada (transcrita abaixo) diz o principal: muitos, muitos, muitíssimos daqueles que criticam o tal analfabetismo do Lula (e de seus pobres eleitores) mal sabem ler e piormente escrever.
E viva o Brasil!
Marcos Bagno disse:
11 de janeiro de 2011 às 14:08
RESPONDENDO AOS QUE NÃO SABEM LER DIREITO. Nem eu nem Dilma estamos propondo invenção ou novidade na língua portuguesa. Está lá no meu texto: os dicionários e as gramáticas registram PRESIDENTA desde sempre. Para aqueles que acham que é nos dicionários e nas gramáticas que estão as formas corretas da língua, fica evidente que PRESIDENTA é perfeitamente certo! De fato, a deficiência de leitura é um grave problema no Brasil. Aos que pensam que estou propondo coisas do espanhol para nossa língua, vão estudar um pouco antes de proferir tantas tolices. E quem acha que a partir de agora vamos dizer GERENTA, TENENTA, ASSISTENTA, é isso mesmo!! Nunca tivemos uma mulher na presidência, isso é um fato histórico memorável. E é graças a fatos históricos memoráveis que a língua se transforma. Por fim, aos que pedem que eu abandone a universidade, recomendo que leiam com atenção as coisas que escreveram, onde fica evidente o desconhecimento de algumas regras básicas da escrita.
Pois, como diria Collor de Melo:“dola a quem doler“,se tem maioria mulheres, eu falo “meninas“`para o grupo. Em sala de aula em qualquer espaço…E claro, Presidenta, ora bolas.
Façam-se entender e poupem os leitores do veneno, tucaninhos.
E se se opuserem a qualquer posição do autor, argumentem, por favor.
Vocês diminuem o debate e isso já está ficando cansativo.
Eita cabeça Sarah Palin, hein? cuidado pra não sair colocando alvo em fotos de deputados governistas. Me deu uma crise de risos ver a quantidade de comentários desesperados aqui. Não só o colunista está certo como desde 1943 o Pequeno Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia B. de Letras publica “presidenta”. Assim como o Houaiss e o Aurelio já publicam presidenta desde o começo da década passada. Não vamos começar uma neurose arizonesca por aqui!
Se tivesse que ocorrer alguma especificação de gênero na língua, tem que ser a do gênero masculino. Presidente, caros, não diz que é masculino ou feminino, é um substantivo de dois gêneros. E não há um masculino, apenas o feminino: presidenta.
Êta cara porreta (se quiserem pode ser porreto também, sem stress!). Mais porreta que ele só a nossa PRESIDENTA.
Pergunta para Heloísa: De que “regime democrático” você está falando?
Esse linguajar parece das chamados “filhotes da ditadura”.
Alguns leitores demonstram má-fé ou extrema ignorância ao se apegar às formas “videnta”, “depoenta”, etc, para contradizer o autor do artigo. Ocorre que “videnta”, “depoenta” e algumas outras “entas” citadas não existe no dicionário ou na gramática, ao contrário de “presidenta”. Também agem de má-fé ou com ignorância os que alegam que o autor não deveria buscar os exemplos na língua espanhola. Ora, ele apenas mostrou que, existindo o opção para o uso da palavra no feminino, essa foi a opção desses povos. Não sei se existe uma forma feminina de chamar primeira-ministra em alemão, mas se houver, provavelmente a utilizam e é isso que Bagno mostrou no artigo.
Para aqueles que desconhecem os particípios ativos como derivativos verbais,que continuem chamando a guerrilheira eleita sorridentA, de presidentA, atacantA de cofres e combatentA de regimes democráticos.
O que deve prevalecer: Presidente, Presidenta ou Presidento
Nós não falamos PresidentO, assim, não precisamos falar PresidentA. PresidentE é uma palavra neutra, quem afirma o gênero é o artigo que antecede a palavra. Assim, podemos falar Presidente Dilma e também Presidente Lula.
Se falássemos PresidentO Lula, haveria justificativa para falar PresidentA Dilma. Pessoalmente, creio que chamar de PresidentA Dilma, faz soar até que ela seja sapatão, além de doer no ouvido. Lembro ainda, que já existe várias mulheres presidentEs no Brasil (presidentE de associações, conselhos, turmas e câmaras judiciais) e no exterior (presidentE da Argentina e do Chile) e ninguém nunca as chamou de presidentAs.
Adoro nossa presidente e acho que fará o melhor governo da história do Brasil, mas acredito que foi infeliz quando preferiu ver seu nome antecedido da palavra presidentA.
PRESIDENTE O CERTO É PRESIDENTA ( Wikcionário )
Principe Princesa
Consul Consulesa
Deputado Deputada
Senador Senadora
Rei Rainha
Juiz Juiza
PRESIDENTA DILMA. (Não tem como mudar, só daqui a 4 anos, assim mesmo se reeleita continuará PRESIDENTA.
Ótimo, Marcos!
