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Paranoia abandonou Amazônia aos traficantes, diz estudo

por Redação Carta Capital — publicado 01/09/2011 17h25, última modificação 05/09/2011 19h08
Pesquisa de Instituto Internacional afirma que Forças Armadas se perdem com medo de invasão estrangeira e deixam Amazônia submetida à ação de gangues criminosas

A paranoia de que a Amazônia seja invadida por estrangeiros faz com que o País não se prepare para a ameaça real dos traficantes, aponta um estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Segundo a pesquisa, o governo e Exército Brasileiro demonstraram que encaram a invasão por um exército estrangeiro e desproporcionalmente mais forte, como o americano, como a maior ameaça na região. Mas o real problema, segundo o instituto, são as gangues ligadas ao tráfico de drogas que invadiram a floresta.

Essa paranoia teria sido incutida, inclusive, na população brasileira. O artigo indica uma pesquisa da CNT/Sensus e Veja de 2007 mostrando que 83% dos brasileiros viam riscos de uma ocupação estrangeira na Amazônia. “No meio da paranoia com a invasão estrangeira para usufruir dos recursos da rica região, os brasileiros estão deixando a Amazônia para trás”, afirma o artigo.

O estudo também indica que a miséria tem tornado a região vulnerável à ação criminosa. Rota do tráfico entre os produtores andinos e os consumidores europeus, a Amazônia está à mercê da ação dos traficantes. E, apesar de afirmar a importância militar na Amazônia, o País destina à região apenas 13% do seu aparato militar. O estudo cita, inclusive, o sistema de satélites cuja implantação foi anunciada por Dilma Rousseff e que custará cerca de 10 bilhões de reais até 2019. Mas, para o instituto, os satélites não são suficientes para impedir a invasão de gangues. A pobreza atinge 42% da Amazônia, ante 28,8% do resto do País.

No estudo, é ressaltada a ligação das Farc com os grupos criminosos brasileiros. A cocaína plantada na Colômbia e Peru é levada às capitais do sudeste onde passa pelo processo de refino. Além disso, uma troca o de conhecimento ocorreria entre as facções dos dois países. As gangues brasileiras estariam utilizando os territórios vizinhos para expandir suas operações. Do mesmo modo, as Farc estariam aumentado sua presença na Amazônia Brasileira. “As Farc têm uma estrutura complexa dentro do Brasil: seus membros utilizam os rios nas florestas tropicais para levar drogas da Colômbia para Manaus. De lá, os navios são levados para os estados mais ricos do país e para Europa.”

No início da semana, uma matéria do The New York Times apontava que o crescimento econômico estava impulsionando o aumento da violência. E citava Bahia e Alagoas como exemplo. O aumento da renda impulsiona o consumo de drogas, atrai traficantes que trazem consigo um rastro de violência.

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