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Política

Terceira via

Por que Marina Silva não cresce nas pesquisas?

por Celso Marcondes — publicado 09/09/2010 18h04, última modificação 10/09/2010 10h10
A candidata do PV não sobe, nem desce nas pesquisas. O que explica essa situação?
A ética sustentável

Em entrevista publicada na edição de fevereiro de CartaCapital a senadora Marina Silva dizia não temer ser vista como uma candidata com ideias apenas para o meio ambiente. “O desenvolvimento sustentável pressupõe ter propostas com critérios de sustentabilidade para todos os setores”. A Cynara Menezes. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em todas as pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais, de todos os institutos, há um dado que se mantém praticamente imutável há meses: o das intenções de votos em Marina Silva nas pesquisas estimuladas, sempre entre 8 e 10%, dentro da chamada “margem de erro”.

A 25 dias do pleito, qual a razão deste fenômeno? Acredito que são três os motivos básicos. O primeiro deles vale para explicar também a queda de Serra nos últimos levantamentos: a força do presidente Lula e seu governo e a transfêrencia de prestígio para sua candidata Dilma Rousseff é um fato, a maioria da população está satisfeita com a situaçãodo País.

O segundo se situa no terreno da estrutura: Marina entrou na briga sózinha, sem qualquer coligação a ajudar seu frágil PV, sem dinheiro, sem tempo na tevê. Diante dela, desde o primeiro momento, dois adversários em situação opostas em todos estes quesitos.

O terceiro motivo, de outra natureza e menos óbvio, é o que vale debater. A base do programa de governo de Marina e matriz de seu discurso é a defesa de um desenvolvimento economicamente sustentável para o País(e para o mundo). Não é uma tese de fácil compreensão - ou digestão - para a grande maioria do eleitorado de um país em desenvolvimento, ainda com problemas gravíssimos a serem resolvidos na base de sua pirâmide social.

Os dados estratificados das pesquisas mostram que Marina encontra seus melhores índices nas grandes metrópoles, nas cidades mais desenvolvidas, junto ao eleitor mais escolarizado e nas maiores faixas de renda. Em alguns destes centros ela pula para 17 ou até 20% das intenções de voto.

Ocorre que este eleitorado já foi cativado por Marina desde o começo da campanha, quando ela ainda era conhecida de menos na metade da população. Uma parte deles é composta por ex-petistas, que já haviam rompido com o partido. Com o decorrer da campanha, apesar de sua pequena estrutura e de seu exíguo um minuto no horário gratuito do TRE, muito mais gente passou a saber quem é ela. Mas não passou para seu lado. Ficou entre Dilma e Serra. Até que Dilma se distanciou de Serra, ganhando os votos dele e dos indecisos, mas não os de Marina. Que também, até aqui, não conseguiu roubar nada do tucano em queda.

Além de ter como base de seu discurso uma tese ainda distante para quem não resolveu seus problemas mais elementares, o PV procurou se posicionar como uma “terceira via”, alternativa aos dois grandes partidos que polarizam as eleições presidenciais faz muito tempo. Ocorre que boa parte do público cativo do PSDB está satisfeito com ele, principalmente em estados como Minas Gerais e São Paulo, são os cerca de 25% dos eleitores, que Serra ostenta hoje nas pesquisas. E do outro lado, os 25 ou 30% dos eleitores cativos do PT – que não estavam em busca de nova via – foram acrescidos daqueles ganhos por Lula e seu governo e que extrapolam o partido. O que se convencionou chamar de “lulismo”. A soma de petistas com lulistas é maior que 50%, hoje já estampados nas pesquisas.

Vai daí que ficou muito limitada a faixa aberta para Marina correr. Aquela composta por descontentes com o governo Lula, com o PT, com o PSDB e ao mesmo tempo capazes de assimilar e de concordar com a defesa do desenvolvimento economicamente sustentável. Mesmo que defendida por uma candidata séria, só que sem os recursos dos concorrentes. Até aqui, 10% dos eleitores.

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