Sou professor de Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e tembém penso que toda transformação deve passar pela forma/conteúdo com que pensamos, fazemos e falamos das coisas, pessoas e relações. E, historicamente, o mundo centrado no homem (macho) foi quem deu o “tom” do que pensar, do que fazer e do que e como falar.
Obrigado, professor!
Jones Dari Goettert – UFGD
Na minha, opinião o texto é correto sob todos os aspectos, quais sejam:
1 – A palavra presidenta está correta, está prevista nos dicionários.
2 – O autor responde aos contraditores com bom humor e leveza, usando ainda de alguma ironia, diante muitas vezes de considerações agressivas ou grosseiras dos contraditores.
3 – Do ponto de vista da discussão da formação da língua, é correto afirmar que existem sim condicionantes de escolha das palavras e da maneira de falar, refletindo a situação social, ou seja, a língua pode refletir os preconceitos ou amadurecimento de uma sociedade.
Parabéns, Bagno! Sou tua admiradora há muito tempo e gostei do que li aqui. A mesma imprensa colonizada e ridícula que maltratou a esposa de Lula, tenta agora ignorar o ignorável. Vão ter que baixar a cabeça para a nossa presidenta, sim!
Roberto: Quais linguistas da USP e UNICAMP devo procurar? Os que sao a favor ou os que sao contra o acordo da Reforma ortografica da Lingua Portuguesa? Otimo texto, Marcos! Que povo mais inflexivel, pois nao sabem que a Lingua no mundo todo ‘sofre modernizacao’? Pois se for preciso sera: EstudantA, sim. VidentA, sim. DepoentA, sim. DependentA, sim e assim por diante…
Como se diz em Minas: “Os mininu lá de casa é tudo muié!”… Mas o autor está correto. Por que não? Língua é lei: pode ser votada ou revogada, sem problema algum. Nela, nada é imutável ou eterno. A língua é o que os homens querem que seja. Apenas os conservadores reclamam e têm saudade “da ocidental praia lusitana” gramatical. Bons tempos aqueles, não? Com um traço vermelho mostrava-se a verdade gramatical… Há poucas coisas a que os homens sejam tão apegados como a gramática: ela é centro, origem, destino, direção. Credo!que coisa. Desapeguem, gente (sic)! Como disse Oswald: “e vão fazendo teiados!”
Eu acredito que todo esse auê, nem tem tanto a ver com a Dilma mas com o “analfabeto” Presidente Lula. A crítica “velada” é a êle, me parece. Mas eu posso estar enganada. De qualquer modo, qualquer pessoa “alfabetizada e letrada”, que pudesse fazer uso de um suporte midiático, que estranhasse o tratamento deveria, antes de mais nada, ir em busca de um bom dicionário antes de espalhar esse clima de desinformação…que, convenhamos, me parece ser o objetivo afinal.
Fiz um breve texto com meu ponto de vista: http://aleatblog.wordpress.com/
Basear-se nos substantivos comuns de dois gêneros para desqualificar a defesa do uso de PRESIDENTA é argumento que não se sustenta. Nesse caso, forma masculina tem seu feminino, ao contrário de ESTUDANTE, VIDENTE, etc. Basta conferir no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, disponível no link http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23
“Procurem linguistas de verdade na USP e na UNICAMP, por favor.” rs… esse comentário provocou-me risos. Embora a USP seja uma extensão do conservadorismo, qualquer liguista da USP ou UNICAMP com menos de 60 anos dirá exatamente o que o texto diz. Caro, informe-se um pouco melhor e tente livrar-se desses seus velhos conceitos conservadores, esteriotipantes e esteriotipados.
às vezes, tenho dificuldades em entender a mente das pessoas! o que se pode perceber é uma banalização crítica que nos bons tempos serviu-se de algo para iluminar aquilo que para nós leigos só se expressa na sua forma ªconcreto aparenteª como diria Marx.
Roberto, crido, procure você próprio “linguistas de verdade na USP e na UNICAMP”, já que sua “brilhante” ponderação deixa entrever na figura-fundo o nada sutil ato falho, de que, nas duas instituições que você crê “o” máximo em sabiduria, não há linguistas de verdade…
Por que, antes de querer desabonar o professor da UnB autor do artigo, vossé não procura é conhecer sua (dele) trajetória acadêmica e literária, ó tucano bem-caído das alturas?
Fico triste em ver como a gande imprensa trata assuntos tão ínfimos,parece pirraça,mas tem nada não papai do céu está vendo as coisas lá de cima,ele sempre vê, por isso ela ganhou para presidenta.As pessoas precisam ser mais humildes,isso não leva a lugar nenhum pois o caminho a seguir é o da únião por um país ético na comunicação sem rancor,ódio e inveja.fico triste com o andamento da midia em relação a nação,como essa imprensa (PIG) será lembrada na história desse país…Coisa boa não será pois eles estão escrevendo o lado deles e com certeza será visto de forma negativa,coisa de 30 anos,está perto heim.Essa é minha opnião.
