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Política

Protesto em SP

"Pôr fogo em lixo e fechar rua não machuca ninguém"

por Lino Bocchini — publicado 06/06/2013 23h35, última modificação 07/06/2013 10h46
"Violência foi o que a polícia fez", diz militante do Movimento Passe Livre, que liderou o ato contra aumento do ônibus em SP nesta quinta-feira.
Ninja (CC BY-SA 2.0)
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tropa de choque da Polícia Militar fechou a Avenida Paulista

O ato contra o aumento da passagem de ônibus (que subiu para R$ 3,20), que na quinta-feira 6 fechou três das principais avenidas de São Paulo, foi convocado oficialmente pelo Movimento Passe Livre. O MLP já realizou dezenas de manifestações contra aumentos de passagens nos últimos anos. Na última, chegou a fazer mais de 10 atos, um por semana, alguns deles na frente do prédio onde mora o então prefeito Gilberto Kassab.  Boa parte das pessoas que esteve hoje no ato que fechou, em diferentes momentos as avenidas 23 de Maio, 9 de Julho e Paulista, entretanto, não tinham ligação com o movimento. A seguir, uma conversa exclusiva com Caio Martins, 22 anos, estudante de história da USP, e uma as lideranças do Movimento do Passe Livre:

CartaCapital - Caio, por favor conte como foi o dia de hoje.

Caio Martins - Às 16h nos encontramos no teatro Municipal, e a marcha saiu. Passamos pela Prefeitura umas 18h, e seguimos pro Anhangabaú. Aí descemos pra avenida 23 de Maio, e bloqueamos todas as faixas no sentido zona oeste, tinham barricadas de fogo e umas mil pessoas. Começou a tensão com a polícia, muitas bombas de efeito moral, que estilhaçam, e de gás lacrimogêneo. O grupo então se dispersou, e depois nos reagrupamos inteiros na 9 de julho. Fomos bloqueando ela toda, sentido Paulista, subimos ali pelo Masp. Ocupamos a Paulista toda e o choque marchando atrás, jogando bomba. E a gente na frente, fazendo barricada de lixo, botando fogo, correndo até o hospital Osvaldo Cruz [no final da avenida], onde armamos uma assembleia. Íamos começar a conversar e caiu uma bomba no meio da assembleia. Aí foi um pra cada lado, um pedaço entrou no shopping Paulista, outros andaram pelas ruas da região fazendo mais barricadas [com lixo e fogo]. Tinha gente do MLP, mas muita gente veio por conta dos chamados do Facebook e outros tantos que estavam passando e decidiram aderir também. Ficou claro que a população de São Paulo não aceita o aumento da passagem de ônibus.

CC - O que você fala sobre a depredação, fogo em lixo, pichação, lixeiras viradas, vidros quebrados?...

CM - Fogo e depredação aconteceu mesmo depois que a polícia chegou jogando bomba. Pôr fogo em lixo e fechar rua não machuca ninguém. Violência foi o que a polícia fez. Mas não vamos parar. Amanhã tem mais, já está marcado: 17h no Largo da Batata [Pinheiros, zona Oeste de São Paulo].

CC - E vão para que lado, vão parar a Marginal?

CM - Quem sabe...