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Petição do PTB pede permanência de Marin na CBF e ataca Romário

por Redação Carta Capital — publicado 03/04/2013 19h20, última modificação 06/06/2015 18h24
Após ex-jogador pedir que a Comissão da Verdade investigue papel do presidente da CBF na ditadura, partido cria estratégia para defender o dirigente
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Foto: José Cruz/ABr

Dias após o ex-jogador de futebol e deputado Romário pedir que a Comissão Nacional da Verdade apure o papel de José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), na ditadura, o PTB criou uma estratégia de defesa ao dirigente.

O partido, do qual Marin é vice-presidente em São Paulo, lançou uma petição online defendo sua permanência na CBF e atacando o deputado. Antes, já havia encaminhado à Assembleia Legislativa de São Paulo uma moção de apoio ao dirigente.

O presidente da seção paulista da legenda e autor da iniciativa, deputado Campos Machado, também pediu que os vereadores petebistas entrassem com moções semelhantes em suas Câmaras municipais.

Romário quer que a CNV apure, entre outros pontos polêmicos da biografia do cartola, se Marin teve ligação com a morte do jornalista Vladimir Herzog. Em um discurso de 1975 como deputado estadual paulista, o dirigente da CBF criticou a TV Cultura por ter “comunistas” infiltrados, um deles seria o então editor-chefe de jornalismo, Vladimir Herzog.

Marin pediu “providências” contra a emissora para que “a tranquilidade volte a reinar não só nesta Casa [TV Cultura], mas principalmente nos lares paulistanos”. Duas semanas depois, Herzog foi assassinado no DOI-CODI e teve o suicídio forjado pelo regime.

         

Na descrição da petição, o texto envereda para a baixaria. O documento acusa Romário de “desestabilizar organizadores da Copa”, de ser “oportunista” e “querer aparecer inventando mentiras” contra a CBF e Marin.

O texto ainda elenca “a ficha criminal” do deputado, destacando que ele foi preso por não pagar pensão alimentícia e dirigir embriagado enquanto levava sua filha recém-nascida no carro. Diz também que Romário foi investigado pelo envolvimento no sequestro do próprio pai em 1994 e o liga a traficantes.

De acordo com Campos Machado, está em curso uma “maquiavélica orquestração para denegrir a imagem, a honra, a história política e o passado de glórias” de Marin, ex-governador biônico de São Paulo pelo Arena (partido criado pelos militares) e simpático a figuras como Sérgio Fleury, torturador de dissidentes do regime.

Em cinco dias, a petição conseguiu reunir 1.625 assinaturas.

Procurado, Romário não quis comentar o caso.

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