Um texto bastante cômico! Felizmente a opinião dos leitores salvou o dia. Que discussão de perseguição mais inócua! Se fosse seguir o raciocínio do autor do texto o ideal seria abandonar o português (a lingua portuguesa, se preferirem!) e adotar o esperanto, que por ser artificialmente criado tem formas fixas para terminação de substântivos (sempre em O), adjetivos (sempre em A) e conjugações (sempre em S)… até eu viajei nessa!
Hmmm… Eu jurava que quem fazia a língua era o povo que a falava, e não os linguistas. Se não me engano, o linguista exerce melhor sua função quando estuda a língua como ela é, como ela se dá, e não quando tenta engessá-la com regras imutáveis que, um belo dia, talvez venham a ser respeitadas somente por ele mesmo (ou ela mesma).
Antes de atribuir a pecha de “linguista incompetente” ao Marcos Bagno, talvez seja recomendável entender o tipo de linguística que ele pratica e defende.
O argumento me parece claro e extremamente razoável. Se uma parcela considerável dos falantes do português reconhece “presidenta” como “mulher que se elege para a presidência de um país”, a ponto de se encontrar essa acepção no dicionário (a definição que usei está no Houaiss), que mal tem? O termo não ofende em nada os meus ouvidos, nem os meus olhos.
“Se os países que falam Espanhol tratam como presidentA, melhor para eles, a língua deles tem essa abertura. Não é o caso do português brasileiro.”
Quanta ignorância.
“bobo alegre que desorienta…” foi ótima, valeu meu dia.
Marcos, parabéns.
Tantas coisas importantes para se preocupar!!! Tantas coisas relevantes para se ocupar!!! O falta do que fazer!!!
Desde quando tivemos um presidentO, para justificar uma presidentA? Presidente não define o gênero, mas sim o pronome que acompanha. ELA, Sra. Dilma, foi eleitA presidente. Não há, ao menos para mim, nenhum traço machista na manutenção do termo. Já o vampiro, ELE não foi eleitO presidente.
Que engraçado!! Quantos comentaristas reclamando que o autor do texto “não é um linguista de verdade”. Queria ver o diploma deles, já que pra fazer uma crítica assim tão aberta, tenho certeza que todos possuem pelo menos um título de doutor em linguística!!
Mais engraçado ainda são esses doutores em linguística afirmando categoricamente que o termo presidenta simplesmente não existe. O engraçado é que essa palavra já era grafada em alguns dicionários brasileiros ainda antes de Dilma ser sequer candidata. Desculpem prezados doutores em linguística, vou ficar devendo as fontes. Mas enquanto especialistas, tenho certeza que vcs não terão a menor dificuldade para averiguar essa informação!!
Por fim, a 10 anos atras a palavra deletar simplesmente não existia. Pode procurar no dicionário!! Alguém hoje tem dúvida de sua existência, de sua grafia ou de seu significado?? Podem consultar um dicionário, prezados doutores, se precisarem. Ora, se ela não existia a 20 anos, e existe hoje, é simplesmente pq hoje ela se tornou necessária à nossa língua. Oras, deveríamos nos orgulhar de hoje o termo presidenta se fazer necessário em nossa sociedade!!
Por ter “conteúdo” não chamarei esse artigo de “verborréia incontida”. Fico abismado ao ver que ainda existem pessoas cegamente crentes na pseudo-evolução da nossa “democracia”. A presidentE Dilma, mesmo ocupando o cargo que ocupa, não tem o direito de reformular sozinha a língua portuguesa. E não é jogo da “grande imprensa”, é o correto!
Durante a posse, um colega me ligou perguntando se a primeira reforma da nova PRESIDENTA seria a ortográfica. Respondi que o termo faz parte de meu léxico, que considerava comum e lógico seu uso. “Questão de gênero parceiro”, disse. Enfim, ai que preguiça…
parabens marcos, muito bom o texto.
E eu não entendo a crítica de alguns, como diz no texto, não é o homem ou a mulher que devem seguir a língua, pois ela(a língua) não é um agente histórico, e sim é a língua que deve seguir o homem ou a mulher. E se amanhã ou depois quisermos criar estudandA ou videntA ? qual é o problema ? Ou se esqueceram já do exemplo mais simples da nossa língua, de que é o homem e a mulher que definem a língua? Vossa Mercê >>>> Vosmicê >>> Você >>> Vc (não se assustem mas é muito provável esta nova forma). A questão não é simples Linguística, mas sim de começar a reparar um preconceito histórico e enraizado no Brasil, o machismo. Presidenta Dilma Já !!
Ambos os termos (presidentE e presidentA) são corretos ao se referir a uma mulher ocupante do cargo. Assim sendo, a Dilma tem o direito de escolher o termo pelo qual deseja usar, assim como a mídia tem o mesmo direito de escolha. A liberdade de expressão faz com que a mídia possa escolher o termo que achar melhor, seja por qual motivo for. Os argumentos utilizados pelo autor são exagerados e parciais.
Engraçado o Sr Marcos falar sobre a “grande mídia” não acatar a essa solicitação, sendo que a ÚNICA das emissoras abertas que transmitiam a posse que estava com o nome na TV a cabo “posse da presidentA” era a TV Globo que é, gostem ou não, a maior das mídias nesse país.
