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Política

Cenário Gaúcho

Paulo Cezar da Rosa: Serra se perdeu no Rio Grande do Sul

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 26/08/2010 15h40, última modificação 26/08/2010 16h13
A força política que mais cresce hoje no pampa gaúcho é o lulismo

Pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, 26 de agosto, encomendada pelos grupos RBS e FSP, revela que Dilma já está à frente de Serra no Rio Grande do Sul. A candidata tem 43% das intenções de voto. Subiu oito pontos em relação ao levantamento anterior. José Serra vem em segundo lugar, com 39% e Marina Silva tem 7%.

A pesquisa, realizada dias 23 e 24  de agosto entrevistou 1.225 eleitores e tem margem de erro de três pontos percentuais. Portanto, já detectou o resultado dos primeiros dias de campanha no rádio e na TV.  Além disso, como Marcos Coimbra já explicou, a metodologia do Datafolha de entrevistar as pessoas em pontos de fluxo e exigir telefone para que seja realizada a checagem, exclui uma parcela importante que hoje vota maciçamente em quem Lula indicar.... Ou seja, no caso, a margem de erro deve favorecer ainda mais Dilma.  A realidade, no momento desta pesquisa, poderia ser 46% a 36%.

Vitória do Lulismo no pampa - Na verdade, os números são resultado do que vínhamos dizendo. A força política que mais cresce hoje no pampa gaúcho é o lulismo. Os gaúchos, depois de elegerem Lula em 89, 94, e 98, terem pendido à direita em 2002 e 2006, agora agarram-se ao lulismo.  Na esteira do lulismo, o PT gaúcho tende a se reestruturar, para o pânico da direita mais agressiva.

Serra enlouqueceu? - Um amigo, que estava disposto a votar em Serra, me alertou. Ele viu os primeiros programas eleitorais. Eu não tinha visto. Ele me disse: “O Serra enlouqueceu.  Olha os programas.” Fui ver e de fato meu amigo tem motivos para estar estupefato.

A propaganda comparativa no Brasil nunca funcionou direito. O consumidor não gosta. O máximo que o consumidor brasileiro admite é o padrão comparativo do Omo (Omo lava mais branco – dando a entender que os concorrentes não são tão bons) ou da Brastemp (Não é uma Brastemp – colocando a marca num patamar superior às demais). Mas a comparação direta, muito comum na propaganda norte-americana, aqui nunca conseguiu dar certo.

Também na propaganda negativa, temos nossas particularidades. A propaganda negativa funciona, principalmente na política, mas quase sempre quando feita indiretamente. Se eu falo mal do produto concorrente, e logo depois elogio o meu, a tendência do consumidor brasileiro é recusar o produto do autor da mensagem.

Marketing do desespero - O pessoal do marketing do Serra parece ter resolvido chutar a cristaleira e saiu fazendo tudo ao contrário do que manda a lógica. Fui assistir e também fiquei estarrecido. Meu primeiro pensamento foi: “O Serra enlouqueceu mesmo!”. Além de fazer uma proposta inverossímil atrás da outra, o “Zé” deu pra comparar e atacar agressivamente a candidata adversária.

Na política gaúcha, Tarso Genro fez algo parecido em 2002. Atacou Antônio Britto insistentemente. Passou do tom e em quinze dias perdeu a eleição para Germano Rigotto, que havia iniciado lá embaixo. O pessoal do Serra ao que tudo indica não extraiu nenhuma lição do episódio.  A continuar assim, a tendência é o tucano sofrer uma derrota devastadora também no Rio Grande do Sul.

Efeitos colaterais - Tarso, aliás, é quem pode agora sair favorecido com o crescimento de Dilma.  O petista vem acumulando “milhas” de vantagem. Como diz um ditado, está comendo o angu pelas beiradas.

Enquanto isso, Fogaça, que contrariou a posição nacional do PMDB e de seu aliado no estado, o PDT, assumindo uma “imparcialidade ativa” na questão nacional, pode acabar vendo sua estratégia naufragar. O peemedebista, mantendo-se equidistante da disputa presidencial, pensa que o eleitorado da tucana Yeda Crusius pode vir a apoiá-lo e compor uma possível maioria no segundo turno.

Como no futebol, é possível que os estrategistas de José Fogaça não tenham combinado com os russos.

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