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Paranaense patrocina divisão na Bahia

por Gabriel Bonis publicado 01/08/2011 14h56, última modificação 02/08/2011 10h47
Deputado Oziel Oliveira (PDT-BA), réu em quatro processos no STF, conquistou a maioria de seus votos 81 mil votos na região que quer emancipar
Luís Eduardo Magalhães

Na cidade de Luís Eduardo Magalhães, centro do novo estado, Oziel Oliveira foi prefeito por duas vezes e conquistou mais da metade dos votos válidos para deputado federal nas eleições de 2010. Foto: Prefeitura de LEM

Em 2010, aos 45 anos, o paranaense Oziel Oliveira (PDT-BA) foi eleito deputado federal pela primeira vez. Dos 81 mil votos que obteve, 65 mil se concentraram em 28 cidades do oeste da Bahia. A capacidade eleitoral do político se dissipa em outras regiões do estado, conforme se avança em direção ao leste. Na capital, por exemplo, obteve parcos 654 votos.

Não à toa, Oliveira é um dos principais defensores e articuladores no Congresso da criação do estado do Rio São Francisco, no oeste baiano. Ele desponta como o "herdeiro" de um projeto (PDC 631), de autoria do deputado pernambucano Gonzaga Patriota (PSB) - que destaca em seu site oficial o fato de a região ter pertencido a Pernambuco até 1824 -, em tramitação na Câmara desde 1998.

Pela proposta, a região teria 35 municípios e 908,6 mil habitantes, metade deles concentrados em oito cidades, entre elas Barreiras, a mais populosa da região. O município é governado pela mulher de Oziel, Jusmari Oliveira (PR-BA). Outro polo do novo estado seria Luís Eduardo Magalhães, décima cidade mais rica da Bahia e governada por Oziel entre 2001 e 2009 - e onde mantém uma rádio comercial. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas duas localidades, ele somou mais de 28 mil votos na disputa por uma cadeira em Brasília. As duas cidades têm, juntas, quase 200 mil habitantes.

O deputado não é único a querer redesenhar o mapa do Brasil. Existem na Câmara ao menos 11 propostas para dividir diversos estados. Os defensores dos projetos alegam que a repartição de territórios extensos levaria o poder público a regiões afastadas, aumentando a segurança e impulsionando o desenvolvimento.

O Pará, que conseguiu a aprovação do Congresso para realizar um plebiscito, no qual a população vai decidir se aceita a criação de Tapajós e Carajás, é o caso mais avançado.

Justiça

Oziel Oliveira é réu em quatro processos no Supremo Tribunal Federal por crimes eleitorais, de licitações e de responsabilidade. Em 2006, o Ministério Público da Bahia pediu seu afastamento da prefeitura de Luís Eduardo Magalhães e a perda dos direitos eleitorais por improbidade administrativa. Segundo o órgão, ele teria cometido irregularidades em obras de acesso ao município e na construção de guaritas de segurança.

A reportagem de CartaCapital tentou contatar o deputado por meio de sua assessoria de imprensa, gabinete em Brasília e celular durante três dias, mas não obteve sucesso.

Em Barreiras, a 620 quilômetros de Brasília, a prefeita Jusmari também enfrentou problemas com a Justiça. Foi afastada da prefeitura por irregularidades nas doações da campanha eleitoral de 2008, mas conseguiu uma liminar para reassumir a administração da cidade de quase 138 mil habitantes.

O município é tido como a possível capital de Rio São Francisco, que, se concretizado, teria 173 mil quilômetros quadrados (pouco menor que o Uruguai) e um PIB de apenas 7,7 bilhões de reais, quase quatro vezes inferior ao de Salvador.

Além da baixa produtividade, segundo um levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, divulgado em julho, o estado já nasceria deficitário. A região arrecadaria 1,7 bilhão de reais por ano em receitas contra 2,5 bilhões de reais em custos de manutenção, sem incluir investimentos e obras públicas.

Ainda assim, a criação de Rio São Francisco, que possui alto potencial agrícola com plantações majoritariamente de soja e milho, segue na pauta do deputado. Nos primeiros sete meses de seu mandato em Brasília, entre felicitações a municípios baianos emancipados - alguns deles onde obteve votação expressiva – defendeu em mais de uma oportunidade o novo estado. Uma região que, segundo o levantamento da Superintendência, concentraria 83,6% da arrecadação, 60,8% do PIB e 54% dos empregos formais apenas nas cidades de Barreiras, Correntina, Luis Eduardo Magalhães e São Desidério.

Oziel Oliveira aproveitou também o tempo no Plenário para promover em discursos eventos agropecuários em Barreiras e Luís Eduardo. Ramo com o qual tem afinidade: é empresário e técnico agrícola, além de possuir participações em fazendas que somam 490 mil reais, segundo sua declaração de bens para as eleições de 2010.

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