Pesquisar antes de escrever é bom, Professor.
RESPONDENDO AOS QUE NÃO SABEM LER DIREITO. Nem eu nem Dilma estamos propondo invenção ou novidade na língua portuguesa. Está lá no meu texto: os dicionários e as gramáticas registram PRESIDENTA desde sempre. Para aqueles que acham que é nos dicionários e nas gramáticas que estão as formas corretas da língua, fica evidente que PRESIDENTA é perfeitamente certo! De fato, a deficiência de leitura é um grave problema no Brasil. Aos que pensam que estou propondo coisas do espanhol para nossa língua, vão estudar um pouco antes de proferir tantas tolices. E quem acha que a partir de agora vamos dizer GERENTA, TENENTA, ASSISTENTA, é isso mesmo!! Nunca tivemos uma mulher na presidência, isso é um fato histórico memorável. E é graças a fatos históricos memoráveis que a língua se transforma. Por fim, aos que pedem que eu abandone a universidade, recomendo que leiam com atenção as coisas que escreveram, onde fica evidente o desconhecimento de algumas regras básicas da escrita.
Belo artigo! Bons argumentos! É uma pena saber que só agora tivemos uma presidentAAAAAA, sendo que muitos países da América Latina já a tiveram. Mas nunca é tarde para reverter a situação, vide a tremenda evolução que Lula proporcionou ao país.
Na hora de contratar alguém para tomar conta de sua casa, nenhum dos que aqui fazem piada com “estudanta, videnta” etc, dizem que vão contratar uma governante para sua casa.
Todos contratam uma governanta.
O feminino só pode ser usado se for para definir função subalterna?
E quando alguém diz que a opinião do professor da UnB não vale, só a dos da USP e Unicamp… Só valem as opiniões dos professores de SP?
Marcos Bagno é referência em linguística. Principalmente porque entende que a língua é, fundamentalmente, uma construção humana, marcada por ideologia e, assim, fenômeno político.
Parece que 3/4 dos comentaristas tem mesmo preguiça de abrir um dicionário, mas nem por isso querem perder a chance de mostrar seu “conhecimento” da língua.
“PresidentA” é português corretíssimo sim, desde muito antes do Lula. Por favor parem de ler os tablóides do PiG e abram os olhos (e ouvidos) para o mundo real
Pessoal, Marcos Bagno alerta que a língua escrita é invenção humana. E os “inventores” determinaram que o gênero masculino prevalecesse sobre o feminino. Isso não foi por acaso. Essa elevação do masculino sobre o feminino é uma imposição social. As mulheres sempre foram tratadas como ser inferior ao homem. Inclusive a Bíblia subordina a mulher ao homem.
Quando o Marcos Bagno defende o termo PRESIDENTA, ele quer, na verdade, quebrar preconceitos linguisticos que nós herdamos. Você é capaz de quebrar seus preconceitos e aceitar o novo?
Outra coisa: o feminino de PARENTE é PARENTE ou PARENTA. Então, não há nada demais sugerir que o feminino de PRESIDENTE seja PRESIDENTE ou PRESIDENTA como quer a Presidenta Dilma e como é registrado em dicionários.
As pessoas vivem nesse mundo sem contestar certas coisas. E quando vêem algo novo, acham que o novo é coisa abominável. A linguagem, minha gente, é viva, mutável. Sendo que no nosso mundo, há o preconceito de que se deve prevalecer o masculino sobre o feminino em todas as áreas, inclusive, no idioma.
O pior é quando vermos mulheres aceitando a dominação não sou na linguagem mas também no mercado de trabalho, na direção do trânsito, etc. Na posse da presidenta, o vice-presidente de 70 anos apresentou sua jovem esposa de 27 anos. Todo mundo achou isso natural. Se a presidenta Dilma apresentasse um marido jovem, muitas mulheres estariam condenando-a. A subordinação da mulher em parte se deve às próprias mulheres.
Marcos Bagno, parabéns. Sei que sua luta para quebrar não só esse preconceito mas outros vai gerar frutos. Conheço seus livros. Você ao lado de Olavo de Carvalho (autor do livro O IMBECIL COLETIVO) são duas pessoas que geram trabalhos maravilhosos. Gosto de vocês dois.
Nunca vi maior absurdo.
Existe a forma presidenta sim, porém não faz sentido politizar uma discussão linguística nestes termos. Como linguista você deveria saber que a palavra ‘presidente’ não é masculina. Assim como estudante, cliente e muitos outros exemplos já citados.
É verdade que a lingua portuguesa está cheio de exemplos de machismo, como todas as outras linguas também, mas não no caso de palavras terminadas em -te.
Afirmar que a grande mídia quer negar o fato de termos uma mulher na presidência me parece muito superficial e bastante incorreto. Trata-se de uma questão pessoal do autor do texto. Já li artigos aqui na CartaCapital onde foi usado o termo ‘presidente’. Assim como já li artigos no O Globo onde aparece a palavra ‘presidenta’.
