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PR deixa bloco do governo no Senado

por Redação Carta Capital — publicado 03/08/2011 19h41, última modificação 03/08/2011 21h06
Sem a legenda do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, grupo liderado pelo PT perde a maioria na Casa

Insatisfeito com a exposição negativa provocada pelas "demissões a conta-gotas" no Ministério dos Transportes, na faxina ordenada pela presidenta Dilma Rousseff que culminou com a exoneração de 27 funcionários da pasta - inclusive o ex-ministro Alfredo Nascimento -, o Partido da República (PR) oficializou a saída do bloco do governo no Senado na quarta-feira 3.

Na terça-feira 2, em seu retorno ao  Senado, o ex-ministro mostrou-se ressentido com o governo em um discurso de 45 minutos. No pronunciamento, Nascimento afirmou que as denúncias de corrupção responsáveis por sua demissão eram “mentiras infundadas”. “Eu não sou lixo, meu partido não é lixo”, disse.

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Com a decisão, os sete senadores do PR estão livres para votar sem seguir as orientações do Planalto. Porém, segundo o líder do PR, o senador Magno Malta, o partido ainda mantém o apoio à presidenta Dilma Rousseff, embora este não seja mais “incondicional”.

Sendo assim, o senador Blairo Maggi (PR-MT), empresário do agronegócio e um dos maiores produtores de soja do mundo, poderia, por exemplo, adotar um postura mais ostensiva contra o texto do Código Florestal defendido pelo governo.

A saída do PR do bloco do governo desfalca o grupo liderado pelo PT no Senado, composto por PDT, PSB, PC do B e PRB, com 24 senadores. Agora, o bloco do PMDB (PP, PSC, PMN e PV), partido da base aliada com o qual o governo vem tendo atritos, possui a maioria na Casa com 28 cadeiras.

Investigações

Malta afirmou que a presidenta Dilma Rousseff terá de explicar por que demitiu "todo mundo" baseada "em uma notícia de jornal". "Todo tratamento tem de ser isonômico. Pau que dá em Chico também tem de dar em Francisco", declarou ao jornal Folha de S. Paulo.

Sobre a "influência" da imprensa em suas decisões, Dilma aproveitou o lançamento do Plano Brasil Maior, em Brasília, na terça-feira 2, para destacar que não iria "se pautar por medidas midiáticas” para lidar com casos de corrupção em seu governo.

A declaração da presidenta ocorre no momento em que aparecem suspeitas de corrupção no Ministério da Agricultura. Na esteira das denúncias, o PR defendeu a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a pasta controlada pelo PMDB.

Enquanto isso, a CPI dos Transportes, que investigaria as denúncias de corrupção na pasta, foi derrubada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na tarde de quarta-feira. O requerimento precisava da assinatura de 27 senadores, mas conseguiu o apoio de 25.