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Câmara dos Deputados

Pastor deve presidir Comissão de Direitos Humanos e Minorias

por Redação Carta Capital — publicado 05/03/2013 18h37, última modificação 06/06/2015 18h23
Marco Feliciano, indicado pelo PSC, é contra bandeiras como casamento gay e já disse que africanos são amaldiçoados

O pastor Marco Feliciano foi indicado nesta terça-feira 5 para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O parlamentar, declaradamente contrário a bandeiras como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, recebeu diversas críticas de deputados que defendem os direitos de negros e homossexuais. Ele foi escolhido por quase toda a bancada do Partido Social Cristão (PSC), que ficou com o posto no acordo entre líderes partidários para dividir o comando das 21 Comissões da Casa.

Também estavam na disputa Zequinha Marinho (PSC-PA), Lauriete (PSC-ES) e Antonia Lúcia (PSC-AC), indicada para a primeira vice-presidência da comissão.

A bancada do PSC tem hoje 16 deputados.

A opção do partido por Feliciano já havia causado arrepios nos grupos de defesa dos direitos humanos. O deputado afirmou, no entanto, que nunca foi racista e que também não é homofóbico.

Ainda assim, o pastor já indicou ser contrário ao projeto que criminaliza a homofobia porque, segundo ele, há muitos pontos na proposta que precisam ser mudados. “Na presidência da comissão, vou abrir o diálogo sobre todos os assuntos de interesse da sociedade.”

  

O deputado já causou diversas polêmicas com seus comentários. Em um discurso durante um congresso evangélico, ele afirmou que a Aids era o “câncer gay”. “A própria ciência revela o predomínio de infecção por esta doença em pessoas manifestamente homossexuais, tanto é verdade que quando se doa sangue na entrevista se for declinada a condição de homossexual essa doação é recusada”, sustentou mais tarde também em seu site.

Em 2011, publicou no Twitter que os descendentes de africanos seriam pessoas amaldiçoadas. "A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!"

Mesmo em meio às polêmicas envoltas no nome do pastor, o líder do PSC, deputado André Moura, disse que Feliciano vai trabalhar na comissão como um magistrado, representando o PSC e respeitando a todos os cidadãos. “Todos terão oportunidade de discutir e defender suas posições”.

A eleição para a presidência da Comissão de Direitos Humanos deverá ocorrer na quarta-feira 6, assim como os procedimentos das demais 20 comissões técnicas da Câmara. Há regimentalmente a possibilidade de um candidato avulso ser inscrito na eleição, mas o PSC considera essa chance remota. Segundo a assessoria de imprensa do partido, houve um acordo com as lideranças de outros partidos e os “acordos costumam ser respeitados”.

 

Com informações Agência Brasil.

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