Tentar rotular aqueles que preferem user ‘a presidente’ como direitistas, reacionários, machistas, etc é simplesmente um absurdo.
Acho uma bobagem achar que introduzir de vez em quando um “(a)” ou coisa parecida (“bom dia, A TODOS E TODAS”) possa fazer alguma diferença. Em 1º lugar, pq isso, obviamente, NÃO MODIFICA A LÍNGUA. Se temos problema com o neutro masculino, salpicar palavras femininas de vez em quando nao vai modificar qual é o genero neutro na nossa lingua. Só vai afirmar que, quando usamos o neutro masculino, referimo-nos somente aos homens. Ou seja, esse tipo de revolta é, na melhor hipótese, totalmente inócua e, na pior hipótese, prejudicial. NINGUÉM consegue fugir de utilizar o masculino como neutro na fala, é impossível, nossa língua é assim. Se nos revoltamos tanto com ela, deveriamos pensar em uma maneira de modificá-la de verdade, nao nessas pseudorevoltinhas q só servem pra dar ares de politicamente correto.
não é pela vontade de uma pessoa (Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada) que as regras do portugues serão alteradas. A linguagem se modifica de acordo com a necessidade do meio e dos falantes e não pela simples vontade de uma pessoa, por mais poderosa que seja.
Então devemos começar a chamar as mulheres inteligentes de “inteligentas”? Pq, obviamente, o “e” no final denota que sempre se considerou que somente homens pudessem ser inteligentes? O “e” costuma ser neutro na nossa lingua! Obviamente, se diz “deputadA”, “senadorA”, “governadorA”, pq as terminações “or” e “o” são, tipicamente, do gênero masculino. Isso não acontece com “presidentE”! E
Parabéns Marcos Bagno, deste um banho de linguística!
Olá prof. Marcos Bagno. PARABÉNS PELO TEXTO! Quando entrei na Usp em 2001 passei o primeiro semestre reprogramando a mente em relação à línguas e literatura. Seus textos abriram minha visão sobre a língua e a linguística. Como militante de esquerda e sindicalista, sempre digo que TODAS AS ESCOLHAS SÃO POLÍTICAS, INCLUSIVE AS TÉCNICAS! O resto é tecnicalidades e blá-blá-blá usadas pelo status quo contra o povo… As chamadas decisões “técnicas” nunca olham o que deveria ser o mais importante na vida e na sociedade – a humanidade toda. Como sindicalista, nunca gostei dessa ideia de ficar pondo “a” em tudo e duplicando palavras em dois gêneros, pois já vi passarem horas em congressos de trabalhadores discutindo isso e deixando a pauta em segundo plano. Mas, pelos argumentos de seu texto, somados ao desejo de nossa presidente Dilma, e lembrando que a língua é fato social, passo a chamar a partir de agora as presidentas de “presidenta tal”. Obrigado pela aula, William Mendes
Esse texto é pura politicagem, falando de modo depreciativo da “grande mídia”, mas esquecendo que Carta Capital não tem outro objetivo senão ser uma revista de grande mídia, mas oposta à Veja.
E querer usar o termo “presidenta”, considerando em termos absolutos que quem se recusa a usar é “contra a Dilma”, “contra o PT”, “contra a mulher”, é feminismo barato, dos mais ignorantes.
Avanços nos direitos da mulher se dão quando em educação, cultura e cidadania, não em gramática.
Se a “grande mídia” tem algo contra o PT e Dilma, não será por grafar “presidente” que perceberemos isso, mas em textos recheados de pseudo-argumentos e agressões anti-jornalísticas.
Aliás, disto este texto está cheio. Vide o trecho “e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora”. O jornalismo não precisa dessa coisa barata. A Veja faz a mesma coisa, mas atacando o lado contrário. Lamentável…
Em inglês é president, doctor, director etc. Não há variação de gênero, serve tanto para o masculino como para o feminino. Por que teríamos que copiá-los, se nas línguas latinas existe a inflexão para gênero? E se existe, por que não usá-la? Será que temos sempre que copiar os nossos irmãos do norte, como autênticos macaquitos? É PRESIDENTA, SIM!
Por favor, alguém chame um linguísta de verdade!!!
Como se fosse pouco as asneiras tendenciosas, se vale de argumentos falsos:
Dilma não adotou a forma presidenta nem oficializou nada; na página oficial da Presidente está PRESIDENTE logo abaixo da assinatura dela.
Se ela oficializou alguma forma, é a que está abaixo de sua assinatura…
votei em Dilma. Respeito o seu desejo de ser chamada presidenta. Acho, entretanto, absurdo que uma revista desrepeite o outro candidato comparando-o de forma pejorativa a um vampiro, e um consultor de jornal de bobo.
Respeito é essencial.
Não sei por que as pessoas ficam brigando por causa da presidANTA e do Marcos Bagre-no, digo, Bagno. Coisa de português…
Desde quando o Canadá francês é “incomparavelmente mais moderno e democrático que a França”?
