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PMDB de SP convida Chalita e reforça planos para 2012

por Vermelho — publicado 14/03/2011 10h52, última modificação 14/03/2011 10h52
Cúpula do PMDB intensificou a negociação com o deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP) para filiá-lo ao partido. Em troca, dirigentes pemedebistas ofereceram ao parlamentar a vaga para disputar a Prefeitura de São Paulo, em 2012. Do Vermelho

Chalita conversou pelo menos duas vezes com o vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, sobre a possível migração. Também já foi convidado para trocar de legenda pelo presidente do Senado, José Sarney (AP), pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN) e pelo presidente do diretório estadual de São Paulo, deputado estadual Baleia Rossi, filho do ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

A tentativa de atrair Chalita faz parte da estratégia do PMDB de tentar fortalecer o partido em São Paulo. O diretório minguou nas últimas eleições e em 2010 elegeu apenas um deputado federal em São Paulo, do total de 70 eleitos no Estado.

Com a morte do ex-governador Orestes Quércia, que presidia o diretório paulista, Temer e seus aliados passaram a controlar o partido em São Paulo. Centenas de diretórios municipais devem trocar a direção neste ano: "Estamos conversando com várias lideranças regionais. Onde nosso desempenho nas eleições foi ruim, haverá reformulação", afirma o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia Legislativa, Jorge Caruso.

Jundiaí, Louveira e Vinhedo são cidades em São Paulo onde a mudança está sacramentada. A filiação do ex-prefeito de Sorocaba Renato Amary (PSDB) vai nessa linha. "Não queremos mais ser escada para o PT e o PSDB. Teremos candidato próprio ou a vice em todas as cidades grandes. As alianças serão fechadas em torno de um projeto de crescimento do partido", disse Baleia Rossi.

Antes de sondar Chalita, o PMDB tentou atrair o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), e seus aliados para o partido. As conversas de Temer com Kassab, no entanto, não avançaram. O vice-presidente da República não quis dar o comando do diretório de São Paulo para o prefeito, além deste ser ligado ao ex-governador José Serra (PSDB).

Ao mesmo tempo em que conversava com o PMDB, Kassab aproximou-se do PSB. O prefeito articula a criação do Partido Democrático Brasileiro (PDB), que deve se fundir ao PSB. Para driblar problemas com a Justiça Eleitoral, o PDB deve disputar as eleições municipais de 2012 e depois efetivar a fusão. Como ônus da operação, o partido daria a Kassab o controle dos diretórios municipal e estadual de São Paulo.

De olho no potencial eleitoral de Chalita, segundo deputado federal mais votado em São Paulo, o PTB também tenta atrair o parlamentar. Chalita, no entanto, pode perder o mandato se mudar de partido. Pela legislação eleitoral, o mandato pertence ao partido pelo qual o candidato foi eleito e o PSB poderia pedir a cadeira do deputado. Para migrar, Chalita depende de Kassab. No caso de o prefeito conseguir criar uma legenda e fundir-se ao PSB, o parlamentar poderia argumentar que não concorda com a fusão e, dessa forma, poderia trocar de partido sem perder seu mandato. Chalita já anunciou que, confirmada a fusão do PDB com o PSB, trocará de legenda.

No Estado, o PMDB não pretende aliar-se formalmente ao governo tucano de Geraldo Alckmin. Em dezembro, foi discutida a possibilidade do PMDB ficar com a pasta de Agricultura, mas os nomes que o partido apresentou não agradaram ao governador. Um acordo para selar um apoio dos pemedebistas ao governo nas votações da Assembleia Legislativa deve ser fechado na próxima semana, em reunião de Caruso com o secretário da Casa Civil, Sidney Beraldo, mas sem compromisso de aliança para as próximas eleições e sem a barganha de cargos: "É constrangedor querer derrubar alguém que já está no cargo. Não temos mais essa reivindicação", disse Rossi sobre a pasta da Agricultura. Segundo ele, o caso deveria ter sido resolvido em dezembro, quando Alckmin ainda fazia nomeações.

Fonte: Valor Econômico

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