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Juíza de Rio Claro terá proteção

por Redação Carta Capital — publicado 13/01/2012 14h26, última modificação 13/01/2012 17h14
Medida foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após explosão em fórum

A presidência do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou a requisição de escoltas para dar proteção à juíza diretora do Fórum de Rio Claro, Cynthia Andraus Carretta, e a outras duas magistradas.

O pedido foi feito depois que a magistrada recebeu um pacote com explosivos na tarde de quinta-feira 12, deixado em sua mesa. A secretária estranhou a encomenda, mas não conseguiu identificar quem deixou o material no fórum. A bomba endereçada à juíza explodiu dentro do fórum deixando dois funcionários feridos.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, o episódio aconteceu na quinta-feira 12, por volta das 13h30, quando uma funcionária do fórum encontrou um embrulho em uma mesa que estava no corredor onde fica a sala em que ela trabalha e estranhou o pacote, que estava endereçado à juíza.

A secretária perguntou a um guarda civil metropolitano, que estava na recepção, quem teria deixou o embrulho ali, mas ele soube responder. Depois, o embrulho foi entregue a outros dois guardas que, ao abrirem o pacote, acionaram o explosivo. Os dois ficaram feridos e foram encaminhados ao Pronto-Socorro da Santa Casa da cidade. A bomba caseira estava em um pacote com desenhos natalinos e era feita com pregos, parafusos e rolemãs. Na caixa, havia ainda um Papai Noel, que foi usado para acionar o explosivo.

Segundo informações do TJSP, funcionárias do fórum foram recebidas na tarde de ontem pelo presidente do tribunal, Ivan Sartori, e relataram que enfrentam situações de insegurança. Por conta disso, o nome das outras duas juízas não foi divulgado pelo TJSP.

A Polícia Civil de Rio Claro investiga a ação criminosa.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, divulgou nota em que considera “criminoso” e “abominável” o atentado.

Peluso classificou como inadmissível a repetição de ataques a magistrados e servidores, lembrando o assassinato da juíza fluminense Patrícia Acioli, morta a tiros no ano passado por investigar milícias no Rio de Janeiro.

De acordo com Peluso, o atentado de Rio Claro é o terceiro de 2012. No dia 2, foi registrado um incêndio criminoso no Fórum de Nova Serrana (MG), e dois dias depois familiares de uma desembargadora do Ceará foram torturados.

“Repudio mais esse criminoso, abominável e violento atentado contra membros da instituição”, disse o ministro, que acredita que os criminosos estão se aproveitando do clima “artificioso e injusto” de hostilidade à instituição para promover atos de terrorismo contra o Judiciário. “São fatos graves que dilaceram o tecido social e o Estado Democrático de Direito”, disse o presidente na nota. Ele quer a apuração e punição rigorosa dos responsáveis.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, divulgou uma nota de apoio e solidariedade à juíza. Ele cobrou das autoridades a imediata apuração dos autores do atentado e a punição dos culpados. "Não é admissível que um juiz ou juíza, no exercício de suas funções, sejam intimidados e levados a trabalhar sob medidas excepcionais de proteção", disse ele, na nota.

"A Ordem dos Advogados do Brasil se solidariza com a juíza diretora do Fórum de Rio Claro, São Paulo, Cyntia Andraus Carreta, e com os funcionários feridos no atentado terrorista perpetrado nesta quinta-feira contra a Justiça brasileira, cuja autoria precisa ser apurada com toda urgência", diz a nota.

Ele citou ainda o assassinato da juíza de Niterói (RJ) Patricia Acioli, em agosto de 2010, e disse que ataques como esses demonstram que a escalada de ousadia de bandidos e organizações criminosas constitui uma ameaça real ao Judiciário.

Para o presidente da OAB, a lei é "a garantia da cidadania e sem ela prevalece o poder do mais forte, do medo, da força e do terror, como o que assistimos agora". “Expressando o sentimento da sociedade brasileira, a OAB se põe ao lado da magistratura para cerrar fileiras em defesa de uma Justiça forte, independente e garantidora do Estado Democrático de Direito", finaliza Ophir.

 

*Com informações da Agência Brasil

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