Marcos Bagre-no, digo, Bagno chamando Pasquale Cipro Neto de “bobo alegre q desorienta a Folha”. Inveja, ressentimento e amargura são uma m*…
Desde quando o que está em questão é o partido da presidANTA? Se uma tucana ou a Marina Silva, a palavra presidENTA continuaria, ao mesmo tempo, sendo incomum/estranha aos ouvidos e sendo permitida – NÃO OBRIGADA – pela língua portuguesa.
Mais uma vez a CartaMarcadaCapital cumpre o seu papel de subserviente aos PTralhas.
O texto começou bem, mas acabou na antiga mania dos esquerdistas de achar que vivem em um mundo cheio de teorias da conspiração! Ninguém está tentando ‘desinformar’ nada. Foi apenas uma questão de escolha fonética. E que para muitos, inclusive para mim, presidentE soa muito melhor.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Quanta bobagem! Quem preside é presidente, que gere é gerente, quem reside é residente… Não há definição de gênero nessas palavras. Pode ser a gerente ou o gerente; pode ser o residente ou a residente; pode ser o presidente ou a presidente. O -e serve justamente para conotar a neutralidade de gênero entre o -o(que caracterizaria o masculino) e o -a(associado a palavras femininas).
Gênio, gênio, Marcos Bagno é gênio! Vale a pena comprar todos os seus livros sobre lingüística/gramática/língua materna, são de uma beleza sem igual, sempre se utilizando de diversas intertextualidades e criticando duramente a positivação da língua: a gramática.
Impressionante o que acontece no Brasil! Eu assino a Folha e a cada dia eu percebo que eu sou meio sadista! Me sinto incomodada com 95% das coisas que leio por lá, mas mesmo assim, todos os dias estou eu lendo os articulistas do jornal! Isso porque eu estudo jornalismo numa faculdade considerada de esquerda, embora eu ache eles um bando de hipócritas. Mas enfim, aprendi com meu professor de Linguística, o Bruno Dallari, que a língua é uma forma de nos impormos… e é isso que a “grande mídia” faz (ou tenta fazer). Um belo exemplo, Marcos, esse que você levantou sobre a Dilma. Está difícil deles engolirem que ela conseguiu. E como se fosse criança mimada a “grande mídia” ignora… ignora… e faz de tudo pra mostrar a famosa “birrinha”. Ainda bem que isso pra nossa querida Dilma soa como brisa leve, praticamente inexistente.
Ao meu ver, Marcos está equivocado. Não é a vogal ‘e’ ao final da palavra que determina se ela é masculina ou feminina. Por isso que se fala ‘o Presidente’ e ‘a Presidente’ e não ‘o Presidento’ e ‘a Presidenta’. É um absurdo que seja misturada a gramática com machismo e feminismo. Desde quando ‘Presidente’ é masculino, já que a gramática intitula ‘Presidente’ como uma palavra comum de dois gêneros? Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Seria melhor se Marcos estudasse a língua portuguesa e deixasse de escrever baboseiras baseadas na sua opção política, que aliás, assim como futebol, não se discute.
O Blog do Passarinho Pentelhão publica 2 posts:
‘Pentelhão publica o decálogo do ‘jornalismo companheiro de direita’ praticado pelo PIG’
‘Noblat, em ato falho, confessa que ele, bem como todo o PIG, desejava que houvessem retaliações políticas e econômicas contra o Brasil por causa de Cesare Battisti’
http://passarinhopentelhao.zip.net
Twitter: ppentelhao
Esqueçam a política. Pensem só em termos linguísticos. Que texto horrível !!!! Teremos então tenentas no exército, ou superintendentas nos órgãos públicos? Uma mulher celebrando uma função qualquer, será uma celebranta? A Dilma querer ser chamada assim, tem viés ideológico, é possível compreender. Mas um linguista defender isso é o cúmulo !!! Lamentável !!!
Que venham as tenentas, as superintendentas, as videntas, as celebrantas, as comandantas, as ouvintas… é uma palhaçada sem tamanho…
Mulheres, não precisamos disso !!!! O que precisamos para concretizar a igualdade em dignidade e oportunidade são ações concretas, não essa babaquice pseudo-linguística!!!
O fato de estar na parte de política já diz muito, mas não fico aí.
Li o texto “Presidenta, sim!” já com aquele gosto estranho na boca, olhares de gato escaldado,
leitura de quem já sofreu o livro “preconceito linguístico: o que é e como se faz”.
Notícia velha, argumentos ralos mau usados e, MENTIROSOS?!?!?! Sim, mentirosos…
cito:
Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias
do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa
“grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital,
decide usar única e exclusivamente presidente.
Pois bem, no site http://www.dilma.com.br a página oficial da Presidente, aparece, caro Marcos Bagno, a “1ª MULHER ELEITA PRESIDENTE DO BRASIL”
Leia mais antes de escrever…
ih, abaixo da assinatura dela: “Dilma Rousseff 1ª MULHER PRESIDENTE DO BRASIL”
Pois é, caro Marcos Bagno, ela assinou embaixo…
É tanta gente gastando tempo e dinheiro com essas baboseiras que me enoja. Mas, comparado a Marcos Bagno, quem sou eu? mero graduado em Letras, sou apenas um estudante.
Resta-me rezar como os judeus e dizer: “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”. pois não suportaria ser chamado de estudantA.
Custa-me entender como “linguístas” assim insistem em ter espaço, sobretudo em veículos respeitados, como é a CartaCapital.
Não bastasse o simplista e altamente preconceituoso livro “Preconceito Linguístico”, Marcos Bagno é a reprodução de tudo que diz repudiar na “grande mídia”: arrogante, pretensioso, tendencioso, além de usar ofensas gratuitas e mostrar um incurável olhar reducionista e pouco conhecedor das origens e dos porquês da Língua. Bagno é, irremediavelmente, mais do mesmo.
Que criem então a palavra Presidenta e acabou a ladainha! Essa mídia suja…gosta é de avacalhar! A Folha é um lixo…vão quebrar….lento e contínua será a destruição desse tipo de desinformação!
Parabens Marcos. Parabéns Carta! :_)
BOBEIRA COM ESTA É COISA DE QUEM NÃO TEM O QUE FAZER… NÃO PERDEM TEMPO EM CRITICAR A FOLHA, HEIN?. A IMPRENSA NÃO TEM QUE FAZER AS VONTADES DA PRESIDENTE SÓ PQ ELA GOSTA DESER CHAMADA DE “PRESIDENTA” SE AMANHÃ OU DEPOIS FOR ELEITA OUTRA MULHER E ESTA QUERER SER CHAMADA DE PRESIDENTE TERÁ QUE SER MUDADA A FORMA DE CHAMÁ-LA SÓ PARA SATISFAZÊ-LA A SUA VONTADE? AÍ JÁ É BAJULAÇÃO POR DEMAIS, PARABÉNS AOS JORNALISTAS QUE CHAMAM DILMA DE PRESIDENTE, POIS SÓ AÍ JÁ MOSTRAM A ISENÇÃO DE SEUS TRABALHOS.
O Brasil inteiro, todas as mídias, sempre tratou todas as outras presidentes da Am. Latina e do mundo com o título de PresidentE, inclusive a Carta Capital. Se os países que falam Espanhol tratam como presidentA, melhor para eles, a língua deles tem essa abertura. Não é o caso do português brasileiro.
Eu me esbaldo com as leituras dos textos do Bagno. Amo esse bom humor!
É verdade que a nossa cultura privilegia o homem, até na língua.
Considero válidas, também, vários tipos de ação afirmativa.
Cotas, OK. Agora, essa empáfia vernacular é demais…
Prioridades primeiro! Isso aí é uma distração. Prefiro fazer palavras cruzadas…
Menos paixão e mais razão, amigos. Quando eu cursava economia, a Carta Capital sempre foi venerada por ser imparcial e justa, ao contrário da Veja que mesmo tendo corpo editorial de respeito sempre seleciona suas noticias conforme seus interesses, e agora vemos um embate sobre como se referir à mandatária do executivo? Como se isso fosse a coisa mais importante do mundo…
Não importa como você fale ou se expresse, o importante é ser entendido. Para o eleitor tanto faz presidentE ou presidentA, mas sim o que essa pessoa faz em prol da nação, é hora de arregaçar as mangas e fazer algo pela saúde, pela segurança. Se se quer acabar com a extrema pobreza basta revolucionar a educação. Não votei na Dilma, mas espero e torço pra que ela faça história realmente.
Bravo, Professor! Não só pelas observações sobre o comportamento da mídia (a meu ver, de todo pertinentes), sobre o comportamento dos políticos (lamentável, principalmente quando revestido de altos ideais), menos ainda pela questão gramatical e muitíssimo pelo ranço (bota ranço nisso!) contra as mulheres (contra os negros, contra os gays, contra…), perigosíssimo, tão perigoso como uma sentença de morte muitas vezes. É tão salutar refletir sobre o amestramento a que estamos todos submetidos! E isso você faz muito bem, para sorte nossa. Grata! O Luiz (o da estudantA, videntA, depoentA…), acho que “não pegou bem o espírito da coisa”.)Acordemos!
É nóis vévi nu brasiu intão viva a presidenta!
Estava reticente, mas agora, ao ler o artigo, do Prof.Dr.Marcos Bagno, vou atender ao pedido da Presidenta Dilma Rousseff. Vou fazer isso não porque eu seja uma “vaquinha de presépio”, mas por concordar com os argumentos desse linguista. As formas femininas não existem para algumas formas de gênero, porque simplesmente as mulheres não acupavam esses postos. Agora que ocupam, vamos criá-las, imediatamente, para fazer a língua cumprir seus papel, ao atualizar-se sempre que houver necessidade. Valeu, professor!
Bravo, Marcos! Não só pelas observações sobre o comportamento da mídia (a meu ver, de todo pertinentes), sobre o comportamento dos políticos, menos ainda pela questão gramatical e muitíssimo pelo ranço (bota ranço nisso!) contra as mulheres (contra os negros, contra os gays, contra…), perigosíssimo, tão perigoso como uma sentença de morte muitas vezes. É tão salutar refletir sobre o amestramento a que estamos todos submetidos! E isso você faz muito bem, para sorte nossa. Grata! O Luiz (o da estudantA, videntA, depoentA…), acho que “não pegou bem o espírito da coisa”.)Acordemos!
Tenho pena de quem leu babaquices nestas palavras. Aplaudo-te, professor. Agora, e sempre.
Lembre-se a SUA PRESIDENTA foi elita com 56,05% dos votes válidos, e não de todos os eleitores.
Aplicar sua Ira em uma pessoa, só por que voce a ache parecida com vampiro…..
Essa intloerancia é sinal deste partido PT, isso tem de acabar, ser
Democratic não é sizer SIM é saber falar NÃO, aos passaportes, as ferias Em area militar…..
É saber que a historia começou antes de Lula e não com ele.
Fico muito triste de ver pessoas a levar ao lado pessoal a apartheid dos outros, isso sim é racismo: se não sou bonito, não presto.
O uso da palavra presidenta não faz sentido nenhum. Até agora, todos os meios de comunicação do Brasil, e aposto que inclusive a Carta Capital, trataram tanto Cristina, Laura, Bachelet e Violeta como presidentes. Reitero o que o Roberto comentou: Só concordo com o “tucano com cara de vampiro” porque de resto, só babaquices.
Sempre que leio textos do Marcos Bagno me deparo com argumentos tendenciosos e, por vezes, mentirosos (ia dizer inverdades, mas isso seria amenizar barbaridades)
Ele escreve que “Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada.”
Porém, no site oficial da Presidente, não só temos o título do site (aquele nome que aparece na aba do navegador) “Presidente Dilma” como também, no topo do site, a frase “1ª MULHER ELEITA PRESIDENTE DO BRASIL”
Minha intenção não é difamar Marcos Bagno, mas alertar seus ávidos leitores parar que leiam com olhos críticos (não precisa deixar de ler, como eu, apesar das constantes decepções com seus textos, não o faço)
Marcos Bagno usando como argumento as formas existentes no outros países da América Latina. Por favor, deixe sua cadeira na Universidade e vá dar aulas de portunhol.
Que tremendo absurdo. E ainda “lambe” a poeira dos pés desta revista. Procure um especialista.
Excelente texto! Os argumentos são certeiros e esclarecedores. Muito agradável de se ler.
Parabéns!
Marcos Bagno e suas perolas!!
Muito bom!
Fantástico texto, Marcos!
Não me admira que a imprensa tenha se negado a chamar a presidenta de presidenta. Conservadorismo e machismo comandam a cabeça desse pessoal que acha que o país é deles.
Para completar o comentário da Lenir: ninguém chama doutora de doutor, mas conforme disse o Luiz, ninguém diz estudanta, videnta, depoenta, etc… O Marcos Bagno não tem razão. Procurem linguistas de verdade na USP e na UNICAMP, por favor.
Excelente ideia, Luiz… eh eh eh
Eu assino: Dilma PRESIDENTA!
Grande Marcos Bagno!
Agora me bateu uma saudade da FFLCH!
Só concordei com o “tucano com cara de vampiro”. Na parte de linguística, a qual o docente deveria ter pleno domínio, só li babaquices.
Excelente texto Marcos! Cansa essa grande imprensa fazer o que quer com argumentos tão míseros!
Até que enfim alguém diz o que já estava me deixando puta.Marcos, você está coberto de razão.Ninguém chama doutora de doutor, então porque vamos chamar a nossa Dilma de presidente , se ela é mulher?È o preconceito que recheia o cérebro dessa mídia amestrada.São cachorros e cachorras latindo ao comando do patrão.Nossa Presidenta é maior que eles e elas, porque tem muita cristiana lobo e renatos por ai dizendo presidente Dilma.São uns amestrados mesmo.Essas jornalistas que chamam a Dilma de presidente não se dão o respeito.Parabéns Bagno.
Esta publicação responde aos meus anseios de quebrar esse imaginário machista que ratifica o que lhe favorece.
Que bobagem hein.
Estão a partir de agora teremos:
estudantA, videntA, depoentA, dependetA e assim por diante….
heheheh
27.04.2012
Regras claras e fiscalização eficiente são um empecilho à atuação do setor privado ou um atrativo para investidores, além de garantir a segurança dos consumidores? É o que este seminário da série Diálogos Capitais irá mostrar.
Propriedades que mantêm trabalho escravo serão desapropriadas; Frente Parlamentar da Agropecuária foi contra o projeto por entender que há distorções
Bicheiro diz ter “muito a dizer”, mas que só falará futuramente. Sua defesa, comandada pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, vai tentar anular as investigações
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que mostra adorar transações imobiliárias, entrou em acordo com a BR Petrobras [...]
A democracia, no Brasil, reclama a igualdade em sentido amplo, e particularmente entre negros e o restante da sociedade
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